quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Arati


Srila Rupa Gosvami, um dos principais seguidores de Sri Caitanya Mahaprabhu cuja linha do vaishnavismo nós seguimos no Movimento Hare Krishna, listou 5 como principais dentre as 64 atividades do serviço devocional, ou bhakti-yoga:

1. ouvir (ou ler) o Srimad Bhagavatam (Bhagavata Purana);

2. se associar (ou conviver) com os praticantes de bhakti-yoga;

3. viver em um local sagrado;

4. cantar os santos nomes do Senhor (Hare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare, Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare); e

5. adoração à forma de Deidade do Senhor com grande fé.

Em referência à adoração às Deidades, como sabemos como fazê-la? Os vaishnavas, ou devotos e devotas de Krishna, aceitam 108 textos chamados Pancaratra como autoridades em relação à iniciação, deveres diários, adoração às Deidades, conduta, caráter, instalação das Deidades e construção dos templos. Srila Sanatana Gosvami e Srila Gopala Bhatta Gosvami, sob as instruções de Sri Caitanya Mahaprabhu, compilaram um livro com o padrão vaishnava chamado Hari-bhakti- vilasa, baseado no Pancaratra e diversos outros textos.

Assim, todo seguidor fidedigno do Senhor Caitanya aceita o Hari-bhakti- vilasa como a autoridade no que diz respeito a arcana, ou adoração às Deidades. Nele existem 64 itens de adoração (upacaras) para serem oferecidos no decorrer do dia, dentre esses constam todos os itens do arati; de fato, o próprio arati é o quarto item de adoração.Portanto, tudo que se refere a esse processo está ali, no Hari-bhakti- vilasa, inclusive o significado, procedimento e descrição da cerimônia de arati, no qual se usa o prato de adoração.

O arati, por sua vez, é de grade benefício espiritual tanto para quem o oferece como para quem apenas o observa, como Srila Prabhupada enfatiza no livro Néctar da Devoção (capítulo 9): "No Skanda Purana, há a seguinte descrição do resultado de observar o arati à Deidade: 'Se uma pessoa vê o rosto do Senhor enquanto o arati está sendo feito, ela pode ser eximida de todas as reações pecaminosas originadas desde milhares e milhares de milhões de anos. Ela pode até ser liberada das reações pela morte de um brahmana [sacerdote] ou ações pecaminosas semelhantes' ."

O arati também é chamado nirajana or drishti, o que denota o auspicioso (benéfico, de bom agouro, favorável) movimento circular de itens perante uma pessoa de forma a repelir influências e elementos inauspiciosos, como uma forma de proteção. Os vários itens oferecidos, todos representantes dos elementos materiais em sua forma pura e dos objetos dos sentidos correspondentes (isto é, o som, a forma, o toque etc.), são auspiciosos e purificadores. Portanto, todas as cerimônias de arati oferecidas ao Senhor são auspiciosas (mangala), mas o primiro arati do dia, cedo na madrugada (4:30), é considerado particularmente auspicioso para todos os participantes.

O arati, assim, representa uma cerimônia de recepção a um hóspede ou visita de pessao honrosa. O Senhor Krishna, por sua misericórdia sem causa, não só se manifesta na forma da Deidade, não diferente de Sua forma pessoal eterna e transcendental, mas permite que O recebamos em diferentes momentos do dia, como Pessoa importante que é, ou seja, a Suprema Pessoa. Dessa forma, os itens oferecidos durante o arati fazem parte de um procedimento de recepção da tradição milenar védica e é até hoje praticada com hóspedes e visitas honrosas nas casas de muitas regiões da Índia, senão do mundo (pelos seguidores da cultura védica, como no Movimento Hare Krishna).

p/Gitamrta Devi Dasi (HDG)

Tirobhava Mahotsava de Srila Prabhupada


Dia 1 de Novembro – Desaparecimento de Srila Prabhupada

Mensagem de Lilananda Prabhu
escrita em 2006

Queridos devotos e devotas:

Por favor aceitem minhas humildes reverências. Todas as glórias a Srila Prabhupada.

O desaparecimento de Srila Prabhupada foi um dia marcante para todos os seus seguidores em 1977.

Naquela época eu morava em Nova Ayodhya, uma fazenda que tínhamos em Petrópolis, no Rio. Naqueles dias não havia fax, ou e-mail, e na nossa humilde fazenda, não tínhamos eletricidade ou telefone. Assim sendo, as notícias sobre a saúde de Srila Prabhupada chegavam aos nossos ouvidos com bastante atraso. Quando alguém trazia notícias de Srila Prabhupada, a meia dúzia de devotos e devotas ali vivendo, rodeavam tal pessoa como se fossem abelhas em volta de um pote de mel.

Meu serviço para a comunidade era ir ao Rio fazer sankirtan duas ou três vezes por semana. Todos sabíamos que Srila Prabhupada não estava bem de saúde, porém, de modo geral pensávamos que era um passatempo e que ele iria melhorar e continuar viajando pelo mundo e pregando, e possivelmente viria ao Brasil. Eu não lembro de nenhum devoto que acreditava que Srila Prabhupada de repente iria deixar o corpo. Talvez estivessemos negando a realidade, quem sabe por apego ao nosso mestre eterno, mas de uma forma ou de outra, não acreditávamos que Srila Prabhupada não estaria conosco no dia de amanhã.

Num destes dias de sankirtan, quando entrei num ônibus perto da Rodoviária Central do Rio, vi a foto de Srila Prabhupada na capa de um jornal que um senhor estava lendo. Ainda me lembro exatamente daquela foto.

Naquele momento não foi possível ler a notícia, mas assim que desci do ônibus encontrei o mesmo jornal jogado no calçada bem na minha frente. O jornal dizia algo assim: "Mestre dos Hare Krishnas morreu ontem na Índia". Eu fiquei completamente chocado e sem saber o que fazer. Voltei imediatamente para Nova Ayodhya para das às notícias aos outros devotos.

Ninguém sabia o que fazer e nos sentíamos como se um guarda sol que nos tinha protegido dos raios intensos de maya de repente foi tirado da nossa cabeça e agora estávamos ali, sem saber o que fazer. Todos tínhamos ouvido que a associação com as instruções do mestre espiritual é mais importante do que sua associação física. Porém, esta realização na consciência era muita mais difícil do que escrita no papel. Lembro-me dos devotos falando o seguinte verso numa tentativa de consolar uns aos outros. Fazíamos kirtans, contávamos os poucos passatempos que sabíamos sobre Srila Prabhupada, especulávamos sobre o futuro da ISKCON, e chorávamos e chorávamos.

"Engana-se quem afirma que um Vaishnava morre, Quando ele está ainda vivendo no som!
O Vaishnava morre para viver, e vivendo dedica-se a espalhar os santos nomes por toda a parte.”
Escrito por Srila Bhaktivinoda Thakur
Tradução: Cortesia de Mataji Gitamrta Devi Dasi

Aquela personalidade mais magnânima que nos tirou das garras de maya, que plantou no nosso coração a semente de bhakti, que nos ensinou sobre o verdadeiro objetivo da vida e o significado real da palavra amor, de repente partiu. Assim como ele apareceu na nossa vida tão subitamente, da mesma partiu, seguindo sua própria vontade, que nunca foi diferente da vontade de Krishna e de seu mestre espiritual. Porém, ele é um mestre tão misericordioso que nos deixou uma grande herança:

1 - livros
2 - templos
3 - Deidades e o sistema de adoração
4 - suas aulas
5 - suas conversas com devotos e pessoas em geral
6 - comunidades e protecao às vacas
7 - escolas
8 - restaurantes
10 - suas instruções para vários devotos e devotas
11 - seu testamento
12 - suas cartas

E além de tudo, a lembrança de sua determinação e devoção incansáveis no serviço a seu mestre espiritual e seu exemplo perfeito como o Fundador Acarya da ISKCON.

Seu servo e amigo,

Lilananda dasa

Fim da citação.

Srila A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada Ki Jaya !!!
ISKCON Samstapaka Acarya Srila Abhay Caranaravinda Bhaktivedanta Swami Srila Prabhupada Tirobhava Mahotsava Ki Jaya !!!

Vosso servo
Prahladesh Dasa

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Memorial para Sudama

Queridos Prabhus e Prabhvis, por favor, aceitem minhas mais humildes e respeitosas reverências.
Srila Prabhupada Ki Jaya !!!

O maravilhoso e inspirador depoimento de Omkara Prabhvi (ao tratar do amado discípulo de Srila Prabhupada, Sudama Prabhu com AIDS) e outros Vaisnavas em:

http://www.dandavats.com/?p=6198

Um pequeno trecho:

SB 1.5.19
"Meu caro Vyasa, embora um devoto do Senhor Krsna às vezes caia, de uma forma ou de outra, ele certamente não fica sujeito à existência material como os outros (trabalhadores fruitivos e demais), porque uma pessoa que tenha uma vez saboreado o gosto dos pés de lótus do Senhor não pode fazer nada além de se lembrar repetidamente daquele êxtase."

Significado por Srila Prabhupada
"...Certamente muitos exemplos de devotos há que caíram devido as más companhias, assim como os trabalhadores fruitivos, que estão sempre propensos à degradação. Mas embora caia, um devoto nunca deve ser considerado como um Karmi caído. O Karmi sofre o resultado de suas próprias reacções fruitivas, enquanto o devoto é reformado pelo castigo aplicado pelo próprio Senhor. Os sofrimentos de um órfão e os sofrimentos do amado filho de um rei não são iguais. O órfão é realmente pobre porque não tem ninguém que cuide dele, mas o querido filho de um homem rico, embora pareça estar no mesmo nível do órfão, está sempre sob os cuidados do seu competente pai..."

Vosso servo
Prahladesh Dasa

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As Doces Glórias do Radha Kundastami


Radha Kunda Mahima Madhuri - As Doces Glórias do Radha Kunda de SS Mahanidhi Swami

"O Maha-Mantra e ao aparecimento do Radha-Kunda


Para manifestar misericórdia e compaixão para com as almas caídas de Kali, o Senhor Sri Krsna, veio como Sri Caitanya Mahaprabhu e distribuiu o Maha-Mantra Hare Krsna.

Hare Krsna Hare Krsna, Krsna Krsna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama, Rama Rama Hare Hare

Nesta era de Kali, Sri Krsna, a Suprema Personalidade de Deus, aparece como o Seu Santo Nome, para dispensar misericórdia. Por cantar estes nomes, todas as almas condicionadas podem ser purificadas dos Anarthas e Aparadhas. Gradualmente, um Sadhaka sincero, chegará a etapa do canto sem ofensas.

Progredindo ainda mais, chegará ao estágio do canto puro, onde degustara o êxtase de Bhakti-Rasa, o amor divino de Deus. Um discípulo perguntou uma vez a Srila Prabhupada, se a celebração de Harinama-Sankirtana, estava no humor das Gopis que dançam a dança da Rasa. Srila Prabhupada confirmou esta situação, dizendo: "Sim, você compreendeu o significado interno do Sankirtana"

Assim, na fase do canto puro saborearemos a Rasa abençoada.
Em Kali-Yuga, Sri Krsna distribui Sua misericórdia, através da encarnação de Seu Santo Nome transcedental.

Da mesma forma, Srimati Radharani distribui Sua misericórdia em Kali-Yuga, através das águas do Seu lago sagrado transcendental.


Sara é a palavra sânscrita para lago ou Kunda. Sara significa também a mais agradável parte de uma substância. Quando as sílabas de Sara (sa e ra) são invertidas, pronuncia-se Rasa que significa líquido, o sabor divino de doçura transcedental.
No Vraja-Riti-Cintamani (verso 34), Srila Visvanatha Cakravarti Thakur, explica que o Sara ou o lago de Radha, é uma transformação da Sua Rasa ou Madhurya-Prema.

Sri Cakravartipada explica que em certa ocasião Syama estava tão atraido, cativado e oprimido, ao ver a beleza indescritível de Srimati Radharani, que fundiu-Se e transformou-Se num lago de Rasa líquido. Esta Rasa, formou o Syama-Kunda.

Da mesma forma, Srimati Radharani ao ouvir a flauta de Syama, e Sua fragrância doce e Sua forma encantadora, Srimati Radhika fundiu-Se e transformou-se no extático Radha-Kunda.

Assim como alguém desfrutará de Bhakti Rasa ao cantar puramente o Santo Nome, também o Sadhaka sincero, ao banhar-se sem cometer ofensas ao Radha-Kunda, saboreará a doçura espiritual pura de Madhurya-Rasa.

Banhar-se no Radha-Kunda, significa um banho no líquido carregado de Prema Rasa de Srimati Radharani.

O aparecimento do Radha-Kunda no mundo material, é uma expressão da compaixão pessoal de Srimati Radharani, para com as almas sofredoras de Kali.

Assim como Krsna concede Prema ao cantor puro,Radharani não concede apenas Prema, mas ela também dá o Seu serviço amoroso íntimo, na forma de Manjari-Bhava, para quem banhar-se sem cometer ofensas em Seus mais amado lago.

O Casal Divino, graciosamente abençoa todas as almas condicionadas oferecendo-lhes estas duas prendas: o Maha Mantra Hare Krsna e o Radha-Kunda.

Ambos os dons são a misericórdia sem causa de Sri Caitanya Mahaprabhu. Através da bela forma de Sri Caitanya, o Senhor Krsna manifestou Seus Santos Nomes perfeitos e todo auspiciosos. Também através do Senhor Gauranga, Srimati Radharani, mostrou a localização exata e o significado profundo de banhar-se no Radha Kunda, o Seu lago de misericórdia que flui constantemente."

Fim da citação.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A Maior Fraude da História - A verdade sobre os Bancos Centrais

http://www.overmund o.com.br/ banco/a-maior- fraude-da- historia- a-verdade- sobre-os- bancos-centrais

Texto completo no arquivo em anexo no site overmundo.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Desafio Ético

Desafio Ético

Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China.
Eram homens serenos, comedidos, recolhidos em paz em seus mantos cor de açafrão.
Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos,
com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam.
Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa,
mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
Aquilo me fez refletir: "Qual dos dois modelos produz felicidade?"
Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: "Não foi à aula?"
Ela respondeu: "Não, tenho aula à tarde".
Comemorei: "Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde".
"Não", retrucou ela, "tenho tanta coisa de manhã..." "Que tanta coisa?", perguntei.
"Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina", e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
Fiquei pensando: "Que pena, a Daniela não disse: "Tenho aula de meditação!"
Estamos construindo super-homens e super-mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Por isso as empresas consideram agora que, mais importante que o QI, é a IE, a Inteligência Emocional.
Não adianta ser um super-executivo se não se consegue se relacionar com as pessoas.
Ora, como seria importante os currículos escolares incluírem aulas de meditação!
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica;
hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias!
Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito.
Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos:
"Como estava o defunto?".
"Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!"
Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
Outrora, falava-se em realidade: análise da realidade, inserir- se na realidade, conhecer a realidade.
Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual.
Pode-se fazer sexo virtual pela internet: não se pega AIDS, não há envolvimento emocional, controla- se no mouse.
Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio,
sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizi­nho de prédio ou de quadra!
Tudo é virtual, entramos na virtualidade de todos os valores, não há compromisso com o real!
É muito grave esse processo de abstração da linguagem, de sentimentos:
somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
Enquanto isso, a realidade vai por outro lado, pois somos também eticamente virtuais.
A cultura começa onde a natureza termina. Cultura é o refinamento do espírito.
Televisão, no Brasil - com raras e honrosas exceções -, é um problema:
a cada semana que passa, temos a sensação de que ficamos um pouco menos cultos.
A palavra hoje é 'entretenimento' ; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva.
Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela.
Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
"Se tomar este refrigerante, vestir este tênis,­ usar esta camisa, comprar este carro, você chega lá!"
O problema é que, em geral, não se chega!
Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba­ precisando de um analista.
Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.
Os psicanalistas tentam descobrir o que fazer com o desejo dos seus pacientes. Colocá-los onde?
Eu, que não sou da área, posso me dar o direito de apresentar uma su­gestão.
Acho que só há uma saída: virar o desejo para dentro.
Porque, para fora, ele não tem aonde ir!
O grande desafio é virar o desejo para dentro, gostar de si mesmo,
começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista.
Assim, pode-se viver melhor.
Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis:
amizades, auto-estima, ausência de estresse.
Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno.
Se alguém vai à Europa e visita uma pequena cidade onde há uma catedral,
deve procurar saber a história daquela cidade - a catedral é o sinal de que ela tem história.
Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping center.
É curioso: a maioria dos shopping centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas;
neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingos.
E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas...
Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo,
acolitados por belas sacerdotisas.
Quem pode comprar à vista, sente- se no reino dos céus.
Se deve passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório.
Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno...
Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa,
com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do McDonald's.
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:
"Estou apenas fazendo um passeio socrático."
Diante de seus olhares espantados, explico:
Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas.
Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:
"Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz."

Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Luis Fernando Veríssimo e outros, de "O desafio ético" (Garamond).

Vosso servo
Prahladesh Dasa

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Mistérios do Céu - Buracos Negros


Do livro "Em Busca da Índia Védica" de SS Devamrta Swami:

"...Quanto do Universo os maiores cérebros modernos podem entender?...
...O que hoje é considerado conhecimento científico certamente não será considerado amanhã.
Desde que o nosso conhecimento do Sistema Solar está em constante fluxo, como podemos rejeitar uniliteralmente todos os pensamentos dos antepassados sobre o Cosmos?

A actual Cosmologia admite que a maior parte da matéria neste Universo é completamente desconhecida. Eles chamam este algo misterioso de "matéria negra".
Indetectável pela observação directa, a matéria negra é conhecida como a parte da substância cósmica que refusa interagir com os nossos sentidos e instrumentos.
Os únicos indícios vem da inferência indirecta.
Os efeitos gravitacionais implicam que a matéria invisível está presente.
O quanto da matéria não compreendemos - imperceptível aos nossos sentidos e instrumentos?

A predominãncia da matéria negra no Universo é desconcertante.
A astrônoma americana Vera Rubin, ganhadora da medalha de ouro da ciência nacional, explica a imensidão da nossa frustração cósmica:

"Baseados em 50 anos de observações acumuladas do movimento das galáxias e da expansão do Universo, muitos astrônomos acreditam que cerca de 90% dos componentes universais podem ser objectos ou partículas que não podem ser vistas...
Actualmente preferimos chamar esta massa desconhecida de "matéria negra", pois é a luz e não a matéria que é desconhecida...
A compreensão da matéria negra é tão importante para determinar o tamanho, forma e o destino do universo que a busca disto certamente ocupará a astronomia pelas próximas décadas...
Talvez, no próximo século, alguém - que ainda não nasceu - um grande cérebro conseguirá manejar um novo instrumento e definitivamente responder.
O que é a matéria negra?"

...A informação Cosmológica contida no Bhagavata Purana ocupou muito da atenção de Thompson (Sadaputa Prabhu).
Por três décadas seguidas de pesquisas ele estabeleceu paralelos muito importantes.
Por exemplo, o universo Védico pode prover um impressionante mapa detalhado do sistema solar.
Quando visto sob uma certa perspectiva, o cosmos previsto no Bhagavad Purana pode apresentar distâncias entre os corpos celestias que aproximam-se muito das distâncias estimadas pelos cientistas modernos.
Como os sábios Védicos chegaram tão perto - sem a nossa tecnologia?

Para reviver a astronomia Védica, Thompson participa de um projecto único na Bengala Ocidental, a beira do rio Ganges.
Um enorme "planetário Védico" tem previsto sua conclusão por volta de 2015.
Serão utilizados gráficos computorizados tridimensionais e ecrans de alta definição que proporcionarão um "tour" através do Cosmos Védico.

A.C.Bhaktivedanta Swami Prabhupada instruiu seus seguidores:
"Nós apresentaremos o conceito Védico do sistema planetario dentro deste mundo material e acima do mundo material.
Nós queremos exibir a cultura Védica através de todo o mundo."

Como consultor do projecto, Dr. Thompson diz que sua missão é descortinar o conhecimento Védico antigo de astronomia em experiências visuais que a audiência internacional jamais esquecerá.
Obviamente, alguém leva muito a sério a ciência Védica."

Fim da citação.

Vosso servo
Prahladesh Dasa


Karuna Prabhu escreveu:

Tenho minhas duvidas com respeito ao que Srila Prabhupada realmente intencionava ao visualizar o planetario vedico, ja li comentarios de devotos que o que ele queria era na verdade algo que simplesmente demonstra-se como há uma escala de evolução dentro do plano material indo dos planetas inferiores aos superiores e dali ao transcendente. Tripurari Maharaj comenta que sempre que o orador em naimisaranya (suta goswam? não lembro direito) responde ao inquirente (saunaka rsi?) ele faz questão de frisar que so irá responder a esta pergunta porque saunaka fez a pergunta porém que adescrição dada por ele pode ser tanto alegorica quanto de uma outra epoca e que para nossa realidade não devemos interpretar esta descrição literalmente. Por exemplo um par de semanas atrás se eu fosse descrever o terreno em frente a minha casa diria que há um pequeno bosque com um atalho de terra que leva ao proximo bairro. O problema é que a prefeitura veio descampou o local fechou o atalho e abriu uma rua de asfalto mais adiante. Isto em duas semanas, agora a descrição do bhagavatam pode se referir a milhões de anos atrás, outra yuga, outro milenio, o comecinho da criação de Brahma, outros niveis dimensionais etc.
Como acaryadeva recentemente citou em uma aula nunca na historia do gaudya vaishnavismo o quinto canto foi usado como uma base para professar nossa teologia. Espero que estes humildes comentários possam lhe ser utéis. Gostaria também de dizer gosto que muito de seu textos os quais frequentemente consulto e leio.

Outro ponto é que alguns cientistas tem outras teorias também definidas sobre os buracos negros, que estes seriam, por exemplo, estrelas de enorme massa e atração gravitacional impedindo que os proprios fotons de luz sejam lançados no espaço.
.
bol nitya haribol seu servidor

Karuna Das HDG

Muito Obrigado Karuna Prabhu.
Também gosto muito dos seus artigos.


Sim, nós aceitamos a apresentação Védica sobre o Cosmos.

Mas existem muitas outras:

http://en.wikipedia.org/wiki/Cosmology

E mesmo entre aqueles que aceitam a Cosmologia Védica existem diferentes abordagens.

O leitor Vikram Ramsoondur apresenta os livros de Sadaputa Prabhu:

"O sistema cosmológico descrito no quinto canto do Bhagavata Purana, ou Srimad Bhagavatam, como também é conhecido, tem sido uma fonte de confusão para os pensadores da Índia e do Ocidente por muitas centenas de anos, e este desnorteamento remonta para muito antes do Ocidente ter a oportunidade de produzir qualquer influência significativa sobre os intelectuais da Índia. Embora muitas teorias e contra-teorias terem sido escritas sobre a validade ou inutilidade da astronomia e outras informações contidas no Bhagavata, para mim, o trabalho de Sadaputa Dasa (Richard L. Thompson) é, até à data, a mais convincente e acadêmica posição desenvolvida sobre este assunto. Sadaputa e é simultaneamente um homem com a sensibilidade devocional praticante e o cepticismo e rigor de um matemático profissional.

Até agora, ele já publicou dois livros sobre cosmologia hindu: (i) Cosmografia e Astronomia Védica, e (ii) Mistérios do Sagrado Universo. Eu próprio tenho os dois exemplares e li-os mais de uma vez, sem qualquer hesitação, eu recomendaria essas obras a qualquer pessoa interessada neste tema fascinante. No ... mistérios, que foi publicado mais de uma década após a primeira obra, Thompson postula uma muito convincente e bem desenvolvida tese que, em termos gerais, é o seguinte - no 5 º Canto,o sábio Vyasa (tradicionalmente o autor / editor da composição) descreve o universo, recorrendo à utilização de uma estrutura composta, em que diversos elementos retratam uma série de modelos possíveis.Isto é, de facto, o mesmo que Chaitanya Mahaprabhu (15th/16th um século santo bengali) é suposto ter dito, ou seja, que praticamente em todos e cada versículo das escrituras, há vários significados válidos, e por vezes conflitantes e que podem ser extrapolados. Após algumas décadas de pesquisa acadêmica sustentada, articuladas com práticas religiosas, Sadaputa postula em Mistérios ... que a cosmologia do Bhagavata Purana é propícia a pelo menos quatro grandes interpretações, que mantêm a santidade e a sacralidade do texto como ao mesmo tempo preserva o valor informativo da quinta divisão da mesma. Eles são: 1. um mapa preciso do sistema solar, conforme determinado a partir de um ponto de vista geocêntrico; 2. um mapa da projecção polar do globo terrestre; 3. um mapa topográfico de uma grande região do Sul da Ásia Central e do Sul; e, 4. um mapa do reino transcendental dos Rishis, Devas, Upadevas e outros super-humanos, subtilmente, consubstanciados por seres celestiais descritao na literatura védica.

Claro, alguns fanáticos tecem duras críticas a Sadaputa / Thompson pela "ousadia" de interpretar o sânscrito do Bhagavata em vez de aceitar uma branda e estéril interpretação literal. No entanto, quero recomendar para aqueles que seriamente estão interessados nesta realidade para lerem este e os outros livros citados acima, e descobrir por si próprios o grande espiritualista e acadêmico que é Sadaputa. Em qualquer caso, penso não haver ninguém tão conhecedor do moderno método científico, nem tão bem familiarizado com a cosmovisão védica, que tem dedicado muito do seu tempo, esforço e energia em compreender a astronomia e cosmologia Puranica. Claro que, espiritualmente falando-, uma pessoa tem que ser completamente realizada, a fim de entender a realidade absoluta, e ele próprio Thompson afirma que suas pesquisas, sem dúvida, aproximam-se do significado que Vyasa originalmente descreveu quando estava a escrever o Bhagavata, mas que em última análise o cosmo é essencialmente indescritível, e o intelecto humano é capaz de, na melhor das hipóteses, ter apenas um limitado alcance dos seus aspectos."

Fim da citação.


O Srimad Bhagavatam são as realizações de Srila Vyasadeva.
E portanto, tanto o décimo canto, como o quinto canto e todo o Bhagavatam são imaculados.
No entanto, somente através de alcançar devoção pura é possível realizar estas verdades.

No "Sri Krsna Samhita", 1.33-34, Srila Bhaktivinoda explica:

"Embora eu seja incapaz de descrever claramente este tópico por palavras, por Samadhi e pelo processo de Sarajut acabei de descrever os tópicos do Senhor com o melhor da minha capacidade. Se apenas tomarmos o significado literal dessas palavras não vamos perceber adequadamente o assunto descrito. Solicito, portanto, que o leitor de experimente e perceba estas verdades através de Samadhi. Deve-se tentar perceber pontos subtis de declarações grosseiras, como em Arundhati-Nyaya [quando uma estrela pode ser vista com a ajuda de uma estrela brilhante]. O processo de argumentação é inútil, porque não pode levar à uma verdade absoluta. O processo de percepcionar directamente a alma é chamado Samadhi. Tenho dado estas descrições baseados neste processo. O leitor também deve acompanhar esse processo para perceber a verdade."

"Vaikuntha pode ser percebida naturalmente através do Samadhi daqueles Uttama-Adhikaris que atingiram o amor de Krishna, que realizaram os passatempos deVraja. Os Kanishtha-Adhikaris e os Madhyama-Adhikaris ainda não estão qualificados, a este respeito, porque essas verdades não podem ser realizadas através da leitura ou tese. Kanishtha-Adhikaris que consideram as Escrituras como a única autoridade e os lógicos que se consideram liberados são ambos incapazes de avançar."

Vosso servo
Prahladesh Dasa

O leite ! 3

Queridos Vaisnavas e Vaisnavis, por favor, aceitem minhas humildes reverências.
Srila Prabhupada Ki Jaya !!!

Antes de mais nada gostaria de dizer que pessoalmente não sou Vegan.

Mas, francamente, parece-me bastante inadequado utilizar as Escrituras e Srila Prabhupada para defender o consumo de leite industrializado e vegetais com agrotóxicos.

Os Vedas recomendam o consumo do leite mesmo em Kali Yuga?
Sim.

Srila Prabhupada mesmo sabendo que o leite estava contaminado permitiu sua utilização?
Sim.

Mas isto não quer dizer que os Vedas e Srila Prabhupada concordem com este padrão.
Caso contrário porque Srila Prabhupada inúmeras vezes enfatizou a protecção às vacas e a alimentação auto sustentada, e também pediu-nos para estabelecermos o Varnasrama (A Daiva)?

Sim, Kali Yuga é uma era degradada.
E exatamente por isto, como membros da ISKCON, temos o dever (além de oferecer o leite à Krsna) de directa ou indirectamente participarmos de algum programa de protecção as vacas, para desta forma satisfazermos os grandes Sábios, Semideuses e os Sastras.

Se algum devoto ou devota conseguir alguma citação de Srila Prabhupada, e somente uma que diga mais ou menos isto:
"Vocês podem consumir o leite industrializado e os vegetais com agrotóxicos.
Este padrão é bom.
Não se preocupem com a protecção às vacas e com a auto suficiência."

O Senhor Krsna aceita as oferendas que os devotos com muito amor e devoção oferecem com leite industrializado?
Sim, aceita.

O Senhor Krsna aceita as oferendas que os devotos Vegans oferecem com muito amor e devoção sem leite?
Sim, aceita.

Mas, ambos devem admitir humildemente que estão muito longe do padrão Védico ideal e que estamos muito longe do padrão que Srila Prabhupada pediu-nos especificamente sobre este ponto.

Mas claro que esta é simplesmente a minha visão pessoal.

Além disso, os Vedas dizem que a alimentação lacto vegetariana é a melhor. Ou seja por questão de saúde precisamos ingerir leite de vaca. Embora os Vegans não concordem. Mas este é o veredicto dos Vedas.

Todas as glórias ao vosso serviço devocional
Prahladesh Dasa

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Leite ! 2

Se não há nenhum problema em oferecer leite industrializado à Krsna,e também verduras, legumes, cereais e frutas cheios de agrotóxicos, porque afinal de contas estamos em Kali Yuga mesmo, então fica a pergunta:

Porque diferentes comunidades de devotos trabalham tão arduamente para proteger as vacas e ter auto-suficiência alimentar?
Para que tanto trabalho?

A questão é que especialmente Srila Prabhupada queria que nós introduzissemos a era dourada dentro da era degradada de Kali Yuga.

Ao defendermos teimosamente que oferecer leite industrializado e vegetais contaminados não constitui problema e que é autorizado nas escrituras, ou ao evitarmos totalmente o leite (Vegans), somente demonstramos nossa acomodação.

É mais fácil comprarmos o leite e vegetais no supermercado e não pensarmos muito sobre isto !!!

Embora o Senhor Krsna misericordiosamente aceite as preparações tanto de uns (leite industrial) como de outros (Vegans), ambos devem admitir que o seu padrão não é o mais adequado.

O que é autorizado nas escrituras é a protecção as vacas e a econômia agrária.

"...Uma pessoa deve obter seus alimentos localmente. Isto é boa civilização..."(Srila Prabhupada)

Os artigos de SS Purushatraya Swami em:

http://www.pswami.com.br/artigos/artigo001.html

são muito interessantes.
Um pequeno trecho:

Modelo Alternativo de Srila Prabhupada
"...Srila Prabhupada era bem alternativo. Ele não queria que seus discípulos se comprometessem muito com o Sistema. Ele não via com bons olhos o sistema de educação ocidental, com bases materialistas e direcionados para o consumismo. Alias, dentro da atual estrutura econômica mundial, a educação é direcionada para fazer da pessoa um "bom consumidor". O mote "Vida simples e pensamento elevado", adotado por Srila Prabhupada, resume bem a diferença de mentalidade entre a sociedade tecnológica consumista, egocêntrica e calcada no corpo, que é complicada e imediatista, em contaste com seu modelo alternativo de vida simples, baseado nos princípios da vida espiritual e centrado em Krishna...."

"O Jovem de Hoje
Depois do advento da informática, a cabeça dos jovens, e das pessoas em geral, mudou consideravelmente. A atração por essa maravilha tecnológica é irresistível. As novas gerações tem profunda intimidade com infinidades de softwares e hardwares complicadíssimos. Parece que essa tendência já vem arraigada na consciência desde o nascimento. A Internet cativa completamente a mente da pessoa. Os vídeo games fazem com que a pessoa fique inconsciente do mundo real e entre integralmente num outro mundo, o mundo da fantasia virtual. Passa-se a considerar esse mundo mais interessante que o meio ambiente natural. O jovem de hoje é muito mais materialista e influenciado pela mentalidade consumista. O marketing e a propaganda exploram ao máximo o culto da personalidade externa. Espiritualmente a pessoa fica vazia e a vida fica desprovida de sentido. Perdeu-se muito do idealismo e o ímpeto revolucionário de antes. Hoje em dia, a maioria aspira ajustar-se ao Sistema, pois é a única maneira de se ganhar dinheiro. Com dinheiro, pode-se comprar coisas e desfrutar das delicias da vida. Vida natural? Que coisa mais retrógrada! Coisa do passado. Vida natural significa "pernilongos e borrachudos", muitos pensam. Vida natural é somente para "curtir", mesmo assim, de vez em quando. Essa é, mais ou menos, a mentalidade dos jovens de hoje em dia. O conhecimento sobre os assuntos da Natureza é mínimo. Restringe-se aos documentários do Discovery. Não sabem distinguir uma goiabeira de uma mangueira. Em geral, o jovem de hoje não têm o mínimo interesse por essas coisas. Perdeu-se completamente a sintonia e a sensibilidade para se lidar com a Natureza. A Natureza é considerada algo inferior destinada exclusivamente para ser explorada para se ganhar dinheiro. Até mesmo o turismo ecológico, muito em moda hoje em dia, tem essa conotação. Onde está o idealismo dos jovens? Só se vê passividade e acomodação. Quando Srila Prabhupada começou seu movimento, milhares de jovens aderiram pois tratava-se de uma "revolução da consciência". Para adquirir consciência espiritual o jovem estava pronto para abandonar todos os seus apegos. Por que é que agora é tão difícil encontrar pessoas com tal disposição?
Comunidades Rurais
Temos atualmente no Brasil várias comunidades rurais. Temos Nova Gokula, que tem características muito especiais: beleza natural, localização excelente, fácil acesso, relevo tremendamente favorável, e vários outros atributos. Nova Vrajadhama, em Caruaru, num excelente micro clima nas montanhas, perto de uma boa cidade e com várias possibilidades de produção agro-industrial. Vrajabhumi, em Teresópolis, embora sem a extensão de terra dos outros projetos citados, tem potencial turístico e é o local ideal para retiros espirituais e pregação de alto nível. Goura Vrindávana, em Paraty, situada numa região turística, tem considerável extensão de terras, um tremendo potencial de turismo ecológico e está especializando-se em desenvolver projetos agro-industriais sustentáveis. Temos noticias que um novo projeto no sul da Bahia está ainda em embrião mas, a qualquer momento poderá entrar em cena. Uma das características mais evidentes desses projetos é que se encontram esvaziados. Onde estão os devotos que sabem mexer com a terra e com as vacas? Onde estão os alternativos? Onde estão os idealistas? Onde estão aqueles que valorizam a vida natural? Será que todo mundo virou "urbanóide"? Precisamos encher esses projetos com devotos inteligentes, idealistas e realizadores. Termino aqui esse manifesto, esperando que ele encontre eco no coração de muitos devotos. Confio plenamente no potencial dos devotos e devotas desse movimento. Acontece que, no momento, as coisas estão um tanto dispersadas. É hora de acontecer uma revivificação. Todos aqueles que têm boa vontade devem se unir no esforço para estabelecer, de uma vez por todas, a missão de Srila Prabhupada em bases sólidas. Devem, contudo, estar atentos para não se deixarem afetar por aqueles que carecem de fé e possuem uma tendência crônica de criticar e ofender. Vamos "vestir a camisa", pessoal!"

Fim da citação.

O Senhor Caitanya, Srila Prabhupada e todos os Acaryas pedem-nos:
"Por favor, introduzam a era dourada em Kali Yuga"

E esta era dourada em Kali Yuga vem acompanhada da protecção às vacas e da auto-suficiência alimentar.

Cultura Védica significa basicamente protecção aos Brahmanas, protecção às vacas e vida agrária.

Um dos sintomas de Kali Yuga é que nós nos afastamos desta "vida simples com pensamento elevado".

E falo por mim mesmo.

A seguir uma conversa com Srila Prabhupada, onde ele salienta a importância da protecção das vacas e vida agrária:

Palestra na Organização Mundial da Saúde
Genebra, 6 de junho de 1974

Guru Gauranga: O valor deste movimento é que se pudermos provar, a um nível reduzido, em um modelo de nível, que funciona, então qualquer cientista ... Este é o método empírico. Se ela trabalha em um nível pequeno, ele deve trabalhar em um grande nível.

Convidado (5) (Indiano): O quê?

Guru Gauranga: Bom, por exemplo, Isaac Newton descobriu a gravidade. Essa descoberta foi uma descoberta universal. Foi um axioma. Se ele trabalha aqui, ele irá trabalhar em qualquer lugar.

Convidado (5): Não. Isso eu compreendo. Mas quero dizer em relação ao seu próprio trabalho, você pode dar um exemplo de algo que tenha trabalhado ..., o que você entende por trabalho?

Guru Gauranga: Sim. Cultivando a terra, por exemplo. Temos comunidades. Nova Vrindaban, em West Virginia, Califórnia. Estamos a estabelecer na França. Podemos absorver todas as pessoas que pretendam vir, e nós podemos alimentá-los todos, e ainda temos excedente de alimentos.

Prabhupada: Sim. Na Virgínia, que se revelou muito bem sucedida. Nós estamos recebendo oitenta litros de leite ao dia. E que a partir do leite ...

Pusta-krsna: Oitocentos.

Prabhupada: Eh? Oitocentos. Sim. Oitocentos, lamento. Então esse produto lácteo é suficiente para dar-lhes alimentos nutritivos. Estamos a preparar ghee. Assim como na Índia, eles utilizam tão agradável leite. E legumes que estamos a plantar. Eles estão a fazer doces, sandesa, rasagulla. Existe suficiente produto lácteo. E ghee, Luci, Puri. Eles estão satisfeitos. Então esse é o princípio básico.

Convidado (5): Este é apenas um exemplo bem sucedido de uma empresa que é corporativa ... Mas estava a falar de uma coisa nova que não tenha sido experimentado antes?

Prabhupada: Não. A coisa nova é que eles não vão para fora em busca de pão. Essa é a coisa nova. Aqui, no momento presente, em cada grande, grande cidade, eles estão á cem quilómetros do escritório. Agora houve greve ferroviária em Bombaim. Eu estava lá nessa época. Ah, as pessoas estão sofrendo tanto. Estás a ver? A partir de cinco horas da manhã, eles estão em pé na fila para pegar um ... Nem ônibus, é caminhonete. O ônibus em greve. Então, as pessoas têm tanta dificuldade em. E se um trem ou comboio estava em funcionamento dois, tanta gente quebrou o ... Eles estavam no topo do trem. Então o problema é por que uma pessoa deve ser induzida a percorrer cem milhas ao largo da sua casa para ganhar seu sustento? Esta é uma civilização muito ruim. Uma pessoa deve ter seu alimento localmente. Isso é bom civilização.

Convidado (5): É. O que é que estas pessoas fazem para viver? Só cultivar e plantar?

Prabhupada: Não. Cultivam alimentos para comer e, em seguida, todos lêem esses livros. Elas tornam-se espiritualmente avançados. Isto é tudo. Adoração à Deidade .

Convidado (5): E você precisa de dinheiro?

Prabhupada: Bem, vamos buscar dinheiro. Nós também vendemos esses livros. Se eles exigem dinheiro, há dinheiro também. Mas vivemos vida muito simples. Seja qual for pouca necessidade de dinheiro existe, pelo que podemos vender esses livros. Mesmo no parlamento indiano, a questão foi levantada, "Como esse movimento ISKCON recebe seu dinheiro?" Alguns comunistas membros levantaram esta questão. E o membro da casa respondeu, "Eles ganham dinheiro com a venda de literatura." Esse é um fato.

Convidado (6) (homem europeu): Gostaria de também fazer uma pergunta. Em suas comunidades rurais. .. Peço-lhes, porque rurais do que você disse, o principal objectivo é o de ser auto-suficiente no que diz respeito à alimentação. Em suas comunidades rurais, que você utiliza as mais modernas técnicas com fertilizantes, com meios mecânicos para cultivar terras? Esta é uma pergunta. O outro aspecto é que, obviamente, das suas palavras, o dinheiro necessário para comprar mais alguma coisa, que é assegurado pela venda dos seus livros. Claro, se você iria imaginar comunidades não terem, como os senhores, algo que (indistintos), e, portanto, livros que podem ser vendidos, essas comunidades não seria abrandado para ser auto-suficiente em relação a tudo. Alimentação também está lá. E se, por acaso, teria o seu sistema ...? Supondo que poderíamos transformar todos os membros da comunidade suíça em camponeses, que têm o seu pedaço de terra e de vida nas comunidades rurais, suponho eu sei que a partir de que iria morrer de fome e muitos não teriam condições suficiente para comer, porque aqui, as condições do clima, etc, não são da mesma categoria de maio as que existem na Ásia ou em outros países. O problema básico é que, nos primeiros séculos a maioria da população masculina da população daquele país, que era composto principalmente de camponeses tiveram de ser expatriados e se tornarem soldados no estrangeiro porque não havia comida suficiente. Então, o que você diz sobre essas coisas?

Yogesvara: Sua primeira pergunta foi usarmos máquinas e métodos modernos nos nossos asramas e fazendas.

Prabhupada: Não temos qualquer objecção. Queremos ser auto-suficientes. Esse é o nosso ponto de vista. Não temos qualquer objecção com ... Não é que não tocamos em máquinas. Nós não dizemos isso assim. Mas queremos ser auto-suficientes. Esse é o nosso ponto. Não fazemos uma promessa de que não iremos tocar em qualquer máquina. Não, não. Nós não somos assim.

Convidado (6): Bom, eu acho que é um objetivo admirável. Certamente isso pode ser realizado em pequenas comunidades rurais, que adquirem a superfície necessária para que cada membro da comunidade seja auto-suficiente. Tal como na Idade Média, neste país os monges estavam mais ou menos auto-suficientes dentro da moldura de suas terras. Mas, fora isso, os camponeses sempre tinham fome.

Guru Gauranga: Ele diz que em um pequeno nível que pode ser válido como os monges que tinham o seu mosteiro e faziam comida suficiente, mas para a maioria das pessoas, especialmente onde o clima é tão desfavorável. .. Ele disse que o povo suíço, ele não poderia sequer permanecer na terra, no passado, mas eles tinham que ir para longe para encontrar comida por causa do clima. Por isso, no todo, ele não vê a praticidade.

Prabhupada: Bem, afinal, este é o mundo material. As miseráveis condições estão aí. Mas, tanto quanto possível, tentar minimizar. O nosso objectivo é apenas a forma de poupar tempo de cultivo espiritual. Esse é o nosso principal objectivo. Então nós temos que descobrir a oportunidade de acordo com o tempo, as circunstâncias. Nós, não recusamos qualquer coisa. Se for favorável, nós aceitamos.

Yogesvara: Então, por outras palavras, a plataforma absoluta de que estavamos falando , onde todos seriam ocupados no mesmo tipo de cultivo do solo rural não é nenhum tipo de meta a longo prazo para nós necessariamente. Nós temos as nossas pequenas comunidades, e então há também atividades acontecendo em outras áreas também. Mas a idéia que o nosso mestre espiritual esta a descrever é que, na medida do possível vamos aproveitar todas as oportunidades para progredir na vida espiritual, quer seja pelo cultivo do solo ou de qualquer dever profissional que talvez tenhamos de levar a cabo.

Convidado (6): Mas eu sei que seu objetivo é que todo mundo se torne auto-suficiente em relação aos alimentos. Mas, se todos que estão engajados na produção de alimentos, como serão proporcionandas outras coisas?

Yogesvara: Ele pensa que temos vindo a afirmar que, em última análise, todos nós gostaríamos de estar envolvidos na produção de alimentos. É que a nossa ...?

Prabhupada: Não. Nós não diria isso. De acordo com o Bhagavad-Gita, ..., existe uma secção de homens que vão produzir alimentos, existe uma secção de homens que são espiritualmente elevadas, e haverá uma seção de homens que irá gerir tal como o governo ou o rei, o equilíbrio e os homens, e também os sudras. Eles vão ajudar estes três homens. Isto é o Bhagavad Gita. Não que todos vão ser cultivadores. Não. Deve haver gestão, e deve haver também cérebro, e deve haver também trabalhadores. Isso deve ser ... Esta divisão é natural. Mas todos devem unir-se para o cultivo espiritual. Assim como nós temos o nosso cérebro, nossas armas, nossa barriga, nossas pernas. Eles são todos necessários. Não podemos rejeitar as pernas e manter apenas as mãos. Isso não é possível. Mas as mãos, pernas, cérebro e barriga deve combinar juntos para manter o organismo saudável. Esse é o objetivo. Por isso, deve ir agora?

Guru Gauranga: Então, se não houver outra pergunta, eu acho que podemos parar aqui e muito obrigado.

Yogesvara: Kirtana?

Prabhupada: Sim, Sankirtana.

Guru Gauranga: Há mais prasada. Nós trouxemos isso para você. Então podem tomar. Você pode ... (final)

Sua Divina Graça AC Bhaktivedanta Swami Prabhupada

"Nós podemos produzir quantidade suficiente de grãos alimentícios em todo o mundo. E se nós realmente produzirmos grãos alimenticios, que podem alimentar dez vezes a população que existe actualmente. Mas, infelizmente, nós não estamos produzindo grãos alimentícios. Esse é o problema. Não é o problema de superpopulação. Trata-se do problema de que nós não estamos produzindo grãos alimentícios ".

Srimad Bhagavatam 1.10.4

"O princípio básico do desenvolvimento económico está centrado em terra e vacas.

As necessidades da sociedade humana são os alimentos grãos, frutas, leite, sais minerais, vestuário, madeira, etc Um ser humano necessita esses itens de forma a satisfazer as necessidades materiais do corpo. Certamente não necessita carne e peixe ou ferro, ferramentas e máquinas. Durante o regime de Maharaja Yudhiṣṭhira, em todo o mundo, haviam chuvas reguladas. Chuvas não estão no controle do ser humano. O rei dos céus é Indradeva o controlador das chuvas, e ele é o servo do Senhor. Quando o Senhor é adorado pelo rei e as pessoas sob a administração do rei, há chuvas regulares a partir do horizonte, e estas chuvas são as causas de todas as variedades da produção na terra. Não só não as chuvas controladas ajudam na ampla produção de grãos e frutos, mas quando se combinam com influências astronômicas há uma ampla produção de pérolas e pedras valiosas. Sumptuosamente grãos e legumes podem alimentar um homem e os animais, e uma vaca gorda proporciona suficiente leite para abastecer um homem sumptuosamente com vigor e vitalidade. Se houver suficiente leite, grãos, frutas, algodão, seda e jóias, então porque é que as pessoas precisam de cinemas, casas de prostituição, matadouros, etc? Qual é a necessidade de uma vida artificial luxuosa de cinema, carros, rádio, carne e hotéis?

Será que esta civilização não produziu senão queixas individualmente e nacionalmente? Será que esta civilização defende a causa da igualdade e da fraternidade enviando milhares de homens para uma fábrica e guerras infernais campos para satisfazer os caprichos de um homem? É dito aqui que as vacas umedecem a terra com seu leite, quando estão alegres. Será que eles não requerem, portanto, uma protecção adequada a uma alegre vida, sendo alimentados com uma quantidade suficiente de grama no campo? Por que os homens deveriam matar as vacas para os seus fins egoístas? Porque o homem não deve estar satisfeito com grãos, frutas e leite, que, combinadas em conjunto, podem produzir centenas e milhares de pratos saborosos . Porque existem matadouros em todo o mundo para matar animais inocentes?

Maharaja Parīkṣit, neto de Maharaja Yudhiṣṭhira, enquanto passeiava no seu vasto reino, viu um homem negro tentando matar uma vaca. O Rei de uma vez prendeu o açougueiro e castigou-o suficientemente. Será que um rei ou chefe executivo não devem proteger a vida dos pobres animais que são incapazes de se defenderem? Será isto humanidade? Não são os animais de um país também cidadãos? Então por que eles estão autorizados a ser enviados a matadouros e decepados? Serão estes os sinais de igualdade, fraternidade e da não violência?

Assim, em contraste com a moderna, avançada, civilizada forma de governo, uma autocracia como a de Yudhiṣṭhira Maharaja é de longe superior a uma chamada democracia na qual os animais são mortos e homems que são menos que um animal votam em outros que são como animais. Somos todos criaturas da natureza material. No Bhagavad-Gita, é dito que o Senhor é o pai que dá a semente e a natureza material é a mãe de todas as seres vivos em todos os formatos.

Assim a mãe natureza material tem alimento suficiente tanto para os animais como para os homens, pela graça do Pai Todo Poderoso, Sri Kṛṣṇa. O ser humano é o irmão mais velho de todos os outros seres vivos. Ele é dotado de inteligência mais potente do que os animais para perceber o curso da natureza e as indicações do Pai Todo Poderoso. Os seres humanos devem depender da produção da natureza material sem artificialmente buscar o desenvolvimento económico, transformando o mundo em um caos artificial da ganância e poder apenas para alcançar luxo artificial e gratificação dos sentidos. Trata-se de uma vida de cães e porcos."


Vosso servo
Prahladesh Dasa

domingo, 5 de outubro de 2008

O Leite !


Existem aqueles que considerando o leite de vaca e seus derivados essenciais na prática do serviço devocional, oferecem-nos para o prazer de Krsna e para o benefício das vacas.

Ainda que o Senhor Krsna purifique tudo o que Lhe é oferecido, esta não é a situação ideal, pois sabemos como as vacas são maltratadas, inseminadas artificialmente e injetadas com inúmeros antibióticos para produzirem mais e mais leite.
O leite que consumimos está repleto de químicos e uma carga subtil de violência contra as vaquinhas de Sri Krsna.

Existem outros, os Vegans, que não consomem leite e seus derivados, por serem obtidos de forma cruel, só oferecendo à Krsna e consumindo quando obtidos de forma adequada.

Porém, esta não é a situação ideal, pois sabemos como Krsna não gosta de leite, mas sim que "adora" o leite.

O Seu planeta chama-se Goloka, a terra das vacas. E não é preciso dizer muito sobre isto, pois é muito claro.
O Senhor Krsna não precisa de nada, como nós sabemos, mas Ele quer que Seus devotos oferecam-Lhe Khir, Shrikhand, Burfi, Sandesh, Rasgulla, Ras Malai, Halava, Laddu, Panir, Dahi, Panir Sabji, Sak, etc, etc, com leite das vaquinhas e consequentemente com Ghee.

Do "Krsnahnika Kaumudi" de Srila Kavi Karnapura.

"De repente uma Sakhi de confiança enviada por Vrajesvari Yasoda chegou e disse muito amavelmente:
"Oh! Maravilhosa Radhika, Yasoda, a mãe de Krsna ama-A muito. E assim ela enviou-me com esta mensagem.
Por favor, ouça atentamente o pedido de Mãe Yasoda:
"Por favor, venha juntamente com Suas virtuosas Sakhis e confeccione uma variedade de preparações para o prazer de Krsna".


Fim da citação.

Não há nenhuma outra saída a não ser proteger as vacas.


"Possam as vacas estar a minha frente, possam as vacas estar atrás de mim, possam as vacas estar em todos os meus lados.
Que eu possa residir sempre entre as vacas." (Sri Hari Bhakti Vilasa 16.52)

Se uma comunidade de devotos cuida de algumas vacas e obtém o seu leite pacificamente, já não haverá porque discutir este ponto do leite.

Enquanto isto não acontece temos que ficar numa situação que não é a ideal (oferecer com leite industrializado), ou noutra situação que também não é a ideal (Vegan).

Não adianta defendermo-nos com o argumento de que o Senhor Krsna purifica tudo ou que devemos ser Vegans.
De acordo com Srila Prabhupada, as vaquinhas de Sri Krsna devem ser protegidas pelas diversas comunidades de devotos espalhadas pelo mundo afora.


Vosso servo
Prahladesh Dasa

Hinduização da ISKCON

Durga Puja



O Senhor Vamanadeva e o Ganges


Introdução do capítulo dezessete, quinto canto do SB:
"Com dois passos, o Senhor Vamana cobriu todos os três sistemas planetários, e com os dedos do Seu pé esquerdo, perfurou a cobertura do Universo..."

Os três sistemas planetários compõem o Universo Material.

Portanto, os dois passos do Senhor Vamanadeva cobriram somente o Universo Material.

O verso 14 explica que o Senhor Narayana expande-se nas diferentes Varsas dos sistemas planetários superiores deste Universo material, na forma de Deidades.


Como é possível que personalidades magnânimas e expansões plenárias do Senhor Supremo estejam contidas neste mundo material?
O Srimad Bhagavatam explica que estão contidas na forma de Deidades.

O Maha Mantra Hare Krsna é completamente espiritual e é a encarnação sonora do Senhor Supremo, e está contido nesta criação material, mas nunca se contamina por nada material.


SB 2.5.33
Num canto do Universo Espiritual está o Mahat Tattva.
No Mahat Tattva existe o Oceano Causal (Karana).
Dos poros de Maha Visnu saem ilimitados Universos Materiais.
Estes Universos Materiais ficam a flutuar no Oceano Causal.
O Senhor Vamanadeva fura a camada de um destes Universos Materiais que está a flutuar no Mahat Tattva e a água do Oceano Causal entra neste Universo como o Ganges.

As águas do Oceano Causal não se encontram além da totalidade da criação material e espiritual.

Embora tudo venha do Senhor Supremo, a ciação material e a criação espiritual estão inconcebivelmente "unas e separadas".

SB 2.5.33
Significado"Em um canto do céu espiritual de Brahmajyoti, as vezes aparece uma nuvem espiritual, e a porção coberta chama-se Mahat-Tattva.Então, o Senhor, através de Sua porção plenária como Maha Visnu, deita-Se na água do Mahat-Tattva, e a água é chamada de Oceano Causal (Karana Jala).Enquanto Maha Visnu dorme, inumeráveis universos são gerados juntamente com Sua respiração."
SB 5.23.9
Significado
Resumindo toda a descrição dos sistemas planetários do Universo, Srila Visvanatha Cakravarti Thakur diz que alguém que é capaz de meditar neste arranjo como a Virata Rupa, ou Visva Rupa, o corpo externo da Suprema Personalidade de Deus, e, através de meditação, adora-O três vezes por dia, sempre estará livre de todas as reacções pecaminosas.
Visvanatha Cakravarti Thakura calcula que Dhruva-loka, a estrela polar, fica a 3.800.000 yojanas acima do Sol.A 10.000.000 de yojanas acima de Dhruvaloka, fica Maharloka, a 20.000.000 de yojanas está Janaloka, acima de Maharloka, a 80.000.000 de yojanas acima de Janaloka, está Tapoloka, e a 120.000.000 de yojanas acima de Tapoloka, fica Satyaloka.Deste modo, a distância do Sol até Satyaloka é de 233.800.000 yojanas, ou 2.992.640.000 quilômetros.Os planetas Vaikunyha começam a 26.200.000 yojanas (335.360.000 quilômetros) acima de Satyaloka.
Assim, o Visnu Purana descreve que a cobertura do Universo fica a 260.000.000 de yojanas (3.328.000.000 quilômetros) distante do Sol.A distância entre o Sol e a Terra é de 100.000 yojanas, e a 70.000 yojanas abaixo da Terra, ficam os sistemas planetários inferiores chamados Atala, Vitala, Sutala, Talatala, Mahatala, Rasatala e Patala. ( Abaixo destes ficam os Narakaloka-Planetas Infernais).A 30.000 yojanas abaixo destes planetas inferiores, Sesa Naga deita-se no Oceano de Garbhodaka.Este Oceano tem 249.800.000 yojanas de profundidade.Assim, o diâmetro total do Universo é de aproximadamente 500.000.000 yojanas, ou 6.400.000.000 quilômetros."
E este é só um dos inumeráveis Universos.

Vosso servo
Prahladesh Dasa
Jay Prabhuji!

Aceite por favor as minhas reverências!

Todas as glórias para Srila Prabhupada!

Prabhuji, eu quero muito entender o Srimad Bhagavatam!

Se 1 ano-luz (que é uma medida minúscula no universo)

equivale a 9,500,000,000, 000 quilômetros, seja:

9 trilhões e meio de Quilômetros.

O universo visível aparenta possuir um raio de 14 bilhões de anos-luz

o que dá :

266,000,000, 000,000,000, 000,000 quilômetros de diâmetro (aprox.)

Esta matéria devia ser bem estudada e esclarecida pelos devotos,

de forma a que o resto da sociedade não sinta descrédito, e os

Shastras não sejam ridicularizados e catalogados de mitologia.

Por acaso, 6 biliões de quilômetros, é o raio do sistema solar, seja:

a distância do sol a plutão (segundo dizem)

Prabhuji, me ilumina com as suas realizações, por favor.

Haribolo,

V/ servo

João Fernandes
Estimado João. Hare Krsna !!!

Antes de mais, muito obrigado.

Recomendo vivamente a aula dada por Richard L. Thompson, Ph.D. (Sadaputa Prabhu), "Size of Universe" em:

http://krishna-online.dk/audio/by/artist/sadaputa_das

Antes de ouvir a aula recomendo a leitura do verso e significado do SB 3.26.52.

"...As dimensões do universo são estimadas aqui. O revestimento externo é feito de camadas de água, ar, fogo, céu, ego e mahat-tattva, e cada camada é dez vezes maior que a anterior. O espaço dentro o oco do universo não pode ser medido por qualquer cientista ou por qualquer outra pessoa humana e, para além do oco, há sete pavimentos, cada um dez vezes maior que o anterior. A lâmina de água é dez vezes maior que o diâmetro do universo , e a camada de fogo é dez vezes maior que a da água. Do mesmo modo, a camada de ar é dez vezes maior que a do fogo. Estas dimensões são todas inconcebíveis para o pequeno cérebro de um ser humano ...."

Ou seja, a dimensão do Universo dada nos Vedas é ainda maior que a dada pela Ciência Moderna.

Mas o que nós podemos esperar da Ciência Moderna?

Todos os cientistas, astrônomos modernos concordam que realmente não têem idéia de como o Universo actua.
Eles simplesmente têem um "modelo de predição".
Ou seja, observam o espaço e então elaboram hipóteses.
Até o presente, 40 novos candidatos oficiais ao status de planeta surgiram através deste método e não da percepção directa.

No entanto, os Vedas e especialmente o Srimad Bhagavatam não trabalham utilizando tal método de predição.
Mas, antes, transmitem o conhecimento dado pelo próprio Senhor Krsna.
Vosso servo
Prahladesh Dasa

Sacrifícios e Yajnas

"...existem quatro eras (Satya, Tetra, Dvapara e Kali, ou Era de Ouro, Prata, Bronze e Ferro). Para cada era há um método de sacrifício mais propício, de melhor efeito:

1. Era de Ouro - meditação ióguica;
2. Era de Prata: sacrifícios de fogo opulentos;
3. Era de Bronze - adoração às Deidades (ou ícones); e
4. Era de Ferro (a atual) - sankirtana-yajña ou o cantar dos santos nomes de Deus revelados como o maha-mantra: HARE KRISHNA, HARE KRISHNA, KRISHNA KRISHNA, HARE HARE, HARE RAMA HARE RAMA, RAMA RAMA HARE HARE.

Dessa forma, apesar dos quatro tipos de sacrifícios ainda existirem e serem praticados, o mais adequado para as circustâncias atuais é o cantar dos santos nomes, de acordo com as escrituras, os gurus e os santos.Entretanto, Srila Prabhupada e seus mestres predecessores, sabendo que há muitos obstáculas na era de Ferro atual, nos deu a permissão e nos instruíram a praticar alguns sacrifícios para nos auxiliar no cantar dos santos nomes, promovendo a purificação de nossa existência e a eliminação de reações às nossas ações (karma).

Assim, praticamos alguns sacrifícios, a saber:

1. ritos de passagem ou samskara - são os ritos, na maioria acompanhados de cerimônias de fogo, que marcam alguns momentos da nossa vida e nos purifica, sendo os princípais a) o de concepção ou gravidez (garbhadana- samskara) e os que seguem o nascimento do bebê (de nascimento, de recebimento de nome, da primeira saída de casa, de primeira ingestão de grãos, do primeiro corte de cabelo, de ingresso na escola, entre outros), b) o de iniciação, sendo dois, a iniciação Harinama, na qual nos veinculamos formalmente à guia de um mestre espiritual, fazemos votos de cantar 16 voltas de japa do maha-mantra diariamente e de seguir os quatro princípios regulativos, e o da iniciação dvija (duas-vezes- nascido), na qual se recebe os mantras Gayatri, que são recitados três vezes por dia e são usados na adoração às Deidades e na execução de sacrifícios (cerimônias de fogo, entre outros), c) o de casamento (vivaha-karma- samskara) acompanhado de cerimônia de fogo, e d) os funerários.

Por outro lado, temos também a misericórdia de Srila Prabhupada e dos gurus anteriores de praticar a adoração às Deidades (arcana), nos auxiliando a controlar os sentidos ao engaja-los no serviço amoroso às formas de Sri-Sri Radha-Krishna (entre outras formas) por meio de vê-lAs, cantar para Elas, dançar para Elas, servi-las com alimento, roupas, banho, descanso entre outras atividades. Além disso, temos a oportunidade de oferecer nossos alimentos (não contendo carne, peixes e ovos) à Própria Suprema Personalidade de Deus, recebendo amorosamente em troca, o alimento espiritualizado, ou prasada.

Esse procedimento também é um sacrifício purificatório.Por fim, dois sacrifícios purificatórios que se adiciona à lista supracitada são o de observar o jejum de grãos quinzenais, ou Ekadashi, e a adoração à Srimati Tulasi-devi que elimina as reações de nossas ofensas.

Em suma, o principal é o sacrifício mais propício para essa era - o sankirtana-yajña - e somos instruídos a fazermos sacrifícios adicionais para purificar nossa existência e facilitar o processo, principalmente pelo controle dos sentidos, pela eliminação das reações e pela conexão direta com o sagrado, com Krishna.

Por Gitamrta Devi Dasi

Apreço pelos Escritos Sagrados

É moda na sociedade secular moderna tratar a literatura sagrada como o entretenimento mitológico de pessoas menos desenvolvidas intelectualmente. As escolas ensinam que com nossos atuais avanços, como a física, a medicina, a psicologia, a democracia e assim por diante, as escrituras religiosas têm pouca utilidade fora do campo artístico-literário. Aqueles que aceitam as escrituras de forma literal são tachados com termos pejorativos, como “fundamentalistas”, por exemplo. Talvez seja chique roubar algumas idéias das escrituras Védicas, como yoga, meditação e cantar de mantras, mas viver de acordo com as leis escriturais é visto como algo simplista e fora de moda.Para se conseguir benefícios espirituais do processo do cantar dos nomes de Krsna, todavia, é preciso ter reverência por Krsna em todas as Suas formas, incluindo Sua forma como as escrituras. Krsna apareceu na Terra, em Sua forma original, há cerca de cinco mil anos. Após retornar à Sua morada eterna, Sua “encarnação literária”, Vyasadeva, compilou o néctar das escrituras Védicas na forma do Srimad-Bhagavatam.

Srila Prabhupada escreveu que ler essa escritura é como ver Krsna pessoalmente, sem nenhuma diferença. Porque as palavras do Bhagavatam descrevem Krsna, elas são espiritualmente idênticas a Ele. Se blasfemamos o Bhagavatam, outros livros Védicos, ou alguma literatura de acordo com a versão Védica, ofendemos o santo nome, o que dificulta em muito o nosso processo do cantar.A que se refere “literatura Védica”? Diferente dos acadêmicos modernos, Srila Prabhupada não usava o termo Védico para denotar apenas um período particular da história da Índia. Tendo como referência os mestres espirituais anteriores de sua linha, e lançando mão de sua razão, ele usou o termo para se referir a todos os tradicionais livros sagrados da Índia.

E “literatura de acordo com a versão Védica” se refere a qualquer livro que, como fazem os Vedas, direcionem-nos para nossa relação com Deus.Evitamos essa ofensa contra o santo nome de Krsna se aceitamos o conceito de escritura revelada de maneira geral, reverenciamos as escrituras autênticas de outras tradições diferentes da nossa, respeitamos mas evitamos escrituras que ensinem práticas religiosas válidas todavia inferiores, e se rejeitamos pseudo-escrituras que se opõem ao amor por Deus como meta última.Também evitamos essa ofensa ao adorarmos Krsna com nossa inteligência através de cuidadoso estudo e aplicação da literatura sagrada. Tal estudo nos dota tanto com o entusiasmo por servir Krsna quanto com as direções para tal. Encontramos a verdadeira felicidade ao explorarmos cada detalhe que lemos das escrituras Védicas.

E, com o uso de nossa razão, aceitamos a consistência, veracidade e aplicabilidade dos escritos por eles mesmos e também pelos exemplos de almas liberadas.

Uma Cultura para a Iluminação

Uma razão para as pessoas rejeitarem o conceito de escritos sagrados é porque a palavra escritura lhes evoca sociedades que proibiam o riso durante o sabá ou que declaravam que o processo para a perfeição era um sistema de procedimentos ritualísticos intrincados que poucos poderiam fazer parte e ainda menos poderiam entender. As escrituras também trazem histórias fantásticas de milagres e acontecimentos sobrenaturais que a ciência moderna afirma há muito tê-los desmentido. E, além do mais, não são as escrituras produto de pessoas imperfeitas?A verdade é que, quando corretamente entendidas e aplicadas, as escrituras genuínas agem como um guia e manual de instruções para a vida humana e o cosmo. Elas são o manual de fábrica da máquina da criação material.

Das escrituras, casadas com a tradição oral, aprendemos sobre métodos de elevação espiritual, como o cantar do santo nome. Das escrituras aprendemos sobre a vida de santos e sábios do passado e sobre as encarnações de Krsna. De fato, as histórias das escrituras, sejam transmitidas pela escrita ou pela tradição oral, são a base para a transmissão e estabelecimento de uma cultura que tenha por fim a iluminação.

Entendendo o Fantástico

Certamente, diversas histórias dos escritos sagrados parecem fantásticas para o nosso mundo científico. Mas muitas das maravilhas tecnológicas atuais também pareceriam fantásticas e ficcionais há algumas décadas. Não é, portanto, implausível que sociedades antigas tenham tido habilidades e perícias técnicas que não nos estão disponíveis hoje. É virtualmente impossível, por exemplo, recriar a arquitetura milenar do Peru usando qualquer recurso moderno de que dispomos. A idéia de que a tecnologia sempre progrediu, e que não possa jamais ter existido uma superior à atual, talvez seja incorreta. Mesmo os estudos recentes de história indicam que muito do conhecimento que existia na Grécia se perdeu na Europa da Idade Média e foi gradualmente restabelecido. É lógico e racional, então, assumir que aquilo que é comum hoje, como televisão e internet, talvez se perca e seja esquecido no futuro, para ser restabelecido apenas mais tarde.

Vale adicionar que, mesmo hoje, há muitas fortes evidências empíricas para a existência do sobrenatural. Mas porque a atual ciência não pode explicar as evidências, elas são omitidas.Os Vedas – com suas informações acerca do espírito e da matéria sutil – provêem uma visão de mundo que faz o aparentemente-impossível ser facilmente aceito como verdade. Uma vez que você entenda que o espírito, ou a vida, por exemplo, é independente da matéria, é muito fácil acreditar que entidades vivas possam viver em qualquer lugar do universo e fazer todo o tipo de coisas incríveis.

Níveis de Instrução

Uma queixa válida acerca das escrituras por parte de pessoas espiritualmente inclinadas é que elas se focam muito em rituais e ganhos materiais. Krsna valida esse sentimento quando Ele diz a Seu amigo Arjuna que aqueles que praticaram yoga em vidas passadas estão acima da maior parte dos ritos escriturais. A dura verdade, todavia, é que poucas pessoas estão interessadas em genuína realização espiritual.

Portanto, Krsna e Seus grandes devotos dão instruções e exemplos nas escrituras para todo o tipo de pessoas. Há diferentes escrituras para várias classes de pessoas com diversas inclinações e desejos. Daí ter vários níveis e tipos de instrução no mesmo cânone escritural.O Senhor, ou Seu representando ou filho, talvez ensine verdades eternas em um nível mais baixo ou de alguma maneira enevoadas a depender do tempo, local ou circunstância. Escrituras nascidas de tais ensinamentos talvez ensinem menos do que o puro e desmotivado amor devocional pelo Senhor, mas elas têm sua função de gradualmente conduzir as pessoas ao pináculo da realização espiritual. Sabendo que a perfeição é, de forma geral, obtida após muitas vidas, uma pessoa absorta no cantar do mantra da verdade absoluta ajuda e encoraja cada pessoa em diferentes níveis.

Escrituras autorizadas vêm, por excelência, diretamente de Deus ou de almas livres das imperfeições e egoísmos das pessoas comuns. A verdade inadulterada pode fluir através de uma pessoa conectada com Deus e livre dos desejos egoístas da mesma forma que se pode ver o céu azul lá fora através de uma janela limpa.

Nosso Dever de Discriminar

Ainda, não se deve simplesmente aceitar qualquer escrito como sagrado simplesmente porque ele o diz ser. Parte da ofensa de blasfemar as escrituras é aceitar uma filosofia contrária ao serviço devocional e à forma pessoal do Senhor.

Também, se um sistema “religioso” afirma que outros livros e métodos genuínos são pecaminosos, esse deve ser evitado por sua mentalidade simplória e sectarista. Devemos rejeitar também qualquer sistema ou filosofia que negue a alma, a Personalidade de Deus, ou a meta da vida como o sucesso no processo de obtenção do amor puro por Ele. Portanto, cantar Hare Krsna enquanto se mantém uma postura monista – pensando que a verdade última é apenas energia e luz – é parte dessa ofensa ao santo nome.Um devoto de Krsna deve depender unicamente das tradições que estudam e promovem bhakti – devoção amorosa à personalidade de Krsna. Oferecendo respeitos à distância, deve-se evitar escrituras que promovam poderes místicos, trabalhos caridosos com recompensas celestiais, ou salvação fora de bhakti, para não dizer de formas inferiores de adoração que visam poderes obtidos através da negociação com seres demoníacos e fantasmagóricos.

O Harinama Cintamani de Srila Bhaktivinoda Thakura enumera nove princípios essenciais de krsna-bhakti. Podemos identificar as escrituras de bhakti como aquelas que promovem estes nove princípios:

(1) Há um único Senhor Supremo, Krsna.
(2) Ele é aquele que possui todas as energias.
(3) Krsna é a fonte dos relacionamentos transcendentais e está situado em Sua morada espiritual, onde Ele compraz todas as entidades vivas.
(4) As entidades vivas são partículas do Senhor, ilimitadas em número, infinitesimais em tamanho, e conscientes.
(5) Algumas entidades vivas estão condicionadas a universos materiais desde tempos imemoriais, tendo sido atraídas por prazeres ilusórios.
(6) Algumas entidades vivas são eternamente liberadas e se ocupam em adorar Krsna; elas residem com Ele como Seus associados no mundo espiritual e se relacionam amorosamente com Ele.
(7) Krsna existe com Suas energias – material, espiritual, e as entidades vivas – em um estado de igualdade e diferença simultâneas, permeando tudo e, ao mesmo tempo, existindo à parte.
(8) Há nove processos que caracterizam o processo pelo qual a entidade viva realiza Krsna: ouvir sobre Krsna, cantar, lembrar, servir, adorar, orar, agir como um servo, ser amigo do Senhor, e se render completamente.
(9) A meta última de uma entidade viva é bhakti – amor desmotivado por Krsna, que Krsna desperta em uma alma devido à Sua misericórdia.

Se uma pessoa aceita a mais pura das escrituras, rejeitando as várias tradições mundanas que se vendem sagradas, e respeitando as escrituras genuínas que estão em um nível inferior; ainda assim, é preciso estudar com muito cuidado essa escritura. Mesmo uma tradição eterna de escritos imaculados, ou de revelação oral de mesma natureza, pode ser distorcida através de interpretações inventadas e más aplicações.

Para mostrarmos respeito para com as escrituras, devemos entendê-las através do significado mais claro e direto possível, estudando a vida dos devotos anteriores que seguiram a cabo suas instruções como verdadeiros devotos puros de Krsna. Devemos, também, abordar as escrituras através da direção de um guru, que nos dará instruções específicas quanto ao que há de mais relevante para a nossa atual condição. Interpretações ou aplicações equivocadas podem ser mais perigosas do que a negação completa das escrituras.

Um lobo em pele de cordeiro é muito mais perigoso do que um lobo aparente.

Nós Precisamos das Escrituras

Com tantas considerações e complicações em relação às escrituras, não seria melhor simplesmente cantar Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare e esquecer de vez as escrituras? É verdade que simplesmente por se cantar pode-se alcançar a perfeição; mas para tanto, é precisa que o cantar seja sem ofensas, o que exige uma atitude reverencial perante as escrituras sagradas genuínas.E quanto prazer e consolo podemos obter das escrituras! Podemos nos tornar muito felizes e confiantes lendo o Bhagavad-gita, as palavras diretas de Krsna. E também podemos encontrar semelhantes benefícios em trabalhos de escritores contemporâneos – devotos que tomam os princípios trazidos por Krsna e os colocam dentro da vida familiar moderna, por exemplo.Claro que consolo e deleite não são os únicos motivos para lermos os escritos sagrados. Nós precisamos das escrituras. Na busca pela verdade sem as escrituras, não temos outra escolha senão nos basearmos em nossas próprias faculdades sensoriais e mental e na de outros com as mesmas limitações que nós. Isso pode nos dar apenas conhecimento parcial e relativo. Nossos sentidos são imperfeitos mesmo com o suporte de sofisticados instrumento. Cometemos erros devido a maus hábitos, falta de atenção ou por preconceitos inconscientes. Temos a tendência de enganar os outros e a nós mesmos. E quando identificamos o corpo como o eu, vivemos uma grande ilusão.

Portanto, as verdades axiomáticas – o ponto de partida para conclusões lógico-sensoriais – devem partir de uma fonte livre de defeitos se quisermos basear nossas ações em um conhecimento infalível.Quando nossa base de conhecimento vem da verdade absoluta, o cantar do santo nome de Krsna rapidamente nos conduz a Ele. Ouvir das escrituras sobre a beleza, a forma e as incríveis atividades de Krsna no mundo espiritual irá nos inspirar a cantar com o intenso desejo de obter Seu serviço amoroso. Satisfeito com nosso desejo, Krsna irá nos purificar com Sua misericórdia resplandecente como sol, e nosso progresso se fará nítido.

p/ Urmila dd

quarta-feira, 1 de outubro de 2008