sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Karma

De acordo com os Vedas existem três tipos de Karma:

Sanchita Karma - o total de todas as acções passadas a serem resolvidas.

Prarabdha Karma - a porção de Sanchita Karma a ser vivenciada nesta vida. Este incluí nossas características físicas e intelectuais, quem são nossos familiares, tendências pessoais, etc.
É a forma de Karma que já frutificou e portanto é a mais difícil de ser suplantada.


Kriyamana Karma - o Karma que está a ser criado agora, e que frutificará no futuro.

Podemos dizer que o Karma que ainda não se manifestou (Sanchita) e o Karma que estamos a criar agora (Kriyamana) são mais facilmente transformados.
Mas pela força do serviço devocional até mesmo Prarabdha Karma pode ser alterado.

No seu livro "Madhurya Kadambini", Srila Visvanatha Cakravarti Thakur descreve como Prarabdha Karma pode ser erradicado ao alcançarmos a perfeição de Sadhana Bhakti.
De acordo com Sri Jiva Goswami, Prarabdha Karma é o último estágio Kármico a ser ultrapassado pelo devoto.
Em outras palavras, Sanchita e Kriyamana Karma são superados primeiramente na iniciação e então Prarabdha Karma é o último a ser removido pela graça de Bhakti Devi.

Aqui levanta-se a questão:
O que acontece a um devoto (a) que tornou-se livre da influência do Karma mas ainda não atingiu o amor puro por Krsna (Prema)?

O Senhor pessoalmente cuida deste devoto.
No entanto, isto não significa que o devoto fica livre de doença, calamidade ou sofrimentos. Isto significa que nada disto é devido a Prarabdha Karma mas sim a um arranjo especial do Senhor para fazer o devoto mais dependente d'Ele.

tat te `nukampam su-samiksamanobhunjana evatma –krtam vipakamhrd-vag-vapurbhir vidadhan namas tejiveta yo mukti-pade sa daya – bhak

(SB 10.14.8)

"Meu querido Senhor, aquele que sinceramente aguarda que Você outorgue Sua misericórdia sem causa, sempre paciente, tolerando as reacções de sua más acções do passado e oferecendo a Você respeitosas reverências com o coração, palavra e corpo, é com certeza, elegível para obter o serviço imaculado aos Seus pés de lótus, pois isso tornou-se seu direito adquirido."

Na fase de Nistha (Devoção fixa), os obstáculos resultantes de bom ou mau Karma são completamente erradicados (Purna Nrvitti), embora exista uma pequena possibilidade de os Anarthas que surgem do Karma reaparecerem.
Na fase de Asakti, nos últimos estágios de Bhakti quando a mente está completamente apegada à Krsna, os impedimentos do Karma são absolutamente erradicados (Atyantiki Nrvitti).

Cinco etapas de erradicação dos Anarthas

«1» Eka-desa-vartini-Parcial
«2» Bahu-desa-vartini-Dominante
«3» Prayiki-Quase completa
«4»Purna-Completa
«5»Atyantiki-Absoluta

Erradicação dos Anarthas que surgem do bom e mau Karma

Bhajana-kriya «3»

Nistha «4»
Asakti «5»

Agora, o que dizer sobre o facto de o Guru aceitar o Karma dos discípulos?

Srila Prabhupada explica:
"Isto é a teoria dos Cristãos. "Se você fizer alguma coisa, eu sofro por isto". Não. Você deve sofrer.
Se alguém comete um assassinato, mas pensa que seu pai é que deve sofrer a pena, será esta uma proposta razoável? Não você cometeu o assassinato e você deve ser enforcado.
Da mesma forma, quando você comete actos pecaminosos, deve sofrer - não Jesus Cristo. Esta é a Lei de Deus."

Fim da citação.

Assim, o Guru estando livre do Karma, não fica novamente sob a influência do Karma quando aceita discípulos. o Guru não tem que sofrer o Karma.
No entanto, Srila Rupa Goswami diz que se o Guru aceita muitos discípulos desqualificados isto pode constituir um distúrbio no seu (do Guru) Bhajana.
Isto significa que se o discípulo (a) actua erradamente, o Guru terá de lidar com estes erros, o que tornará o trabalho do Guru mais difícil.


Também, se o discípulo abandona o serviço do Guru, o Karma que tinha sido suspenso pelo discípulo ocupar-se em Sadhana Bhakti irá novamente actuar em tal discípulo inconstante.

Isto irá certamente causar transtorno à mente e ao coração do Guru. E desta forma o Bhajana do Guru será perturbado. Não devemos perturbar o Guru desta forma.

Vosso servo
Prahladesh Dasa