segunda-feira, 2 de novembro de 2020

O Sādhaka é quem escolhe / Sādhaka is the one who chooses

Da próxima vez que alguém erradamente argumentar que não é o Bhakta, o Sādhaka que escolhe como se relacionar com Kṛṣṇa, que Rāgānugā Bhakti não é essencial na prática da Consciência de Kṛṣṇa ... basta mostrar este verso nas palavras do próprio Śrī Kṛṣṇa Caitanya Mahāprabhu.

Śrī Caitanya-caritāmṛta Madhya-līlā 22.161:

dāsa-sakhā-pitrādi-preyasīra gaṇa
rāga-mārge nija-nija-bhāvera gaṇana

"Existem muitos tipos de devotos - alguns são servos, alguns são amigos, alguns são pais e alguns são amantes conjugais. Rāgānugā Bhaktas são místicos no caminho de Rāga (rāga-mārge) que escolhem a Rasa (nija-nija-bhāvera) com a qual se relacionam com Kṛṣṇa."

nija-nija — da sua própria escolha

Então já escolheu?

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nijābhīṣṭa kṛṣṇa-preṣṭha pācheta’ lāgiyā
nirantara seva kare antarmana haña

nija-abhīṣṭa — a própria escolha; kṛṣṇa-preṣṭha — o servo de Kṛṣṇa; pācheta’ lāgiyā — seguinte; nirantara — vinte e quatro horas por dia; sevā — serviço; kare — executa; antarmanā — dentro da mente; hañā — ser

"Na verdade, os habitantes de Vṛndāvana são muito acarinhados por Kṛṣṇa. Se alguém quiser envolver-se em serviço amoroso espontâneo (Rāgānugā Bhakti), deve seguir os habitantes de Vṛndāvana (de sua própria escolha) e ocupar-se constantemente em serviço devocional dentro da sua mente."

(Srila Prabhupada CC Madhya 22.159)

Aqui Nijābhīṣṭa é extremamente importante.
É o devoto, durante o período de Sādhana, que escolhe (Nijābhīṣṭa) o Kṛṣṇa Preṣṭha (servo de Kṛṣṇa) que deseja seguir.

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Śrīla Bhaktisiddhānta adverte que: "não deixem seus dias passar sem fazer esta escolha. Não deixem seus dias passar."

No caso dos Vaiṣṇavas Gauḍīya eles escolhem Mādhurya Mañjarī Bhava porque Śrī Kṛṣṇa Caitanya Mahāprabhu é Kṛṣṇa exclusivamente no humor conjugal de Rādhā.

No Sanat Kumāra Saṁhitā, Śiva instrui Nārada Muni:

184 e 185

ātmānaṃ cintayet tatra 
tāsāṃ madhye manoramām
rūpa-yauvana-sampannāṃ 
kiśorīṃ pramadākṛtim

nānā-śilpa-kalābhijñāṃ 
kṛṣṇa-bhogānurūpiṇīm
prārthitām api kṛṣṇena 
tato bhoga-parāṅmukhīm

O Sādhaka deve pensar em si mesmo como uma jovem Mañjarī muito bela perita em várias artes, que agrada a Rādhā Kṛṣṇa, relutante em desfrutar directamente com Kṛṣṇa, mesmo quando Ele pessoalmente faz o convite.

186

rādhikānucarīṃ nityaṃ 
tat-sevana-parāyaṇām
kṛṣṇād apy adhikaṃ prema 
rādhikāyāṃ prakurvatīm

O Sādhaka deve pensar em si mesmo como uma seguidora de Śrī Rādhā, sempre dedicada ao Seu serviço, com mais afeição para Śrī Rādhā do que para Śrī Kṛṣṇa Ele mesmo.

187

prītyānudivasaṃ yatnāt 
tayoḥ saṅgama-kāriṇīm
tat-sevana-sukhāsvāda- 
bhareṇāti-su-nirvṛtam

Todos os dias carinhosa e afetuosamente a organizar o encontro entre Śrī Śrī Rādhā Kṛṣṇa, e tornando-se feliz de vê-Los satisfeitos com seu serviço.

188

ity ātmānaṃ vicintyaiva 
tatra sevāṃ samācaret
brāhma-muhūrtam ārabhya 
yāvat sāntā mahā-niśā

Pensando em si mesmo desta forma, deve-se servir Śrī Śrī Rādhā Kṛṣṇa do início da manhã no Brahmā Muhūrta até o fim da noite."

Śrīla Prabhupāda no Néctar da Instrucção Prefácio:

"Śrī Caitanya Mahāprabhu apareceu para conceder à sociedade humana a bênção da ciência de Kṛṣṇa. A mais exaltada de todas as actividades do Senhor Kṛṣṇa são Seus passatempos de amor conjugal com as gopīs.

Śrī Caitanya Mahāprabhu apareceu no humor de Śrīmatī Rādhārāṇī, a melhor das gopīs.

Portanto, para entender a missão do Senhor Śrī Caitanya Mahāprabhu e seguir Seus passos, deve-se mui seriamente seguir os passos dos seis Gosvāmīs - Śrī Rūpa, Sanātana, Bhaṭṭa Raghunātha, Śrī Jīva, Gopāla Bhaṭṭa e Dāsa Raghunātha."

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Família no Mundo Espiritual

Não há Iskcon, Gaudiya Matha and Babajis in Goloka. 

Vou dar um exemplo. Eu era muito amigo de um predidente de templo. O nome dele era Dhira Krsna Dasa. Já faleceu. Eu estava sob suas ordens. Mas eu não tratava ele como Sua Excelência Eminência Reverendissimo Sriman Dhira Krsna Dasa. 

Não, eu todos os dias me aproximava dele e dizia: "Dhira, tus é o chefe. O que devo fazer hoje." E riamos. 

No mundo espiritual é assim.  

Há hierarquia mas acima de tudo há amizade, confiança, carinho e humor.

Respeito e afeto ao mesmo tempo.

Na literatura Gaudiya, Vraja é frequentemente descrita precisamente como o lugar onde o amor supera a formalidade. Não desaparece o respeito, desaparece a distância.

No mundo espiritual não se anda a dizer:

"Ó venerabilíssima Rūpa Mañjarī, peço autorização para proceder ao serviço..."

Uma servidora que conhece Rūpa Mañjarī há literalmente uma eternidade espiritual, seria estranho que a relação fosse fria e cerimonial. É uma relação de proximidade cheia de carinho, humor, cumplicidade e cooperação perfeita no serviço de Śrīmatī Rādhārāṇī.

Uma mañjarī a sorrir para outra diz assim:

"Rangana, vem depressa! Rādhārāṇī está à tua procura!" 

Muito mais vida, muito mais afeto e muito menos protocolo do que os nossos cérebros condicionados costumam aceitar. 

Pensem em mãe Yaśodā. Ela não fica a dizer:

"Ó Supremo Senhor, Origem de todos os universos, permita-me apresentar esta refeição."

Ela diz essencialmente:

"Kṛṣṇa! Vem cá comer imediatamente!" 

E os Sakhās também não tratam Kṛṣṇa como um CEO divino. Brincam com Ele, correm com Ele, às vezes até disputam jogos com Ele.

Portanto, a lógica de Vraja é:

máximo amor;
máximo respeito;
mínima artificialidade.

Claro que isto não significa falta de reverência. Significa que a reverência está misturada com intimidade.

Pensem em Vraja. Se as associadas de Rādhārāṇī convivem juntas há uma eternidade, conhecem-se perfeitamente, servem juntas todos os dias e só têm amor no coração... é difícil conceber um ambiente frio, rígido e cheio de títulos pomposos. 

Isto é assim:

"Rangana!"

"Sim?"

"Precisamos das flores!"

"Então porque estás parada a conversar? Vai buscá-las!" 

E todos riem enquanto servem.

Aliás, o próprio Kṛṣṇa parece preferir relações assim. Os amigos sobem-Lhe às costas, Yaśodā ralha com Ele, as Gopīs discutem com Ele quando estão zangadas. Ninguém fica preso a uma etiqueta excessiva. 

Vraja não é um escritório celestial. É uma família gigantesca unida pelo amor a Rādhā e Kṛṣṇa. 

Claro, neste mundo material as formalidades e etiqueta Vaisnava são uma ajuda para cultivar humildade. Servir devotos mais velhos, ter uma relação amistosa com iguais e orientar devotos mais novos. Mas mesmo aqui neste mundo material, se um devoto sénior permite uma relação mais informal e familiar não há nenhum problema.   

Mas a realidade final do mundo espiritual, embora com hierarquia, é mais íntima. Como uma família.

Amor de familiares meus amigo(a)s. Amor de familiares. 


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The next time someone wrongly argues that it is not the Bhakta, the Sādhaka who chooses how to relate with Kṛṣṇa, that Rāgānugā Bhakti is not essential in the practice of Kṛṣṇa Consciousness ... just show this verse in the words of Śrī Kṛṣṇa Caitanya Mahāprabhu Himself.

Śrī Caitanya-caritāmṛta Madhya-līlā 22.161:

dāsa-sakhā-pitrādi-preyasīra gaṇa
rāga-mārge nija-nija-bhāvera gaṇana

"There are many types of devotees — some are servants, some are friends, some are parents, and some are conjugal lovers. Rāgānugā Bhaktas are mystics on the path of Rāga (rāga-mārge) who choose the Rasa (nija-nija-bhāvera) with whom they relate to Kṛṣṇa."

nija-nija — of one’s own choice

So, have you already chosen?

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nijābhīṣṭa kṛṣṇa-preṣṭha pācheta’ lāgiyā
nirantara sevā kare antarmanā hañā

nija-abhīṣṭa — one’s own choice; kṛṣṇa-preṣṭha — the servitor of Kṛṣṇa; pācheta’ lāgiyā — following; nirantara — twenty-four hours a day; sevā — service; kare — executes; antarmanā — within the mind; hañā — being

“Actually the inhabitants of Vṛndāvana are very dear to Kṛṣṇa. If one wants to engage in spontaneous loving service (Rāgānugā Bhakti), he must follow the inhabitants of Vṛndāvana (of one’s own choice) and constantly engage in devotional service within his mind."

(Srila Prabhupada CC Madhya 22.159)

Here Nijābhīṣṭa is extremely important.
It is the devotee, during the period of Sādhana, who choose (Nijābhīṣṭa) the Kṛṣṇa Preṣṭha (servant of Kṛṣṇa) who wants to follow.

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Śrīla Bhaktisiddhānta warns that: "Don't let your days go by without making this choice. Don't let your days go by."

In the case of Gauḍīya Vaiṣṇavas they choose Mādhurya Mañjarī Bhava because Śrī Kṛṣṇa Caitanya Mahāprabhu is Kṛṣṇa exclusively in Rādhā's conjugal mood.

In Sanat Kumāra Saṁhitā, Śiva instructs Nārada Muni:

184 and 185

ātmānaṃ cintayet tatra 
tāsāṃ madhye manoramām
rūpa-yauvana-sampannāṃ 
kiśorīṃ pramadākṛtim

nānā-śilpa-kalābhijñāṃ 
kṛṣṇa-bhogānurūpiṇīm
prārthitām api kṛṣṇena 
tato bhoga-parāṅmukhīm

The Sādhaka should think of oneself as a beautiful young Mañjarī girl expert in various arts, pleasing to Rādhā Kṛṣṇa, reluctant to directly enjoy with Kṛṣṇa even if He were personally to invite you.

186

rādhikānucarīṃ nityaṃ 
tat-sevana-parāyaṇām
kṛṣṇād apy adhikaṃ prema 
rādhikāyāṃ prakurvatīm

The Sādhaka should think of oneself as a follower of Śrī Rādhā, always devoted to Her service, more affectionate to Śrī Rādhā than to Śrī Kṛṣṇa Himself.

187

prītyānudivasaṃ yatnāt 
tayoḥ saṅgama-kāriṇīm
tat-sevana-sukhāsvāda- 
bhareṇāti-su-nirvṛtam

Every day carefully and affectionately arranging the meeting of Śrī Śrī Rādhā Kṛṣṇa, and becoming happy to see Them pleased by your service.

188

ity ātmānaṃ vicintyaiva 
tatra sevāṃ samācaret
brāhma-muhūrtam ārabhya 
yāvat sāntā mahā-niśā

Thinking of oneself in this way, one should serve Śrī Śrī Rādhā Kṛṣṇa from the early morning of Brāhma-muhūrta to the end of night.

Śrīla Prabhupāda in the Nectar of Instruction Preface:

"Śrī Caitanya Mahāprabhu appeared in order to bestow upon human society the benediction of the science of Kṛṣṇa. 

The most exalted of all the activities of Lord Kṛṣṇa are His pastimes of conjugal love with the gopīs. 

Śrī Caitanya Mahāprabhu appeared in the mood of Śrīmatī Rādhārāṇī, the best of the gopīs. 

Therefore, to understand the mission of Lord Śrī Caitanya Mahāprabhu and follow in His footsteps, one must very seriously follow in the footsteps of the Six Gosvāmīs – Śrī Rūpa, Sanātana, Bhaṭṭa Raghunātha, Śrī Jīva, Gopāla Bhaṭṭa and Dāsa Raghunātha."

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Family in the Spiritual World

There are no ISKCON, Gaudiya Matha, or Babajis in Goloka.

I'll give you an example. I was very close to a temple president. His name was Dhira Krsna Dasa. He has passed away. I was under his orders. But I didn't address him as His Excellency, Most Reverend Eminence Sriman Dhira Krsna Dasa.

No, every day I would approach him and say, "Dhira, you're the boss. What should I do today?" and we would laugh.

That's how it is in the spiritual world.

There is hierarchy, but above all there is friendship, trust, affection, and humor.

Respect and affection at the same time.

Gaudiya literature, Vraja, is often described precisely as the place where love overcomes formality. Respect doesn't disappear, distance disappears.

In the spiritual world, one doesn't go around saying:

"Oh most venerable Rūpa Mañjarī, I ask permission to proceed with the service..."

A servant who has known Rūpa Mañjarī for literally a spiritual eternity, it would be strange for the relationship to be cold and ceremonial. It is a close relationship full of affection, humor, complicity, and perfect cooperation in the service of Śrīmatī Rādhārāṇī.

A mañjarī smiling at another says something equivalent to:

"Rangana, come quickly! Rādhārāṇī is looking for you!" 

Much more life, much more affection, and much less protocol than our conditioned brains usually accept. 

Think of Mother Yaśodā. She doesn't go around saying:

"Oh Supreme Lord, Origin of all universes, allow me to present this meal." 

She essentially says:

"Kṛṣṇa! Come here to eat immediately!" 

And the sakhās don't treat Kṛṣṇa like a divine CEO either. They joke with Him, run with Him, sometimes even play games with Him.

Therefore, Vraja's logic is:

maximum love;
maximum respect;
minimum artificiality.

Of course, this doesn't mean a lack of reverence. It means that reverence is mixed with intimacy.

Think of Vraja. If Rādhārāṇī's associates have lived together for an eternity, know each other perfectly, serve together every day, and only have love in their hearts... it's hard to see a cold, rigid environment full of pompous titles. 

I'ts like that:

"Rangana!"

"Yes?"

"We need the flowers!"

"So why are you standing there chatting? Go get them!" 

And everyone laughs while serving.

Incidentally, Kṛṣṇa Himself seems to prefer relationships like this. Friends climb on His back, Yaśodā reprimands Him, the gopīs argue with Him when they are angry. No one is bound by excessive etiquette. 

Vraja is not a celestial office. It is a gigantic family united by love for Rādhā and Kṛṣṇa. 

Of course, in this material world, Vaisnava formalities and etiquette help cultivate humility. 

Attending to older devotees, having a friendly relationship with equals, and guiding younger devotees. 

But even here in this material world, if a senior devotee allows a more informal and familiar relationship, there is no problem.

On the other hand the ultimate reality of the spiritual world, although hierarchical, is more intimate. 

Like a family. Family love my friends. Family love.