sexta-feira, 29 de junho de 2007

Sva Jati Asaya - Inclinação Similar

Braja Bihari Prabhu - responsável pelo Ministério de Mediação da ISKCON - adverte-nos acerca de um ponto muito importante:

"Além disto se aceitarmos a estatística popular que 10% de toda comunicação se baseia no que falamos, 30% em como falamos, e que os 60% finais são revelados pela nossa linguagem corporal, então o e-mail claramente não é uma ferramenta eficiente para debater tópicos que possuem componentes emocionais e filosóficos. O e-mail é muito útil para sabermos quando buscar alguém no aeroporto ou para outros afazeres inócuos, mas não é um meio adequado para lidar com desacordos de longa data."

Ele dá o seguinte exemplo:

"Recentemente o Comitê Executivo do Corpo Governamental da ISKCON (GBC) foi convocado para dar seu juízo a respeito de uma polemica que envolvia a alegação de má conduta de um lider regional. Mais de 1000 e-mails foram trocados sobre o assunto com pouco progresso mas com muita comunicação malinterpretada e alguns sentimentos de mágoa.

Percebendo que o e-mail não estava trazendo o problema para mais próximo de uma solução, o Dirigente do Comitê Executivo convocou uma reunião dos grupos envolvidos. Dentro de pouco tempo os problemas foram solucionados para a satisfação de todos.

Enquanto que é verdade que a reunião foi muito mais custosa em termos de tempo e despesas de viagem e que os e-mails em quase nada haviam onerado a sociedade, ainda assim, a reunião face a face se mostrou muito mais eficiente para alcançar uma solução. Também parece claro no entanto que o e-mail vai continuar a alimentar os conflitos da ISKCON, apesar de seus efeitos geralmente negativos."

Levando em conta as afirmações de Braja Bihari Prabhu, um bom exercício ao lermos uma mensagem, é considerar que estamos a ter uma conversa muito agradável, educada e simpática com o outro devoto ou devota, apesar de estarmos a falar sobre temas controversos e polêmicos.

Não só como exercício, esta atitude deve ser cultivada.

Mesmo entre o relacionamento Vaisnava sempre vão existir diferentes inclinações e afinidades.

Srila Prabhupada salienta:

sva jati asaya snigdha
sadhu sanga sato bare
(Vaisnava Verse Book,BBT,1990,página 76)

"A amizade deve ser alicerçada entre aqueles que compartilham entendimentos e interesses mútuos."

A este respeito, Srila Prabhupada enfatizou a "unidade na diversidade".

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Krsna Katha

Texto enviado por Kunja Bihari Devi Dasi

Todas as Glorias a Srila Prabhupada!
Hare Krishna a todos!


No Srimad Bhagavatam diz que quem duvida dos passatempos de Vaikuntha está na mais obscura região da ignorancia. O Bhagavatam enfatiza a importancia de se falar acerca de Krishna e tudo o que se refere a Ele.
Como nos planetas de Vaykunta estamos recebendo muita informação das escrituras Vedicas de como submergirmos constantemente em Krishna Katha.Se diz que Srila Vyasadeva sentiu grande satisfação ao escrever os vedas. Então seu mestre espiritual Sri Narada Muni disse: "Se falas diretamente acerca das glorias e passatempos de seus devotos te sentirás realizado!" As glorias do Senhor são saboreadas somente pelas grandes almas. Uma verdadeira alma, uma alma auto realizada submerge nas descrições dos passatempos de Krishna assim como nos mostrou Sri Caitanya Mahaprabhu.
A própria Personalidade de Deus, Ele mesmo, saboreou o recitar do Srimad Bhagavatam e dos poemas e canções de Seus devotos. As pessoas materialistas, como diz Srila Prabhupada, se absorvem em revistas de moda, algum livro raro... Mas qual é o resultado de tudo isso?A literatura mundana está cada dia mais degradada, mais centralizada em sexo, violencia e coisas fruitivas. Isso é resultado de que as pessoas não têm um contato com algo puro.
Ler acerca de Kishna é muito prazeroso, é primordial para quem quer avançar em vida espiritual e caminhar "De Volta ao Supremo".

Sua serva,
Kunja Bihari DD

terça-feira, 26 de junho de 2007

Outros Gitas



Existem outra Gitas, como por exemplo o Gopi Gita (Srimad Bhagavatam 10.31) e também o Uddhava Gita, Yugala Gita, Bhramara Gita.

No entanto, devemos lembrar que o Bhagavad Gita foi falado num campo de batalha - Kuruksetra - e não na tranquilidade de Vrndavana.

Os outros Gitas foram falados por Krsna em Vrndavana, mas somente depois de destruir os demônios que ameaçavam a paz e o bem-estar dos Vrajavasis.

Os Acaryas explicam que assim como a luz aparece com grande velocidade e força e destrói a escuridão - a verdade penetra a natureza de Maya e destrói a ignorância que cega as almas condicionadas.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Lógica sem Informação

Trechos de uma aula dada por SS Hradyananda Das Goswami em Nova Gokula em 1989, SB 6.2.4

Primeiro, temos que ter informação e, depois, podemos estudar a lógica. Por isso, o Mahābhārata diz tarko ’pratishthah, a lógica sem informação autorizada é sem fundamento, sem alicerce. Por isso, simplesmente pela lógica, se você só tem informação material e, depois, você quer compreender uma verdade espiritual pela lógica, não é possível, você não tem informação adequada. Por isso, unicamente os vaishnavas, que recebem a informação diretamente de Krishna, podem ser lógicos enquanto área, porque eles têm informação: Tarko ’pratishthah śrutayo vibhinnā (Mahābhārata, Vana-parva 313.117, ver também SB 6.4.31)

Tarko ’pratishthah śrutayo vibihinnā nāsāv rshir yasya matam na bhinnam, os rshis, os sábios, só vivem de especulação. Um filósofo que chega a conclusão que concorda com outro filósofo é simplesmente tido com um seguidor insignificante, mesmo que tenha a verdade. Porém, quem pode inventar uma nova filosofia é tido como um pensador.

Os especuladores mentais pensam que não existe glória no caminho religioso porque todo mundo concorda, então não existe prestígio, não existe fama, porque todo mundo concorda: Krishna fala e você aceita. Então, onde há a glória disso? A glória é criar e inventar; estabelecer que eu sou Krishna.

Mas isso é também materialismo.


No plano espiritual não há essa preocupação com prestígio pessoal, “que eu posso criar”. Isso é muito infantil, muito materialista, egoísta e desqualifica uma pessoa para o verdadeiro caminho do conhecimento. Quem está querendo desenvolver conhecimento não pode ter motivos ocultos. O motivo deve ser unicamente de obter conhecimento e não de estabelecer-me como um grande pensador e adquirir prestígio, de satisfazer meu orgulho. Esses motivos são impuros e desqualificam o assim chamado filósofo. O filósofo deve buscar conhecimento sem outro motivo. E se o Senhor Supremo está falando conhecimento, por que não aceitar? Por isso, nāsāv rshir yasya matam na bhinnam, uma vez que todos os filósofos especuladores discordam um com o outro, esse caminho também não é frutífero.
Dharmasya tattvam nihitam guhāyām, a verdade real de dharma, ou do caminho espiritual, se encontra num lugar muito secreto, mahā-jano yena gatah sa panthāh, por que se encontra no processo de servir os grandes devotos (Mahābhārata, Vana-parva 313.117). Mahā-jano yena gatah sa panthāh, o caminho é o caminho pelo qual os grandes devotos foram. E aqui se diz a mesma coisa, yad yad ācarati śreyān. Aqui Prabhupāda dá uma tradução muito interessante para essa palavra śreyān: “um homem de primeira classe com pleno conhecimento de princípios religiosos”.

Reconciliando pontos de vista conservadores e liberais

Pakoras - Figura 2
Pizzas - Figura 1


Pizzas ou Pakoras: Reconciliando pontos de vista conservadores e liberais
Por Braja Bihari Dasa – responsável pelo ministério de mediação da ISKCON
Tendo como base sua experiência na resolução de conflitos na Iskcon, Braja Bihari Dasa examina um dos fatores críticos de conflito — a divisão entre as posições conservadoras e liberais na compreensão e aplicação de um conjunto de ensinamentos compartilhado. Ele faz uso de diversos modelos para entendermos estes conflitos e a partir destes modelos ele elabora soluções que objetivam fazer com que os conflitos possam ser solucionados, quando apropriado, ou serem expostos e reconhecidos pelo seu potencial em formar a base de um dialogo produtivo e saudável.
Srila Prabhupada, o fundador da International Society for Krishna Consciousness (ISKCON), muitas vezes demonstrava seu interesse/preocupaçã o com relação a conflitos internos aflorando em sua crescente sociedade:
Temos tanto trabalho a fazer, não podemos perder nossa solidariedade. Não seja a causa de uma cisão devido a uma atitude de luta ou competição. Sempre que ouço sobre reclamações ou perturbações em nossos centros minha mente fica perturbada e não sou capaz de traduzir apropriadamente meus livros. Portanto por favor, poupem-me de tais perturbações cooperando todos juntos, irmãos e irmãs. (Srila Prabhupada carta para Malati, 7 de Janeiro 1974)
Vocês dedicaram sua vida a Krsna e portanto vocês devem procurar ser pessoas ideais. Estamos introduzindo o movimento para a consciência de Krsna para promover a harmonia e boa vontade da humanidade. Mas se vocês estão sofrendo das mesmas doenças que estamos tentando remover como podem as pessoas serem influenciadas favoravelmente? Parem com estas brigas, tolerem. (Srila Prabhupada carta para Trivikrama, 1 de Maio 1974)
Somente após exaurir toda e qualquer possibilidade de uma solução pacifica enfrentaremos alguém com animosidade. Assim como Krsna. Ele não clamou a batalha até que toda e qualquer chance de um apaziguamento houvesse falhado. (Srila Prabhupada carta para Balavanta, 13 de Dezembro 1972)
Este texto analisa algumas das causas de conflito na ISKCON, particularmente, como sugere o titulo; no âmbito dos pontos de vista conservador X liberal. A ISKCON deveria se prender à tradição tão proximamente quanto possível? Ou podemos a adaptar a consciência de Krsna à cultura circunstante quando apropriado? Podemos oferecer pizzas vegetarianas para Krsna? Ou devemos somente oferecer itens tradicionais tais como pakoras? Em sua conclusão este texto oferece um número de soluções para manter-nos alinhados ao desejo de Prabhupada pela cooperação no interno de sua sociedade.
Causas de conflito
Existem muitas causas de conflito. Em seu livro, O Processo de Mediação, Christopher Moore descreve as principais (pp. 64–5):
Conflitos de Valores: resultantes de diferentes grupos adotarem critérios diferentes para avaliar idéias, ou devido a estilos de vida, ideologias ou religiões diferentes.
Conflitos de Relacionamentos: resultantes de emoções fortes, percepções distorcidas, comunicação deficiente, e de interações negativas constantes.
Conflitos de Informação: resultantes da falta de informação, interpretações diversificas da informação, e diferentes pontos de vista sobre o que é relevante.
Conflitos de Interesse: resultantes da competição por interesses substanciais, processuais (de procedimentos) ou psicológicos.
Conflitos Estruturais: resultantes de padrões de comportamento destrutivos, desigualdade no controle e posse de recursos, desigualdade de poder e autoridade, restrições de tempo, e fatores geográficos e ambientais que interfiram na cooperação.
Moore sugere intervenções a serem feitas em cada uma dessas fontes de conflito para promover a conciliação. Como mencionado por Arnold Zack em um artigo para o ISKCON Communications Journal (Vol. 10), as organizações do mundo todo estão reconhecendo a necessidade de se dialogar sobre estes conflitos, e estão encontrando resultados promissores em sua experiência com sistema ‘ADR’, Resoluções Alternativas de Conflitos. O senhor Zack descreve os procedimentos que a ISKCON adotou para iniciar um programa de mediação de casos de conflito no interno da organização. Não há necessidade de repetir seu detalhado artigo, mas gostaria de explorar em maior detalhe a atuação dos conflitos junto a organizações religiosas e, é claro, especificamente à ISKCON, e ainda mais especificamente como os conflitos agem na questão dos pontos de vista liberais e conservadores na ISKCON.
Em seu livro Administrando Conflitos Congregacionais, Managing Church Conflict, Hugh F. Halverstadt adiciona três causas de conflito particulares a ambientes de igreja (p. 2). à lista de Moore. De particular interesse nesta discussão se encontra o primeiro ponto de Halverstadt: Conflitos congregacionais são intensos porque conectamos a eles nossa fé e compromisso.
Ele escreve:
O mais relevante é que nossas identidades primordiais são postas em risco quando ocorrem conflitos em igrejas. Compromissos espirituais e compreensões da fé são enormemente suscetíveis a conflitos porque representam um dos pontos centrais da identidade psicológica do individuo. Quando cristãos diferem a respeito de suas crenças ou compromissos, podem vir a questionar, ou mesmo condenar, o caráter ou espiritualidade uns dos outros. É sua auto estima que está em xeque. (Halverstadt, p. 2)
Talvez em proporção ainda maior que o praticante cristão, os membros da ISKCON também fazem sacrifícios e mudanças comportamentais quando aderem à consciência de Krsna. Eles mudam a forma como se alimentam, dormem, se vestem, e falam; eles desenvolvem novas amizades e freqüentemente rejeitam as antigas; e desenvolvem uma nova serie de aspirações. Para se tornar devotos eles também adotam uma perspectiva da vida drasticamente diferente daquela na qual eles foram criados. Investem muito de si próprio em se tornarem devotos de Krsna. É por isto que quando aspectos de sua identidade como ser são questionados por alguém com um ponto de vista diferente – especialmente por alguém em seus próprios escalões — o conflito tende a ocorrer.
Existem um sem numero de fatores que influenciam a aceitação da consciência de Krsna por parte de um devoto. A primeira é a diversidade cultural. Existem templos da ISKCON em 103 países, e apesar que consigam manter uma uniformidade teológica e de práticas básicas, a cultura hospedeira em si inevitavelmente introduz também muita variedade. Prabhupada dá a entender isto em um de seus comentários: ‘Um candidato à consciência de Krsna nos paises ocidentais também deve ser instruído a respeito da renuncia à existência material, mas o professor instruiria o mesmo a candidatos de um país como a Índia de forma diferente. O professor (acarya) tem de considerar tempo, candidato e país.’ (Sri Caitanya-caritamrta, Madhya-lila 23.105, significado) Outras diferenças significativas na forma de aceitação da consciência de Krsna são resultantes do treinamento inicial dos devotos, de seu nível de avanço espiritual, de seus purva-samskaras (impressões mentais de vidas anteriores), assim como de seu condicionamento nesta vida, seu status socioeconômico, sua capacidade intelectual, sua escolha de amigos, seus hábitos, etc. Portanto, apesar de que todos são membros da ISKCON, existe variedade em como os membros percebem, experimentam, ensinam e praticam a consciência de Krsna.
Compreender como esta variedade se manifesta é uma ferramenta essencial para analisar os conflitos da ISKCON e ser capaz de lidar com a confusão que estes conflitos criam. Srila Prabhupada apreciava citar o ditado sânscrito, atmavan manyate jagat, ‘Eu penso assim então o mundo todo também tem que pensar da mesma forma’. Ross e Ward da Stanford University nos fornecem um mapeamento detalhado de um conceito parecido (pp. 110–11). Eles cunharam a expressão ‘realismo ingênuo’, e descrevem o conceito como se segue:
1o que vejo os seres e eventos tais como são em sua realidade objetiva, e que minhas atitudes sociais, crenças, preferências, prioridades, e conceitos similares, resultam de uma compreensão minha relativamente não apaixonada, não ‘inclinada’ a favor de minha cultura, e essencialmente ‘imparcial’ das informações e evidencias disponíveis.
2o que outros indivíduos observadores sociais geralmente irão compartilhar minhas reações, atitudes e opiniões—contanto que tenham tido acesso à mesma informação que deu vazão a meus pontos de vista, e contanto que eles também tenham processado esta informação de forma razoavelmente reflexiva e com uma mente aberta.
3o que a falha de um individuo ou grupo em particular em compartilhar meus pontos de vista só pode surgir de uma de três possíveis fontes:
O individuo ou grupo em questão pode ter sido exposto a uma amostra diferente de informação a que eu fui (neste caso, contanto que o outro seja razoável e tenha uma mente aberta, a troca ou união de informações deveria nos levar a alcançar um acordo).
O individuo ou grupo em questão talvez tenha preguiça, seja irracional ou esteja de alguma outra forma incapacitado, ou talvez tenha má-vontade para proceder de forma normal da evidencia objetiva a uma conclusão razoável; e finalmente:
O individuo ou grupo em questão pode ter uma inclinação natural (seja na interpretação da evidência ou no proceder da evidencia às respectivas conclusões) por ideologia, interesse próprio, ou alguma outra influencia pessoal que deturpe sua compreensão imparcial.
Pessoalmente prefiro a expressão ‘realismo subjetivo’ a ‘realismo ingênuo’ que considero mais pejorativo; pois para mim, ‘ingênuo’ tende a fazer esta síndrome soar indesejável. Ao invés disto, creio que pensar nestes formatos é algo natural — está claro que estas influencias estão freqüentemente agindo na maior parte das vidas das pessoas — isto só se torna indesejável quando não reconhecemos sua acão em nós e nas outras pessoas. De fato se analisarmos as cinco causas de conflito listadas por Moore, é razoável dizer que o realismo subjetivo pode ter um papel influenciador em todas elas. Vemos o mundo diferentemente uns dos outros, e freqüentemente estamos dispostos a entrar em uma disputa devido a isto. Membros da ISKCON não são exceção.
É importante esclarecer que quando aplico estas considerações no âmbito da ISKCON, não estou inferindo que as verdades espirituais padrões mencionadas no sastra (escritura) Vaisnava estejam abertas a uma reinterpretaçã o subjetiva. Claramente a ISKCON possui uma teologia padrão a qual todos seus membros devem aderir se desejam ser considerados membros. Similarmente, Srila Prabhupada estabeleceu certos padrões incontrovertí veis, incluindo os votos de iniciação (nenhum sexo ilícito, nenhum tipo de aposta com a sorte e o azar, nenhuma intoxicação, e nenhum comer de carne peixe ou ovos, assim como a promessa de cantar pelo menos dezesseis voltas do maha-mantra Hare Krsna todo dia). De fato estes compromissos mantidos por todos os devotos da ISKCON são parte do que é essencial e serão discutidos posteriormente como possíveis meios de superar as diferenças. .
Portanto, apesar de que fiz uso dos termos ‘conservador’e ‘liberal’, deve ficar claro que (1) estes termos são usados com relação às praticas não essenciais. Sendo que com respeito a estas práticas essenciais todos os grupos concordariam, tendo como base a teologia essencial professada pela ISKCON, e (2) que estes termos são utilizados especificamente em relação às práticas da ISKCON (mesmo os devotos ‘liberais’ seriam normalmente considerados altamente conservadores pelos padrões Ocidentais atuais).
Mesmo assim, dentro desta definição estreita ainda há suficiente espaço para a relevância, interpretação, e compreensões individuais baseadas na inspiração espiritual, nas considerações práticas e materiais, e em uma combinação de ambas. Os conflitos derivados destas diferenças surgem quando são acesos pelo realismo subjetivo e fomentados pela era em que vivemos.
A cultura da discórdia e a Kali-yuga
O sastra (a escritura) Vaisnava repetidamente explica que estamos agora vivendo na era de Kali, do conflito. Este é um momento no qual as pessoas muito facilmente entram em conflito. Apesar de que os conflitos sejam inevitáveis nesta era, a forma como uma organização ou pessoa lida com eles pontua a diferença entre a habilidade desta pessoa de se superar ou simplesmente seguir adiante de forma trôpega. Organizações espirituais, apesar de terem como objetivo agirem como reservatórios da paz, não estão a salvo desta influencia. Na realidade, devido a todas as razões listadas acima e a outras, grupos religiosos possuem longas historias de conflito. Mesmo uma instituição relativamente nova tal como a ISKCON já desenvolveu um histórico de conflito. Em seu livro, A Cultura da Discussão, Deborah Tannen explica como esta tendência ao conflito esta afetando a sociedade contemporânea: ‘. . . os conflitos podem as vezes ser solucionados sem se fazer uso de táticas de confronto, mas a sabedoria convencional dos nossos tempos freqüentemente desvaloriza táticas menos agressivas , mesmo que sejam funcionais, e favorece estratégias mais agressivas, mesmo que os resultados sejam menos favoráveis. É como se valorizássemos uma briga pelo puro prazer de brigar, e não pela sua eficiência em solucionar uma disputa’ (p. 23).
O inicio da Kali Yuga parece exemplificar esta tendência. No Srimad-Bhagavatam temos a historia de Srngi. Srngi era um filho não qualificado de um brahmana, que amaldiçou o grande rei devoto Pariksit a morrer no prazo de sete dias devido a uma aparente ofensa por parte do rei ao seu pai (de Srngi) A aparente ofensa ocorreu quando o pai, não ofereceu uma recepção apropriada ao rei. Enquanto que este evento em particular é visto como um arranjo do Senhor com o propósito de promover a exposição oral do Srimad-Bhagavatam, também está dito que a influencia de Kali-yuga iniciou quando Srngi escolheu uma estratégia agressiva mesmo quando outras alternativas estavam certamente disponíveis.
Kali também influencia de outra forma substancial: desestruturando a hierarquia de autoridade. Tannen escreve em seu livro Sibling Society, Sociedade de Crianças, que “os cidadãos atuais são como crianças pequenas sem figuras de autoridade que possam transmitir suficiente respeito para conter e canalizar seus impulsos agressivos. É como se todo dia fosse um dia com um professor substituto que não consegue controlar a classe e manter a ordem’ (Tannen, p. 25). Quando me uni a ISKCON em 1977, a autoridade da estrutura hierárquica ainda estava forte e firmemente intacta. Após a partida de Srila Prabhupada naquele ano, e as subseqüentes dificuldades centralizadas em decisões questionáveis da liderança e falhas morais por parte de alguns dos renunciantes, a autoridade da estrutura hierárquica enfraqueceu consideravelmente. A historia ainda nos irá revelar em que grau esta estrutura enfraquecida vai conseguir sobreviver na ISKCON. Algumas pessoas dizem que a ISKCON está indo relativamente bem em seu intuito de manter o Comitê do Corpo Governamental intacto, mas, no presente, a ISKCON com certeza sofre da ‘síndrome do professor substituto’. Com um declínio da autoridade, as varias opiniões proliferam, infleizmente juntamente com a crença que uma opinião não é melhor que qualquer outra. A carência de uma autoridade bem estabelecida encoraja o realismo subjetivo a correr solto, resultando no final em mais desavenças.
O meio afeta a mensagem
A hierarquia da autoridade também é enfraquecida pelo advento da facilidade com a qual se publica livros hoje em dia, e pela internet. Anteriormente se alguém desejasse publicar um livro, ele ou ela teria de convencer um editor da ISKCON de seu valor literário—freqü entemente uma tarefa hercúlea. Agora qualquer um com uma idéia, um computador, uma impressora, e um pequeno investimento pode publicar um livro.
Sites na Web, com sua característica de ‘qualquer um pode dizer qualquer coisa’, são ainda mais fáceis de se criar. É um fato que muitas das desavenças que ocorrem na ISKCON existem apenas virtualmente, no ciberespaço. Os devotos envolvidos talvez sequer se conheçam pessoalmente. A internet nos conectou de muitas formas antes nem pensadas. Também estendeu a influencia tanto do realismo subjetivo e da Kali-yuga além de quaisquer fronteiras: as pessoas agora podem enviar e-mails para centenas de caixas postais ao redor de todo o mundo em questão de segundos.
Além disto se aceitarmos a estatística popular que 10% de toda comunicação se baseia no que falamos, 30% em como falamos, e que os 60% finais são revelados pela nossa linguagem corporal, então o e-mail claramente não é uma ferramenta eficiente para debater tópicos que possuem componentes emocionais e filosóficos. O e-mail é muito útil para sabermos quando buscar alguém no aeroporto ou para outros afazeres inócuos, mas não é um meio adequado para lidar com desacordos de longa data.
Por exemplo: recentemente o Comitê Executivo do Corpo Governamental da ISKCON (GBC) foi convocado para dar seu juízo a respeito de uma polemica que envolvia a alegação de má conduta de um lider regional. Mais de 1000 e-mails foram trocados sobre o assunto com pouco progresso mas com muita comunicação malinterpretada e alguns sentimentos de mágoa. Percebendo que o e-mail não estava trazendo o problema para mais próximo de uma solução, o Dirigente do Comitê Executivo convocou uma reunião dos grupos envolvidos. Dentro de pouco tempo os problemas foram solucionados para a satisfação de todos. Enquanto que é verdade que a reunião foi muito mais custosa em termos de tempo e despesas de viagem e que os e-mails em quase nada haviam onerado a sociedade, ainda assim, a reunião face a face se mostrou muito mais eficiente para alcançar uma solução. Também parece claro no entanto que o e-mail vai continuar a alimentar os conflitos da ISKCON, apesar de seus efeitos geralmente negativos.
Um outro problema tecnológico no interno da ISKCON é o Vedabase, uma compilação auto-indexada de todos os escritos, cartas e conversações transcritas de Srila Prabhupada. Apesar desta ser uma ferramenta fantástica para um pesquisador ou um viajante que não queira ou não possa carregar livros (todos os livros cabem em um DVD ), por outro lado também apresenta um lado negativo.
O prefácio do Vedabase adverte: ‘O Bhaktivedanta Vedabase é uma ferramenta poderosa, e como todas as ferramentas pode ser bem ou mal usada. Bem usada pode nos ajudar a descobrir, compilar, e esclarecer muitos dos ensinamentos que as escrituras e Srila Prabhupada nos deram. Mal usada pode nos ajudar a compilar falsas evidências, argumentos falaciosos, e conclusões errôneas’. Mais do que freqüentemente os devotos se voltam à informação contida no Vedabase de uma forma pré-programada, e então usam o Vedabase para encontrar citações que confirmem seus pontos de vista preconceituosos. Ao invés de tentar compreender as afirmações de Prabhupada e como elas se encaixam em correlação a suas outras afirmações e às conclusões escriturais parece ser que muitas pessoas somente se voltam ao Vedabase para se suprir de munição para derrotar alguma outra pessoa.
Dicas para discussão em grupo:
- ler o texto e selecionar de um a três pontos que mais chamaram a atenção e apresentar para o grupo possíveis reflexões ou duvidas
- fazer alguma pesquisa mais especifica sobre algum ponto
- simplesmente ler o texto e participar na próxima semana
- encontrar ou se lembrar de versos ou significados de Srila Prabhupada que tenham relação com o que achou mais interessante
- contar algum passatempo pessoal ou de alguém que exemplifique algum ponto
- etc...
Conservador e liberal
Hoje em dia na ISKCON as causas de conflito mencionadas na primeira parte deste artigo são facilmente verificáveis na variedade de conflitos entre os partidos conservador e o liberal. Há um número alto de assuntos que são afetados por esta dicotomia conservador/ liberal, dentre os quais: - o papel das mulheres - as relações da ISKCON com o mundo secular em toda sua amplitude - abordagens nas atividades missionárias - a utilidade do dialogo interreligioso - o quanto da cultura regional tradicional pode ser absorvido, etc.
Correndo o risco da generalização, listo abaixo uma breve sinopse dos diferentes pontos de vista: os liberais assumem uma abordagem igualitária no que diz respeito ao papel das mulheres na sociedade, tendo por base as qualidades inerentes de toda alma no plano espiritual. Eles acreditam que a ISKCON necessita ter relevância para o mundo ‘externo’ e que podemos aprender muito também dos outros. Deveríamos portanto ser criativos em nossas atividades missionárias, ajustando-as ao tempo, lugar e circunstância. Eles também sentem que a troca de informação e vivencias que ocorrem no dialogo interreligioso são úteis para a ISKCON assim como para os outros participantes do dialogo, e que ao mesmo tempo que as tradições culturais sejam importantes, são também secundarias a princípios espirituais mais elevados . Implementar uma cultura tradicional na ISKCON, dizem eles, deve ser feito cuidadosamente, mesmo porque tentativas anteriores foram imaturas e deixaram cicatrizes naqueles que fizeram parte da experiência.
Os conservadores abordam o papel das mulheres na sociedade como complementar: as mulheres tem um papel distinto centrado nas funções de esposa e mãe, e de forma alguma competem com os homens. Os conservadores acreditam que deveríamos dar o que temos ao mundo externo mas que há pouco que podemos aproveitar. Crêem que enquanto que podem ser feitos ajustes culturais para levar adiante atividades missionárias externas, já possuimos uma cultura perfeita, ainda que não totalmente implementada no momento; necessitamos sim apenas executar nossos ensinamentos com fé. Os conservadores crêem que deveríamos ficar ‘com um pé atrás’ no que diz respeito ao dialogo interreligioso; afinal de contas, já temos a verdade e outros deveriam aprende-la de nós. Eles crêem que temos pouco o que receber dos outros. Temos apenas que pregar e servir de exemplos vivos da cultura védica, que é gloriosa — supremamente. Quanto mais próximos estivermos de segui-la, mais felizes seremos, assim como aqueles que entrarem em contato conosco.
Ambos os grupos presentes tiram evidencia dos sastras, assim como exemplos da aplicação prática destes conceitos por Srila Prabhupada pessoalmente, para substanciar e comprovar seus respectivos pontos de vista. Pode ser que em alguns casos, baseados nos sastras, um grupo esteja certo e o outro errado, mas até o presente momento dentro da ISKCON, nem a posição liberal ou a conservadora se estabeleceu como dominante, e nem é provável que isto aconteça num futuro próximo. Nos debates em curso ambos continuam a citar passagens legitimas e tentam conectar estas passagens à instituição atual.
Um exemplo: a polemica que gira entorno ao papel da mulher dentro da ISKCON
Qual é papel das mulheres na ISKCON? As mulheres podem assumir papeis de liderança? Podem ser gurus? Ou deveriam elas atuar somente um papel complementar ao dos homens como esposas e mães piedosas protegidas/amparada s por seus pais na juventude, seus esposos no casamento e seus filhos crescidos na meia idade? Muito do conteúdo deste conflito está centrado na ciência hermenêutica: isto é depende de sobre como a ISKCON deveria interpretar as escrituras e os comentários de Prabhupada a respeito delas. O que constitui um principio espiritual imutável? E o que constitui um detalhe, uma tentativa de aplicar um principio que pode ser mudado de acordo com o momento e as circunstancias? As considerações culturais de varnasrama são um principio ou um detalhe? O que deve ser feito quando dois grupos dão ênfase a princípios diferentes e aparentemente opostos?
Igualitários enfatizam a unidade de todas as almas e que as diferenças corpóreas são de importância secundaria. Bhakti, a devoção amorosa a Krsna, é uma função da alma; nada tem a ver com o corpo externo onde a pessoa esteja habitando. Homens não são homens eternamente e as mulheres não são mulheres eternamente. Igualitários acreditam que deveríamos ser suficientemente evoluídos para ‘sairmos do conceito corpóreo da vida’ e respeitarmos uns aos outros como almas e como servos eternos de Krsna. Deveríamos ser cuidadosos para não permitir que conceitos mundanos adentrem uma sociedade espiritual. Igualitários citam passagens das cartas e escritos de Prabhupada tais como:
Com respeito a devotas darem palestras: Já lhes informei que no serviço ao Senhor não há distinção de casta, credo, cor ou sexo. (Srila Prabhupada carta para Jayagovinda, 8 de Fevereiro 1968)
As vezes pessoas invejosas [da India] criticam o movimento para a consciência de Krsna porque este ocupa igualmente ambos homens e mulheres na distribuição de amor à Suprema Personalidade de Deus. Não sabendo que homens e mulheres em paises tais como a Europa e América se misturam livremente, estes tolos e patifes criticam os rapazes e moças na consciência da Krsna por interagirem. Mas estes patifes deveriam considerar que uma pessoa não pode repentinamente mudar os costumes sociais de uma comunidade. Entretanto sendo que ambos homens e mulheres estão sendo treinados para se tornarem pregadores estas mulheres não são mulheres comuns mas são tão boas quanto seus irmãos que estão pregando a consciência de Krsna. Portanto é um principio que um pregador deva estritamente seguir as regras e regulações estabelecidas nos sastras porém ao mesmo tempo deve desenvolver meios pelos quais o trabalho missionário de clamar aos que estão caídos possa prosseguir com força total. (Sri Caitanya-caritamrta, Adi-lila 7.38, significado)
Os ‘complementaristas’ protestam contra a crescente aceitação de uma abordagem feminista dentro da ISKCON. Os conservadores temem que um paradigma materialista de esquerda/oposiçã o, que exerça um fluxo contrario aos objetivos estatutários da ISKCON, se infiltre. A ISKCON, que tem por base uma cultura ancestral, está, dizem os conservadores, sendo influenciada por considerações materialistas modernas que correm em direção contrária ao ideal varnasrama que a ISKCON tem por propósito estabelecer. Enquanto eles certamente aceitam o ponto filosófico que ‘nós não somos estes corpos’, os conservadores sustentam que as normas sociais de varnasrama são um veiculo importante para atingir a plataforma espiritual. Eles consideram o varnasrama como sendo a base cultural sobre a qual a cultura Vaisnava será construída. Os conservadores acreditam também que sem o apoio deste modelo social Vaisnava, iremos por ‘default’ abraçar a cultura ocidental do hedonismo, uma cultura que não irá nos apoiar em nossas aspirações espirituais. Para apoiar seus pontos de vista também citam as escrituras.
Alguns exemplos são:
Uma mulher casta não deveria ser cobiçosa, mas pelo contrario deve estar satisfeita em todas as circunstancias. Ela deve ser muito capaz na lida dos afazeres domiciliares e deve se alinhar aos princípios religiosos. Ela deveria falar agradavelmente e de forma verdadeira, deve ser sempre muito cuidadosa e sempre limpa e pura. Desta forma uma mulher casta deveria se engajar com afeto no serviço a um esposo que não esteja caído. (Srimad-Bhagavatam 7.11.38)
As mulheres precisam ser protegidas pelos homens. Ela deve ser cuidada por seu pai na sua infância, pelo seu esposo na sua juventude e por seus filhos adultos na sua velhice. (Srimad-Bhagavatam 6.18.42, significado)
O papel das mulheres é uma questão proeminente. Se esta questão for considerada com interesse, respeito, e atenção suficiente sua resolução pode fornecer um grande impulso no sentido dar aos membros da ISKCON confiança em sua habilidade de ir além das diferenças e trabalhar cooperativamente.
Pizza ou pakoras?
Em seu artigo `Conflitos em meio a Grupos: O efeito do entrelaçamento’ (p. 247), Ron Kraybill apresenta duas congregrações de diferentes igrejas. Em uma igreja vários membros concordam com uma pessoa sobre uma questão e com outra pessoa sobre outra questão (observem a fig. 1). Sobre um assunto, A, B, C, e D concordam; sobre outro ponto A, B, F, e E concordam; e ainda com respeito a um terceiro ponto A, B, G, e H concordam. Em outra igreja os membros votam de acordo com diretrizes estabelecidas por diferentes grupos partidários consistentemente se alinhando com as mesmas pessoas (observem a fig. 2). Kraybill argumenta que a primeira igreja paradoxicalmente recebe de braços abertos os desacordos, pois estes são abordados forma respeitosa e resultam em uma maior aproximação das pessoas entre si. A segunda igreja geralmente evita o conflito mas quando este surge os membros se polarizam, e isto acaba se degenerando em politicagem, desconfiança, pontos de vista mal compreendidos, e finalmente pode levar a uma cisão em potencial.
Fig. 1 Pizzas
Fig. 2 Pakoras
Apresentei estes diagramas em uma palestra entitulada ‘Pizza ou Pakoras’ proferida em Julho de 2004 na convenção Européia da ISKCON. Ao observar o diagrama, alguém na audiência disse: ‘A Igreja número um parece com uma pizza, já a igreja número dois se parece com duas pakoras, mas qual dos diagramas melhor representa a ISKCON?’ Eu não tinha a intenção de ter estes diagramas conectado ao titulo de minha palestra, e a metáfora na verdade não é tão perfeita, mas me fez começar a pensar sobre a pergunta: Com qual das duas igrejas a ISKCON contemporânea mais se assemelha?
Minha analise, que está baseada em minha vivencia dentro do coração da ISKCON de Vrndavana, India, e nos meus afazeres diários na lida com questões polemicas da ISKCON, desde que assumi o cargo de diretor do Ministério de Resolução de Conflitos da ISKCON, é que os cenários de ambas as igrejas acima coexistem dentro da ISKCON. Entretanto devido à diversidade encontrada dentro da ISKCON, seus membros tendem a inclinar-se em direção à situação apresentada no caso da igreja número um, mas que a minoria entrincheirada na dinâmica liberal/conservador da igreja número dois acaba naturalmente verbalizando mais suas respectivas posições. As pessoas da igreja um, de acordo com Kraybill, já lidam com o conflito de formas saudáveis. A questão continua sendo como a ISKCON pode ajudar a sua própria ‘igreja dois’, composta de liberais e conservadores, a lidarem um com o outro de formas mutuamente satisfatórias e benéficas?

Soluções
Maior dialogo
Nos dias atuais, conservadores e liberais com freqüência se comunicam entre seus próprios correligionários, porém, de suas respectivas partes, não aplicam muito tempo no dialogo construtivo com os devotos do lado oposto do espectro.Inevitavel mente isto leva a mal entendidos ou compreensões errôneas com respeito aos pontos de vista uns dos outros, especialmente, e mais preocupante, no que tem relação com os motivos que possam existir por tas destes pontos de vista . Posições são estabelecidas e atacadas. Uma polarização ocorre e as posições se enrijecem. A comunicação ‘sem fio’ é abundante. Ataques ‘ad-hominem’ — uma ferramenta de grande efeito para alimentar o conflito e desencorajar a cooperação—não são raros de ocorrer.
O dialogo pode ser apresentado de forma tal que possa ser uma grande ajuda para melhorar esta situação. Um dialogo bem estruturado – em conjunto com uma assistência por parte de um terceiro partido neutro — esclarece as intenções e as pontos de vista . Os grupos tem a oportunidade de ouvirem uns aos outros respeitosamente. Sem abandonar suas próprias posições, eles tentam então tentam, compreender um ao outro. O dialogo separa as questões reais daquelas apenas percebidas e diminui a falta de confiança e os temores compartilhados entres os grupos/partidos. Uma de-demonização ocorre, e a atmosfera então se torna conducente há comunicações empáticas.
No caso dos conservadores e liberais da ISKCON, alguns passos estão sendo dados nesta direção de uma conferencia via e-mail que foca em incentivar o dialogo. Devido a que a ISKCON é uma organização internacional e que o dialogo ‘in loco’ não é sempre possível entre os partidos em disputa, nos concedemos a organização de uma conferencia de e-mail, apesar de conhecermos os riscos. O GBC também pediu que os partidos situados em ambos os lados da questão concernente às mulheres, a participarem no dialogo em curso, para buscar resoluções possíveis para estas questões contenciosas, e então enviarem um relatório a respeito ao GBC’. Quando apropriadamente estabelecido o dialogo é uma ferramenta poderosa para os devotos da ISKCON. Na ISKCON faz parte da aprendizagem primaria aprender a respeitar todos sem em troca exigir respeito para si. Tem sido minha experiência que o dialogo torna-se fácil quando os grupos em disputa praticam a humildade Vaisnava.
O dialogo, como passo inicial, é essencial, e freqüentemente pode levar a tomadas de decisões tangíveis. Jennifer Lynch cunha o termo ‘D2D’ (do dialogo à decisão). É freqüente que através do dialogo sincero os grupos divergentes cheguem a conclusões por si próprios no que diz respeito a como melhor proceder considerando as questões que estão sendo apresentadas. Isto pode certamente acontecer nos vários assuntos abordados pelos grupos liberais e conservadores da ISKCON. Indo além, é minha sugestão à liderança da ISKCON que analise a idéia de permitir que a variedade de posicionamentos no que diz respeito a algum tópico especifico seja abarcada como um posicionamento oficial da própria ISKCON. Como Prabhupada certa vez afirmou ao escrever para um membro do GBC:
Se mantivermos Krsna no centro então irá ocorrer um acordo na variedade. Isto se chama de unidade na diversidade. Estou portanto sugerindo que todos nossos devotos se encontrem em Mayapur todo ano durante o aniversario do nascimento do Lord Caitanya. Com todos os GBCs e devotos seniores presentes deveríamos debater sobre como criar a unidade na diversidade. Mas se discutirmos devido à diversidade então isto representa que estamos simplesmente na plataforma material. Por favor tente manter a filosofia da unidade na diversidade. Isto irá fazer nosso movimento bem sucedido. (Srila Prabhupada carta a Kirtanananda, 18 de Outubro, 1973)
Muito do conflito e politicagem que ocorre entre liberais e conservadores na ISKCON é devido a uma compreensão não oficializada que a ISKCON aceitará apenas umponto de visto com respeito há algum assunto em particular. Talvez muita da energia gasta enquanto cada grupo tenta estabelecer seu ponto de vista como a visão correta poderia ser melhor utilizada em promover os propósitos principais da ISKCON — se tornar consciente de Krsna e auxiliar os outros a fazer o mesmo — e em conviver com a diversidade em muitas das questões menos importantes ou não tão centrais. Ao oferecer esta sugestão percebo que abrimos espaço para mais uma questão polemica: O que é uma questão realmente importante ou central e o que não é? Ainda assim também sugiro que lidar com esta questão em si é mais fácil do que com as diferenças que a circundam.

Abordagem sistemática
Desde o artigo de Arnold Zack publicado na ultima edição da ISKCON Communications Journal, o trabalho do ministério alternativo de resolução de conflitos da ISKCON tem estado se desenvolvendo e está se movendo em direção ao que está sendo chamado um Sistema Integrado de Administração de Conflitos (ICMS sigla em inglês). A ISKCON ‘Resolve’, e a ISKCON ICMS, oferecem uma variedade de serviços aos devotos da ISKCON, que incluem a mediação, o dialogo, arbitragem, analise de conflitos, e um serviço de ombuds. A ISKCONResolve oferece estas diferentes opções para que os devotos possam abordar suas preocupações, reclamações, conflitos, e sugestões de formas positivas e efetivas. Além de facilitar os debates existentes provê conservadores e liberais com meios positivos e efetivos de serem compreendidos e ouvidos uns pelos outros e pela liderança da ISKCON. Tannen conclui, ‘Há vezes quando precisamos discordar, criticar, nos opor, e atacar — para manter debates e ver questões como batalhas entre dois diferentes pólos. Até mesmo a cooperação, no fim das contas não é a ausência do conflito mas um meio de administrar o conflito. Meu objetivo não é fazer um elogio apaziguador mas falso da concordância ou em outras palavras do perigoso ignorar de uma oposição real. Estou questionando o uso automático de formatações de como lidar com questões adversárias —o pressuposto que é sempre melhor se dirigir aos problemas e questões brigando por elas. Estou esperando um repertorio mais amplo de falarmos uns com os outros e abordarmos questões vitais para nos.’ (p. 26) A ISKCONResolve é uma tentativa de oferecer este repertorio mais amplo a seus membros.
Parte da abordagem sistemática de conflitos é o ‘desenvolvimento de capacidades’ (Schirch), treinar os membros de uma organização nos métodos alternativos de se lidar com conflitos. A ISKCONResolve já treinou mais de quatrocentos devotos da ISKCON em mediação. Este é um começo, mas agora estamos desenvolvendo um pequeno seminário que será disponibilizado a um numero muito maior de membros. Este curso mais curto vai prover as habilidades e a teoria básica necessária para que os indivíduos abordem os conflitos que surgirem em suas vidas. O seminário também vai incluir maneiras pelas quais eles possam aproveitar os serviços que o ISKCONResolve tem para oferecer. Um curso também está sendo desenvolvido para uso em escolas e escolas dominicais afiliadas à ISKCON.
Outra aspecto essencial de uma abordagem sistemática é o retorno. A cooperação e a paz sustentáveis não são facilmente obtidas. Os contendores freqüentemente experimentam satisfação no dialogo e na mediação, mas se desapontam quando as mudanças de fato se mostram irrisórias (Kraybill p. 69). Freqüentemente nos subestimamos a quantidade de trabalho necessário para resolver uma disputa. As decisões precisam ser testadas e a comunicação checada. A ISKCONResolve tenta dar retorno há um caso por quanto tempo for necessário.
Um retorno à essência
Em Maio de 2004 fui convidado para falar na escola dominical na igreja Mennonita de Park View em Harrisonburg, Virginia. Antes de minha fala participei do sermão proferido por Phil Kniss, o pastor da igreja. Ele falou sobre uma dissidência significativa no interno da igreja Mennonita. Tenho de admitir que fiquei surpreso ao ouvir sobre esta dissidência porque os Mennonitas são famosos por seu interesse e sua habilidade de conjurar a paz. Portanto ouvi atentamente Kniss alertar que a congregação deveria se precaver com respeito a soluções tipo ‘conserto rápido’ e de rostos sorridentes que ignorassem as profundidades a que este conflito havia se aprofundado. Ele argumentou que no papel de uma Igreja eles tinham o dever para com Deus de não lidar apenas superficialmente com esta crise mas de buscar as raízes de sua fé em Jesus e encontrar uma solução espiritual:
Quero sugerir, correndo o risco de ser o portador de más novas, que se tudo o que fizermos for ajudar que uma igreja cheia de pessoas diferentes sejam amigáveis, lidem bem uns com os outros, e não briguem muito, então estamos simplesmente fazendo da igreja nada mais que um educado clube social da vizinhança. E nos contentamos com um substituto barato para uma comunidade cristã.(Kniss p. 4)
No final ele prescreveu a transcendência do conflito através do canto em louvor ao Senhor: ‘. . . se uma verdadeira unidade na igreja será jamais alcançada, irá ocorrer quando nos unirmos e cantarmos’ (Kniss p. 10). Pude me identificar com isto. Seu sermão acendeu meus pensamentos sobre a ISKCON e a necessidade de transcender nossas diferenças nos absorvendo em atividades que nos unem: nossa devoção a Krsna que demonstramos através do canto, da dança, do festejar, adorar, estudar e prestarmos serviço juntos. Estas atividades não só nos aproximam, elas são a essência do serviço devocional e de acordo com todos os sastras Vaisnavas, o meio mais efetivo de limpar nossos corações e fazer deles locais adequados para receber o darshan e as instruções de Krsna. Estas são práticas superiores (praticas sobre as quais todos podemos concordar e trabalhar juntos para perfaze-las) , isto irá levar à meta superior de fazer da ISKCON uma sociedade pura e atrativa de devotos dedicados. Enfatizando estas formas positivas de nos associarmos uns com os outros naturalmente desenvolvemos nossa habilidade de transformar os conflitos e colocamos as diferenças que temos uns com os outros na perspectiva apropriada. Técnicas, sistemas, e treinamento são importantes na resolução de nossos conflitos, mas deveriam estar conectados ao próprio propósito transformacional da ISKCON. Sem dúvida conservadores e liberais vão continuar tendo suas diferenças, mas tenho esperança que por aplicar as formas acima mencionadas de abordagem destas diferenças que seus conflitos irão fortalecer a ISKCON. E assim como os guerreiros do Mahabharata que lutavam contra o inimigo durante o dia e se socializam entre si a noite, que os conservadores e liberais da ISKCON irão continuar a divergir e então se reunirão a noite para cantar Hare Krsna, dançar no kirtana, e festejar com Krsna prasadam—pizza e pakoras.

A Meta Última

Texto enviado por Pariksit Prabhu

SERVIÇO DEVOCIONAL A KRSNA, A META ÚLTIMA DA VIDA

TRADUÇÃO
“Ao livrar-se inteiramente do conceito corpóreo de vida, Maharaja Prthu percebeu o Senhor Krsna sentado no coração de todos como o Paramatma. Sendo assim capaz de receber todas as instruções dEle, abandonou todas as outras práticas de yoga e jñana. Não estava sequer interessado na perfeição dos sistemas de yoga e jñana, pois compreendeu plenamente que o serviço devocional a Krsna é a meta última da vida e que, a menos que os yogis e os jñanis fiquem atraídos por krsna-katha (narrações sobre Krsna), suas ilusões concernentes à existência não poderão jamais ser dissipadas.”

SIGNIFICADO
Enquanto alguém esteja demasiadamente absorto o conceito corpóreo de vida, ele se interessa por muitos diferentes processos de auto-realização, tais como o sistema de yoga mística ou o sistema que utiliza os métodos especulativos empíricos. Entretanto, quem entende que a meta última da vida é aproximar-se de Krsna, percebe Krsna dentro do coração de todos e, portanto, ajuda a todos que estejam interessados em consciência de Krsna. Na verdade, a perfeição de nossa vida depende de nossa inclinação por ouvir sobre Krsna. Por isso, menciona-se neste verso: yavad gadagraja-karthasu ratim na kyryat. Sem se interessar por Krsna, por Seus passatempos e atividades, não há possibilidade de liberação por meio da prática de yoga ou de conhecimento especulativo.
Tendo alcançado a fase de devoção, Maharaja Prthu perdeu interesse pelas práticas de jñana e yoga e abandonou-as. Esta é a fase de vida devocional pura, descrita por Rupa Gosvami:
anyabhilasita-sunyam
jñana-karmady-anavrtam
anukulyena krsnanu-
silanam bhaktir uttama

Verdadeiro jñana significa entender que a entidade viva é serva eterna do Senhor.


Este conhecimento alcança-se após muitos e muitos nascimentos, como se confirma no Bhagavad-gita (7.19): bahunam janmanam ante jñanavan mam prapadyate. Na fase de vida paramahamsa, compreende-se plenamente que Krsna é tudo: vasudevah sarvam iti as mahatma sudurlabhah. Quem compreende plenamente que Krsna é tudo e que a consciência de Krsna é a perfeição máxima da vida, torna-se um paramahamsa, ou mahatma. É muito raro encontrar semelhante mahatma ou paramahamsa. O paramahamsa, ou devoto puro, jamais se sente atraído por hatha-yoga ou por conhecimento especulativo. Ele está simplesmente interessado no imaculado serviço devocional ao Senhor. Às vezes, uma pessoa anteriormente viciada na prática desses processos tenta executar serviço devocional e as práticas de jñana e yoga ao mesmo tempo, mas, tão logo chegue à fase imaculada de serviço devocional, é capaz de abandonar todos os demais métodos de auto-realização. Em outras palavras, quando alguém compreende firmemente que Krsna é a meta suprema, já não sente atração pela prática de yoga mística ou pelos métodos de conhecimento especulativo e empírico.

Significados dados por Sua Divina Graça, A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.


Vosso servo
Prahladesh Dasa

Pranayama

Texto enviado por Pariksit Prabhu

O VERDADEIRO PROPÓSITO DA PRÁTICA DE PRANAYAMA E YOGA MÍSTICA

TRADUÇÃO
“Praticando assim rigorosas austeridades, aos poucos Maharaja Prthu tornou-se inabalável na vida espiritual e inteiramente livre de todos os desejos de atividades fruitivas. Praticou, também, exercícios respiratórios para controlar a mente e os sentidos, e, através desse controle, libertou-se por completo de todos os desejos de atividades fruitivas.”

SIGNIFICADO
A palavra pranayamaih é muito importante neste verso, porque os hatha-yogis e os astanga-yogis praticam pranayama, mas, de um modo geral, não lhe conhecem o propósito. O propósito de pranayama, ou yoga mística, é impedir a mente e os sentidos de ocuparem-se em atividades fruitivas. Os ditos yogis praticantes nos países ocidentais não fazem idéia disso. O objetivo de pranayama é adorar a Krsna, e não fortalecer o corpo e prepará-lo para o trabalho árduo. No verso anterior mencionou-se especificamente que todas as práticas de austeridades, pranayama e yoga mística realizadas por Prthu Maharaja tinham como objetivo a adoração a Krsna. Assim, Prthu Maharaja serve como perfeito exemplo também para os yogis. Tudo o que ele fez, fê-lo para satisfazer a Suprema Personalidade de Deus.
As mentes dos viciados em atividades fruitivas vivem cheias de desejos impuros. Atividades fruitivas são sintomáticas de nosso desejo poluído de dominar a natureza material. Enquanto continuemos sujeitos a desejos poluídos, somos obrigados a aceitar corpos materiais, um após o outro. Sem ter noção do verdadeiro objetivo da yoga, os ditos yogis praticam-na para manter a forma física. Assim, eles se ocupam em atividades fruitivas, o que os leva a desejar aceitar outro corpo. Eles não têm noção de que a meta última da vida é aproximar-se de Krsna. A fim de poupar semelhantes yogis de divagarem pelas diferentes espécies de vida, os sastras advertem que nesta era esta prática de yoga não passa de mera perda de tempo. O único meio de elevação é o cantar do maha-mantra Hare Krsna.
As atividades do rei Prthu ocorreram em Satya-yuga, mas, nesta nossa era, esta prática de yoga é mal interpretada por almas caídas sem capacidade de praticar nada. Conseqüentemente, os sastras prescrevem: kalau nasty eva nasty eva nasty eva gatir anyatha. A conclusão é que, se os karmis, os jnanis e os yogis não atingirem a plataforma do serviço devocional ao Senhor Krsna, suas ditas austeridades e yoga não terão valor. Naradhitah: se Hari, a Suprema Personalidade de Deus, não é adorado, não há por que praticar yoga meditativa, executar karma-yoga ou cultivar conhecimento empírico.

Quanto a pranayama, o cantar do santo nome do Senhor e o dançar em êxtase também são considerados pranayama.

No verso anterior, Sanat-kumara exortou Maharaja Prthu a ocupar-se constantemente a serviço do Senhor Supremo, Vasudeva:

yat pada-pankaja-palasa-vilasa-bhaktya
karmasayam grathitam udgrathayanti santah

Só quem adora Vasudeva pode libertar-se dos desejos de atividades fruitivas. Se não adorarem Vasudeva, os yogis e os jnanis não poderão libertar-se de tais desejos.

tadvan na rikta-matayo yatayo ‘pi ruddha-
sroto-ganas tam aranam bhaja vasudevam
(Bhag. 1.22.39)

nesta passagem, a palavra pranayama não se refere a nenhum motivo secreto. A verdadeira meta é fortalecer a mente e os sentidos para ocupá-los em serviço devocional. Na era atual, é muito fácil adquirir esta determinação: basta cantar os santos nomes – Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare.

Significados dados por sua Divina Graça A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Bolo Krsna Bhajo Krsna Koro Krsna Sikha

Para um Gaudiya Vaisnava só as instrucções de Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu contam:

Bolo Krsna Bhajo Krsna Koro Krsna Sikha

"Cante o Santo Nome de Krsna, sirva e adore Krsna, e aprenda acerca de Krsna dos Sastras Védicos." (Caitanya Bhagavata)

Sri Caitanya Mahaprabhu deu esta instrucção para todos, indiscriminadamente.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Sattva - Raja - Tama

Texto interessante por Krpamoya Prabhu:

Opinions, they say, are like belly-buttons. 

Everybody's got one.

You'd expect Vaishnavas to be articulate and forthright in their opinions wouldn't you? What you might not expect is just how many different opinions there can be from people who are all supposed to be following the same religion.

And every one of them you talk to will insist that his particular shade of understanding or that of his guru is the definitive conclusion of a particular matter and therefore not an opinion but TRUTH. If only being so convinced about something made it true; our existence in the universe would be a much easier thing. And running a religious movement would be a doddle.

Solipsists have it easy by comparison. They believe that there is only one conscious observer in the universe, and that's them. All else is illusion. Even relationships with their nearest and dearest are nothing but mental projections on the void. They never argue with anyone, they don't have to. The other person doesn't exist. It's a comforting philosophy I suppose, but they'll never have a good football team. And they will probably never have a movement of the size and diversity of our ISKCON.

Religions seem to be OK in the beginning when there's just the founder and a few listeners. One prophet or saint speaking on a mountain, a riverbank, or under a tree. Only one opinion, with no disputes or disagreements , easy. Its when there's a few followers that the problems start. And when followers actually try to work together to achieve something, that's the time to watch out. With philosophy, religion and politics, as everyone who's ever had a dinner party knows, it's so easy for feelings to escalate and to have heated conversations and disputes. And we certainly have a lot of philosophy, religion and politics in ISKCON.

Are we alone in this? Is ISKCON the only organisation where deeply held opinions over relatively minor points threaten to open up wide schisms? Of course not. Everybody's at it. This is the Age of Quarrel after all, so feeling that you are right and the other guy is definitely wrong comes as second nature.

But isn't ISKCON meant to be above all that stuff? Isn't this the revolutionary, peaceful movement meant to spiritualise human society and rise above the dissension of Kali Yuga? Oh yes.

And it would be so easy to do if arguing and having the satisfaction of being right wasn't so damned tempting.

What do devotees mainly disagree about? The same things as other religions do: Theology, Liturgy, and Governance. If you study religious movements and their growth, gradual splintering, weakening and extinction, you'll find they argued over these three things. These three subjects have fuelled the fires of controversy within each of the religions and kept them weakened for centuries. And if we're not careful it will keep the Vaishnavas going for many more.

Theology Who are we? What do we believe? Who is God? How do we interpret scripture? How is God's grace attained? Who is a saint? How do they behave?

Liturgy – How do we worship? What books do we read? Whose songs should we sing? What language shall we use in our rituals? What daily practises will the believers perform and to what level of discipline? How do we publicly recognise membership of our religion and at what stage?

Governance Who settles disputes on doctrinal issues? How and when do we assemble? How do we organise ourselves? Who leads us? How are leaders appointed? Who appoints them and how often? Who has a voice? Where does power reside? Who decides how money is apportioned?

Unity on these issues helped keep some religions relatively strong, whereas intractable disagreements rendered them weak or useless. Christianity, the fruit of just one preacher and a few early disciples two thousand years ago, has become a staggering 104 main denominations and 33,839 organisations, the majority of which have no working relationship with each other.

With reference to this tendency for even well-intentioned human beings to be so much less than divine, and in light of his spiritual master's mission dividing into factions, Srila Prabhupada said about ISKCON: "I am always afraid of this crack."

It is, naturally, in everyone's interest to keep the mission of Srila Prabhupada, ISKCON, as one international movement. Certainly it is part of his disciples' sacred duty to maintain what he gave us. He wanted it. In 1976 he wrote a letter reminding his disciples of the story of the king who had many sons. He asked them to break single twigs, and then asked them to try to break a bunch of twigs. By this he indicated that after his death, if the sons stayed together the kingdom would not be broken. 'United we stand, divided we fall.'

The founder of the Hare Krishna movement knew that his organisation would grow, and that it would ultimately attract millions of people of all persuasions and political shades. And he prayed that his most intelligent followers would not fall into dissent and party spirit, but act as a force for harmony and unity.

Otherwise, historians of the future will note that Srila Prabhupada was a great saint whose movement later fractured into schisms. He was afraid of that crack and so must we be. The solution? Tolerance. Always tolerance. And mutual understanding, negotiation, and compromise. Not over-reacting to differences of opinion but seeing how we can negotiate to an equitable solution whereby our most important service to our spiritual master gets done - and gets done together. Of course, we must not under-react either. There must be discipline within a movement such as ours, as well as organisation and intelligence.

We can celebrate our diversity only if we are acting in Sattva-guna. The influence of Raja-guna will cause us to identify with party spirit and to polarise us into rigid political camps. And Tama-guna will propel us into acrimonious campaigning against each other. We have a choice.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Mor Senapati Bhakta

Texto enviado por Krishna Maiy Devi Dasi

O Brahma-Vaivarta Purana, uma antiga escritura, descreve uma conversa que aconteceu em Dwaraka entre o Senhor Sri Krishna e Ganga devi. Falando em nome de todos os rios sagrados, Ganga devi expressou todo o seu temor com a chegada da Kali yuga (a Era das desavenças) e a eminente partida do Senhor de volta ao mundo espiritual. Ela disse: “Ó Senhor, podemos ver que Seus passatempos estão para terminar e que as pessoas estão ficando cada vez mais e mais materialistas. O Senhor tem sido muito misericordioso para conosco, no entanto, após Sua partida, todos os pecadores de Kali yuga virão se banhar em nossas águas e secaremos, tomadas pelas reações pecaminosas”.

Sorrindo, o Senhor Krishna respondeu: “Tenha paciência...daqui a cinco mil anos o Meu mantra upasaka (adorador do santo nome) vai aparecer neste mundo e difundir o canto do Meu santo nome em toda parte.

Não apenas em Bharata-varsa (Índia), mas em todo o mundo as pessoas cantarão HARE KRISHNA HARE KRISHNA KRISHNA KRISHNA HARE HARE / HARE RAMA HARE RAMA RAMA RAMA HARE HARE.

Através desse canto o mundo inteiro vai se tornar Hari-bhakta, devoto do Senhor Hari. E porque os devotos do Senhor Hari são muito puros, todos aqueles que tiverem contato com esses devotos irão se purificar das reações pecaminosas. Esses devotos puros irão visitar Bharata-varsa e purificá-la de todas as reações pecaminosas ao se banharem em suas águas sagradas. Esse período de se cantar HARE KRISHNA no mundo inteiro vai durar dez mil anos”.Esse mantra-upasaka é Srila Prabhupada. Ele próprio dizia frequentemente que haveria um período de dez mil anos, uma era dourada, dentro de Kali-yuga, quando todo o mundo seria consciente de Krishna.

Em outro livro, chamado Chaitanya-mangala, está dito que Narada Muni, enquanto visitava o mundo espiritual, chegou até o Senhor Gouranga. O Senhor lhe contou de Sua missão para destruir as atividades pecaminosas da era de Kali: “Com o machado poderoso do nama-sankirtana (o canto congregacional dos santos nomes de Deus), Eu vou cortar os duros nós dos desejos demoníacos dos corações de todos. Mesmo se os pecadores rejeitarem a religião ou fugirem para países estrangeiros, ainda assim eles vão obter a Minha misericórdia.

Eu mandarei Mor-senapati-bhakta para lá e dessa maneira vou liberá-los”. Mor significa “Meu”, senapati significa “comandante geral” e bhakta, “devoto”. Mor-senapati-bhakta refere-se, assim, ao devoto que vai liderar o exército do Senhor Chaitanya ou, em outras palavras, o devoto a quem o Senhor Chaitanya vai dotar de poder para difundir a consciência de Krishna em todo o mundo. Esse comandante do exército de sankirtana é Srila Prabhupada.Os shastras (escrituras sagradas) revelam a posição extraordinária de Srila Prabhupada como o acharya (aquele que ensina através do próprio exemplo) para a era dourada. Durante milhares de anos foram feitos preparativos para a chegada de Srila Prabhupada. O próprio Senhor Chaitanya teve um papel importante, arrumando e ajustando tudo, e os acharyas anteriores estiveram todos muito ocupados à medida que se aproximava a chegada de Srila Prabhupada.

Há uma analogia que explica, resumidamente, a posição de Srila Prabhupada, usando-se o exemplo do arco e flexa: as quatro curvaturas do arco representam as quatro sampradayas vaishnavas e Sri Chaitanya Mahaprabhu é corda que as une. Sem a corda o arco fica inútil. O Senhor Chaitanya veio e esticou a corda.

Por fim, era necessária uma flecha, junto com a mira apropriada para atirá-la. De um modo geral, uma flecha tem penas em suas extremidades, que ajudam a direcioná-la. Neste caso, os seis Goswamis representam as penas. A haste da flecha é a Gaudya Matha, com seus 64 templos estabelecidos por Srila Bhaktisidhanta Sarasvati Maharaja. O último elemento é a ponta afiada. Essa ponta é Om Vishnupada Paramahamsa Parivrajakacharya Asttotara-sata Sri Srimad Abhay Charanaravindam Bhaktivedanta Swami Prabhupada.

Essa é parte da flecha que perfura o alvo e alcança a meta. Essa meta são todas as vilas e cidades. Srila Prabhupada fundou a ISKCON (International Society for Krishna Counciousness).

Ele fez o trabalho de base, é o fundador-acharya e devemos compreender essa sua posição. Alguns ou talvez todos os problemas que surgiram em nosso movimento depois que Srila Prabhupada partiu têm sua origem em não compreendermos corretamente essa posição do fundador-acharya. Uma escritura da Sri-sampradaya chamada Prapannamata Tapana explica que um fundador-acharya é conhecido por cinco sintomas.

Primeiro, ele é udarikah, que quer dizer que ele é o salvador de todos.

O Prapannamata Tapana continua e explica que aqueles que aparecerem após o fundador-acharya na sucessão discipular, que agem como mestres espirituais, são uparika, seus ajudantes. Eles nunca devem ser igualados ao fundador-acharya, mesmo após centenas de gerações.

Segundo, ele é dinabhayah. Dinah quer dizer “muito caído”, e abhaya quer dizer “destemido”. O fundador-acharya remove o medo de todas as almas caídas através de seus ensinamentos, cuja natureza é fazer com que todos, em toda a parte, que se abrigarem nele serão destemidos.

Terceiro, ele dá significado às escrituras realçando o sidhanta vaishnava, tais como o Bhagavad-gita e o Srimad Bhagavatam, e os torna disponíveis no mundo na forma de maha-granta, ou grandes livros.

Quarto, ele também dá significados às canções dos acharyas vaishnavas.

Quinto
, seu nome fica identificado com a filosofia do próprio Senhor Vishnu.

A posição de Srila Prabhupada como fundador-acharya da ISKCON corresponde exatamente à essa antiga definição de fundador-acharya. Estabelecer uma relação com um mestre espiritual na linha de Srila Prabhupada significa, antes de mais nada, estabelecer uma relação com Prabhupada como fundador-acharya. No mundo de hoje, especialmente na Índia, o título de yuga-acharya é disputado por muitos. Yuga-acharya quer dizer o “acharya para esta era”. Naturalmente, parece que se aplica bem a Srila Prabhupada. No entanto, se considerarmos o futuro brilhante que espera o movimento para a consciência de Krishna, de acordo com as predições das escrituras, devemos ver o título de fundador-acharya da ISKCON como o mais apropriado para Srila Prabhupada. A era atual é apenas o começo para a ISKCON.

A sociedade tem apenas 30 anos de idade, e o nosso universo da ISKCON não é tão vasto, mas à medida que a ISKCON continuar crescendo nas próximas centenas e milhares de anos e o movimento de sankirtana alcançar todas as vilas e cidades, a fama de Srila Prabhupada como fundador-acharya da ISKCON vai prevalecer por todo o mundo. Os vaishnavas são famosos como para-duhkha-duhkhi. À medida que a pregação aumentar, a fama de Srila Prabhupada vai aumentar ilimitadamente.

Por Sua Santidade Lokanatha Swami

Vosso servo
Prahladesh Dasa

terça-feira, 19 de junho de 2007

Srila Veda Vyasa

Parte da oferenda de Srila Prabhupada no dia do Aparecimento de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur na Gaudiya Matha em Bombaim, fevereiro de 1936:

"O conhecimento que recebemos de nosso Gurudeva não é diferente daquele comunicado pelo próprio Deus e pela sucessão dos Acaryas na linha preceptoral de Brahma.
Adoramos este dia auspicioso como Sri Vyasa Puja Tithi, porque o Acarya é o representante vivo de Vyasadeva, o divino compilador dos Vedas, Puranas, Bhagavad Gita, Mahabharata e Srimad Bhagavatam.


Cavalheiros, nosso conhecimento é tão pobre, nossos sentidos são tão imperfeitos e nossas fontes são limitadas que não é possível termos um pouco sequer de conhecimento da região absoluta sem nos rendermos aos pés de lótus de Sri Vyasadeva ou seu representante fidedigno.
A cada momento estamos sendo enganados pelo conhecimento de nossa percepção direta.
Tudo não passa de criação ou invenção da mente, que é sempre enganadora, mutante e oscilante.
Nada podemos conhecer a respeito da região transcendental através de nosso método limitado e pervertido de observação e experimentação.

Mas todos nós podemos ouvir com ávida atenção o som transcendental transmitido daquela região para esta através do meio inadulterado de Sri Gurudeva ou Sri Vyasadeva.

Portanto, cavalheiros devemos nos render hoje aos pés do representante de Sri Vyasadeva para eliminarmos todas as nossa divergências geradas por nossa atitude insubmissa.

Desta maneira está dito no Sri Gita 4.34:

tad viddhi pranipatena
pariprasnena sevaya
upadeksyanti te jnanam
jnaninas tattva darsinah

"Aproxima-te apenas do sábio e fidedigno mestre espiritual. Primeiramente rende-te a ele e tenta entendê-lo através de indagações e serviço. Este sábio mestre espiritual iluminart-te-á com conhecimento transcendental, pois ele já conhece a Verdade Absoluta."

Para recebermos conhecimento transcendental, devemos nos render completamente ao verdadeira Acarya em espirito de indagação e serviço ardentes.
Real execução de serviço ao Absoluto sob a orientação do Acarya é o único veículo pelo qual podemos assimilar o conhecimento transcendental.

O encontro de hoje para oferecermos nossos humildes serviços e homenagens aos pés do Acaryadeva possibilitará que sejamos agraciados com capacidade de assimilar o conhecimento transcendental tão bondosamente transmitido por ele a todas as pessoas, sem distinção."

Srila Prabhupada Ki Jaya!!!


Vosso servo
Prahladesh Dasa

A Grandeza do Srimad Bhagavatam

THE GREATNESS OF SRIMAD BHAGAVATAM

After compiling the Vedic Literatures, Purana, etc., Vyasa Deva was still feeling unsatisfied. While thinking in this way Narada Muni reached the cottage of Vyasa Deva and was asked about the cause of dissatisfaction. Narada Muni explained that because he (Vyasa Deva) did not directly describe Krsna's pastimes, and instead gave a license to enjoy sense gratification under religious principles, he was remaining unsatisfied. Narada then instructed Vyasa Deva in the (Catur Sloka – Srimad Bhagavatam) the essence of the Veda. Vyasa Deva took these four verses and expanded them to compile the Srimad Bhagavatam, which

is known as the ripened fruit of Vedic literature because it directly describes Krsna's transcendental pastimes.

Conhecimento é a solução...

Texto enviado por Anadi Devi dasi

Trecho extraído do livro: ( Ensinamentos de Pabhupada - soluções para uma Era de Ferro)

tad viddhi pranipātena
paripraśnena sevayā
upadeksyanti te jñānam
jñāninas tattva-darśinah

" Esforça-te para aprender a verdade aproximando- se simplesmente de um mestre espiritual. Indaga dele submissamente e presta-lhe serviço. A alma realizada pode dar-te conhecimento porque viu a verdade". ( Bhagavad-gita 4.34)

Conhecimento é a solução. E para obter conhecimento, devemos dirigir-nos à pessoa certa, o tattva-darśi ( significa "aquele que realmente viu ou percebeu a Verdade Absoluta"). A menos que encontremos essa pessoa - alguém que tenha experimentado o que vem a ser a Verdade Absoluta - há pouquíssima oportunidade de avançarmos espiritualmente. "

Palavras de sua Santidade Srila Prabhupada.


da pretensa serva dos servos,
Anādi dd

Sri Nama Bhajana

"O nome de Krsna nos lábios do Supremo Senhor (Sri Caitanya) teve o poder de fazer todas as pessoas, que ouviram isto, realizar a verdade que haviam ouvido das escrituras. Esta foi uma experiência maravilhosa.

Nesta era de ferro somente o santo nome de Krsna que aparece nos lábios de um Sadhu autêntico pode levar a alma condicionada ao plano do absoluto.
É um facto que mesmo as escrituras descrevem algo da Personalidade de Deus. O mero estudo das escrituras não proporciona uma experiência plena do Absoluto como uma entidade.
O nome de Krsna tem o poder de por a pessoa no plano Absoluto e preencher as palavras das escrituras reveladas com o seu significado vivo. (Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur)

Aqui o Acarya recomenda o estudo das Escrituras conjuntamente com o cantar do Santo Nome.

Tanto o Santo Nome como as Sagradas Escrituras(Srimad Bhagavatam), são Bhagavata Marga.
Na alma condicionada, o Santo Nome dá vida as Sagradas Escrituras e as Sagradas Escrituras auxiliam a realizar o Santo Nome.

krsna mantra haite habe samsara mocana
krsna nama haite pabe krsnera carana

"Simplesmente por cantar o santo nome de Krsna uma pessoa pode alcançar a liberação da existência material. Na verdade, simplesmente por cantar o Maha Mantra Hare Krsna uma pessoa poderá ver os pés de lótus do Senhor."
Cc Adi 7.73

O Maha Mantra Hare Krsna é perfeito, independente e completamente puro.
Não requer nenhum Samskara ou iniciação para ser efetivo.
Qualquer pessoa pode cantar este Mantra sendo qualificada ou não.
Existe um poder ilimitado no Maha Mantra Hare Krsna.
Mesmo sem um Guru, iniciação, Sadhu Sanga ou qualquer outra coisa pode-se alcançar Krsna Prema por cantar Hare Krsna.
Por ter fé em Deus, Sadhu Sanga e pureza no coração que foram adquiridos em vidas prévias, uma pessoa pode alcançar Krsna Prema simplesmente por sentar-se e cantar Hare Krsna.

No entanto, tal pessoa pode ser uma em milhões.
Geralmente, devido a ignorância, Aparadhas, Anarthas, impureza mental e uma severa falta de fé é preciso receber treinamento, encorajamento e a associação com devotos avançados para alcançar a perfeição no cantar de Hare Krsna.

Das sessenta e quatro formas de serviço devocional, Srila Rupa Goswami diz que nove (sravanam, kirtanam, samaranam,etc) são as mais importantes.
Então ele diz que cinco destas são mais importantes,

"O poder destes cinco princípios é maravilhoso e difícil de reconciliar.
Mesmo sem fé nestes princípios, uma pessoa que não é ofensiva pode experimentar o amor adormecido por Krsna simplesmente por conectar-se um pouco com eles."
Cc Madhya 22.133 citando o Bhakti Rasamrta Sindhu)


Então, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur diz que estes cinco apontam para um; nomeadamente o cantar dos Santos Nomes de Krsna.

Após cuidadosa consideração, conclui-se que Sri Nama Bhajana é a raiz de todos os outros.
1 - Sadhu Sanga - Associar-se com devotos é recomendado para criar um gosto por Sri Nama Bhajana.

2 - Bhagavata Sravana - Ouvir o Srimad Bhagavatam o qual declara que Sri Nama Bhajana é a maior de todas as virtudes.
No começo, meio e fim, o Srimad Bhagavatam repetidamente enfatiza a efiácia de Sri Nama Bhajana.

3 - Mathura Vasa - Sri Nama Bhajana esta enraizado tanto em Vrndavana como Sri Dhama Mayapur.

4 - Sri Murti Seva - O Hari Bhakti Vilas e Srila Jiva Goswami declaram que o serviço à Deidade deve ser acompanhado do Maha Mantra Hare Krsna para ser efetivo.

5 - Nama Sankirtana - Cantar os Santos Nomes.

O Bhakti Sandharba diz que nenhuma forma de Bhakti é completa sem Sri Krsna Nama Sankirtana.

O Santo Nome dá vida a estas práticas e estas formas de Bhakti auxiliam o devoto a mais facilmente experimentar o néctar do Santo Nome e auxiliam a saborear um gosto particular pela doçura do Santo Nome.

"Se por cantar o Maha Mantra Hare Krsna pode-se alcançar amor à Deus, então alguém pode perguntar qual a necessidade de Diksa." Srimad Bhagavatam 7.5.23-24
"Pode-se perguntar qual a necessidade de iniciação ou outras actividades espirituais em serviço devocional para alguém que ocupa-se em cantar o Santo Nome do Senhor."
Cc Adi 7.77

Srila Prabhupada responde:
"A resposta é que embora seja correto que uma pessoa plenamente ocupada em cantar o Santo Nome não dependa de iniciação, geralmente o devoto é apegado a muitos hábitos materiais abomináveis devido a contaminação material de vidas passadas."Cc Adi 7.77

"As vezes devotos neófitos pensam que podem continuar com o processo de Sravana Kirtana sem adorar a Deidade, mas a execução de Sravana Kirtana está destinada para devotos muito desenvolvidos como Haridas Thakur, o qual ocupava-se em Sravana Kirtana sem adorar a Deidade.
No entanto, não devemos falsamente imitar Haridas Thakur e abandonar a adoração a Deidade para simplesmente ocupar-se em Sravana Kirtana."
Cc Madhya 19.152

O Maha Mantra Hare Krsna, os Diksa Mantras, Mathura Vasa, Sadhu Sanga, Sri Murti Seva e Bhagavat Sravana (Srimad Bhagavatam) trabalham todos juntos para ajudar o devoto a rapidamente alcançar a perfeição.

Srila Bhaktivinoda Thakur conclui no Mahaprabhura Siksa:
pancange sad-dhiyam anvaya-sukrti-matam sat-krpaika-prabhavat
raga-praptesta-dasye vraja-jana-vihite jayate laulyam addha
vedatita hi bhaktir bhavati tad-anuga krsna- sevaika-rupa
ksipram pritir visuddha samudayati taya gaura-siksaiva gudha


"Os cinco Angas são servir a Deidade, saborear o significado do Srimad Bhagavatam com os devotos exaltados, associar-se com devotos elevados em Raga Marga, cantar o Santo Nome e viver em Mathura.
Por praticar estes cinco ítens com um coração sem ofensas, alcança-se misericórdia.
Através desta misericórdia surge o desejo de servir o habitantes de Vraja que são impelidos por Raga.
Deste desejo, aparece Raganuga Sadhana Bhakti, o qual transcende as injunções escriturais e serve Krsna exclusivamente no humor de afeição dos Vrajavasis.
Por praticar esta Bhakti (Sadhana), muito em breve, o puro, e exclusivo Priti (Kevala Prema) por Krsna se manifesta.

Este é o caminho esotérico ensinado por Sri Krsna Caitanya Mahaprabhu."

É interessante observar que depois que este Kevala Prema (Bhakti exclusiva) se manifesta, Bhagavad Jnana "concretiza-se" e o cantar do Santo Nome fica em "segundo plano".
SS Mahanidhi Swami explica este ponto:
"Cantar o Santo Nome é a função eterna da alma.
No mundo material, cantar Hare Krsna é o serviço principal para purificação e avanço espiritual.
Tudo o mais auxilia e suporta o serviço principal de cantar Hare Krsna.
Porém, quando um devoto volta ao mundo espiritual o cantar do Santo Nome fica como um plano de fundo (background), e a função de executar outros serviços para satisfazer Radha e Krsna ficam em primeiro plano (foreground).
Ao entrar na morada de Krsna, o devoto recebe um serviço particular que irá executar para Radha-Govinda, e isto será distinto e mais importante.
Nesta altura, o Santo Nome fica como plano de fundo (background) ajudando e energizando.
Por exemplo, quando as Gopis estáo batendo a coalhada fresca para fazer manteiga para Krsna, elas simultaneamente cantam Suas glórias enquanto marcam o compasso com seus braceletes e sinos de cintura."


Vosso servo
Prahladesh Dasa

Bibliografia:
Gayatri Mahima Madhuri, SS Mahanidhi Swami,1998. Páginas 42-50.
Mahaprabhura Siksa: Os Ensinamentos de Caitanya Mahaprabhu, Srila Bhaktivinoda Thakur (on-line)
Pancaratra Pradipa, 1994. ISKCON GBC Press. Páginas 11-14.
Apreciando Sri Navadvipa Dhama, SS Mahanidhi Swami, 1996. Páginas 169-170.

Conhecimento, a maior conquista neste mundo material

Texto enviado por Pariksit Prabhu

CONHECIMENTO, A MAIOR CONQUISTA NESTE MUNDO MATERIAL.

“Neste mundo material, existem diferentes espécies de conquistas, mas entre todas elas, a conquista do conhecimento é considerada a mais elevada, porque só é possível atravessar o oceano de ignorância no barco do conhecimento. Caso contrário, o oceano não pode ser transposto.” Srimad Bhagavatam 4.24.75

Na verdade, todos estão sofrendo neste mundo material devido à ignorância. Todo dia, observamos como pessoas sem conhecimento cometem atos criminosos e mais tarde são presas e punidas, apesar do fato de que talvez não estejam realmente conscientes de suas atividades pecaminosas. Essa ignorância prevalece em todo o mundo. As pessoas não consideram como estão arriscando suas vidas na tentativa de praticar vida sexual ilícita, de matar animais para satisfazer suas línguas, de intoxicar-se e de jogar. É muito lamentável que os líderes do mundo não tenham noção dos efeitos dessas atividades pecaminosas. Ao invés disso, eles aceitam as coisas de maneira muito barata e estão sendo exitosos em fazer o oceano de ignorância ficar cada vez maior.
Em oposição a essa ignorância, o conhecimento pleno é a maior conquista neste mundo material. Podemos ver na prática que quem tem conhecimento suficiente escapa de muitas armadilhas perigosas na vida. Como se afirma no Bhagavad-gita (7.19), bahunam janmanam ante jñanavan mam prapadyate: “Quando alguém realmente se torna um sábio, ele rende-se à Suprema Personalidade de Deus.” Vasudevah sarvam iti sa mahatma sudurlabhah: “É muito difícil encontrar uma grande alma assim.”
Os membros deste movimento para a consciência de Krsna estão determinados a abrir os olhos dos ditos líderes, que estão cheios de ignorância, e deste modo salvá-los de muitas armadilhas e perigosas condições de vida. O maior perigo é o perigo de obter um corpo inferior ao de um ser humano. Foi com muita dificuldade que obtivemos esta forma humana de vida simplesmente para tirar proveito deste corpo e restabelecer nossa relação com a Suprema Personalidade de Deus, Govinda. O Senhor Siva avisa, entretanto, que aqueles que se aproveitarem de suas orações, mui brevemente tornar-se-ão devotos do Senhor Vasudeva e assim serão capazes de atravessar o oceano de ignorância e aperfeiçoar suas vidas.


Significados dados por Sua Divina Graça A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Sri Krsnahnika Kaumudi


Sobre o autor do Krsnahnika Kaumudi, Srila Kavi Karnapura:
"Quando Sivananda Sena apresentou a criança a Sri Caitanya Mahaprabhu, o Senhor colocou o dedo de Seu pé na boca da criança." Cc Antya 12.45-50
"Num outro dia, quando Sri Caitanya Mahaprabhu disse para o menino, "Recite, Meu querido Puridasa", o menino (Kavi Karnapura) compôs o seguinte verso e expressou na frente de todos:
sravasoh kuvalayam aksnor anjanam
uraso mahendra-mani-dama
vrndavana-ramaninam mandanam
akhilam harir jayati

"Sri Krsna é a flor de lótus azul na orelha das gopis, o unguento dos seus olhos, a safira azul nos seus seios e todos os seus ornamentos.
Possa este Sri Hari ser sempre glorificado."
Cc Antya 16.74

"Embora o menino tivesse somente sete anos e não tivesse nenhuma formação, ele compôs este belo verso.
Todos ficaram maravilhados com este feito."
Cc Antya 15.75

Todos concluiram que porque ele havia sugado o dedo do pé de Mahaprabhu tinha recebido uma potência especial, devido a que milagres facilmente manifestam-se pela misericórdia do Senhor.
Em resposta a recitação do menino, Sri Caitanya Mahaprabhu disse:
"Minha querida criança! Como um grande poeta (Kavi) você tão belamente descreveu os ornamentos nas orelhas (Karna) das Vraja Gopis.
A partir de hoje serás conhecido como Kavi Karnapura."

Sri Krsnahnika Kaumudi
O famoso historiador Gaudiya Vaisnava, Sri Haridas Das, em seu "Vaisnava Abhidana" diz:
"Krsnahnika Kaumudi é um livro destinado a Smarana Bhajana.
Este livro dá um claro entendimento sobre Visuddha Bhajana Pantha, o caminho do serviço devocional puro.
Este livro ensina o Sadhaka como alcançar Prema Bhakti, e como executar Prema Seva para Mahabhava Svarupini Sri Radhika e Rasaraja Svarupa Sri Krsna.
Krsnahnika Kaumudi descreve como apropriadamente lembrar o Asta Kaliya Lila de Radha Madhava, os oito passatempos diários.
O propósito principal de Srila Kavi Karnapura ao escrever este livro é expandir Lila Rasa, e ajudar Sadhakas sérios a avançar no caminho de Bhakti.
Um Sadhaka afortunado definitivamente alcançará a perfeição por ocupar seus dias e noites relembrando os passatempos belamente descritos neste Parama Lila Grantha, Krsnahnika Kaumudi."

Narottama dasa Thakur diz no Prema Bhakti Candrika verso 60:
"Que eu esteja firmemente apegado aos livros afetuosamente deixados pelos devotos puros da minha tradição (Gaudiya Sampradaya), os quais estão realizados em Krsna Bhakti Rasa."
Srila Visvanatha Cakravarti Thakur comenta sobre este verso:
"Que eu possa estar sempre apegado aos tópicos amorosos acerca de Krsna Bhakti Rasa compostos pelos realizados Premi Bhaktas."

Um devoto sensível irá despertar uma profunda atracção pelos extáticos passatempos transcendentais de Radha Syama por regularmente ler estes livros.
Gradualmente o coração irá derreter-se e o devoto irá despertar seu amor pelo Senhor de Vrndavana.
Srila Krsna Dasa Kaviraja Goswami confirma isto no Phala Sruti (verso de benção aos leitores) do Sri Caitanya Caritamrta:

"Se alguém não entende o Sri Caitanya Caritamrta no começo, mas continua a ovir uma e outra vez, o maravilhoso efeito dos passatempos do Senhor Caitanya irá trazer amor por Krsna.
Gradualmente entenderá as trocas amorosas entre Krsna e as Gopis e os outros associados de Vrndavana.
Todos são aconselhados a ouvir vezes e vezes sem conta para seu próprio benefício." 
Cc Madhya 2.87

"A conclusão é que por continuamente ler escrituras plenas de néctar transcendental como o Krsnahnika Kaumudi, escrita por um Krsna Premi Bhakta como Srila Kavi Karnapura, rapidamente pode-se alcançar o serviço amoroso eterno a Radha Syama na Sua bem aventurada morada, Sri Vrndava Dhama. 
Possam todos os leitores esquecer para sempre o mundo de escuridão e absorverem suas mentes e corações na luz brilhante da flor de lótus branca dos passatempos eternos de êxtase de Sri Krsna (Krsnahnika Kaumudi)." (SS Mahanidhi Swami) 
Madhyana Lila
Desportos Aquáticos na Floresta chamada "O Desfrute de Verão"
"Testemunhem a grandeza dos desportos aquáticos de Krsna!!!
Krsna liberou as Gopis pelos Seus desportos aquáticos. 
Durante Seus desportos aquáticos Krsna partiu os colares das Gopis. (Significado interno: guna nasa, os três modos da natureza foram destruídos),
as tranças das Gopis foram desfeitas. (Significado interno: foram liberadas do cativeiro).
Os lábios das Gopis perderam a cor. (Significado interno: o apego material foi conquistado).
Os braceletes das Gopis pararam de tocar (Significado interno: pararam de falar palavras materiais).
Os cintos das Gopis soltaram-se (Significado interno: elas tornaram-se liberadas).

Algumas Gopis abandonaram o jogo mais cedo.
Após banharem-se, secarem-se e vestirem-se elas foram na frente para um pequeno bosque decorado em volta do Radha Kunda e esperaram para servir Radha Madhava.

Vestindo Radha Govinda
As Gopis que abandonaram o Kunda mais cedo agora serviam Radha e Krsna de diferentes maneiras no pequeno bosque repleto do murmúrio de abelhas.
Algumas Gopis ansiosas para servir o Casal Divino ficaram na parte de fora e espreitavam para dentro do bosque.

Elas pacientemente esperavam para oferecer seus ornamentos e roupas que foram preparadas especialmente para a época do verão.
Madhumati Sakhi, e Indumati removiam com uma toalha muito fina a água do cabelo de Srimati Radhika.
Madhuri Sakhi, Madhurika e Manimala secavam os membros de Sri Radha enquanto Madhavi Sakhi, Manimati e Sasilekha traziam ornamentos e roupas.
Lalita Sakhi, Visakha, Syamala, Kaumudi, Kumudini e Madalekha também executavam diferentes serviços para Vrsabhanunandini, cujo maravilhoso corpo dourado derrotava o brilho de um grupo de relâmpagos luminosos.

Dois grupos de Sakhis ajudavam-se mutuamente para arranjarem-se elas mesmas e então aproximaram-se ansiosamente de Krsna.
Com a intenção de vestir Krsna com ornamentos e roupas que são adequadas para o verão, Radha, com o Seu coração cheio de amor, caminhou em direcção a Krsna e abraçou-O.
Enquanto Radha amarrava o cabelo de Krsna com um nó no topo da Sua cabeça, Ela inclinou-se e beijou a testa de Krsna.
Então Radhika fixou uma excelente coroa de pétalas de Mallika na cabeça de Krsna.
Cobriu Seu corpo com água de sândalo fresca misturada com cânfora.
Colocou-Lhe um guirlanda de flores Mallika, e decorou-O com pulseiras, braceletes e brincos repletos de jóias.
Ao Srimati Radharani colocar tornozeleiras em Krsna, os dedos de Seus pés pareciam mais brilhantes do que a Lua.
Radha usou pasta de sândalo para colocar Tilaka na testa de Krsna na forma de Lua crescente.
Então Radha colocou um Chaddar fino amarelo nos ombros de Krsna."

Srila Kavi Karnapura conclui este capítulo:
"O Divino Casal é perito em todos os tipos de artes.
No sacrifício de Cupido Radha Govinda conhecem os diferentes movimentos e procedimentos.
Ambos estão muito apegados as auspiciosas qualidades um do outro e ambos alcançam os desejos de Seus corações.

Mas o tempo passou e Eles não podem mais jogar!!!

Eles são obrigados a abandonar o jogo sem terminá-lo.
Vendo que o dia passou, Radha de olhos de lótus devolve a flauta de Krsna e Sri Krsna, a alma de todas as almas, devolve a Radha Seu colar.
Então Vrnda e todas as Gopis, com muita dor pela separação, tristemente retornam a seus lares."

Vosso servo
Prahladesh Dasa