sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Usar ou não usar o dhoti ? 2

Vantagens dos trajes ocidentais

Sankara Pandita Dasa:

"A adoção de traje ocidental baseia-se em ocupar aqueles que não estão familiarizados com o traje Vaisnava e também para conseguir entrar em lugares como Centros Comerciais para divulgar a Consciência de Krsna.

É uma questão individual, e o devoto deve ter o incentivo dos outros para se vestir como desejar.

Mas embora usem traje ocidental, os devotos jamais devem negar sua identidade como devotos Hare Krsna.
Não acho que se devam usar perucas porque há alguns anos recebemos muitas queixas de que as perucas eram fraudulentas.
É melhor que os devotos usem chapéu."

Vantagens do traje de devoto

Lilavatara Dasa:
"Os devotos viajam muito rápido e vão a todos os lugares.
Se eles estiverem vestidos como devotos, milhões verão os devotos num só dia, e verão que o Movimento Hare Krsna está vivo, e ajudarão, porque há muitos devotos andando com livros por aí. (Obs particular: Muitas pessoas perguntam-me actualmente: "Onde estão vocês?", "Antes vocês estavam muito presente nas ruas.")

Em alguns países os devotos usam perucas, calças e casacos só para comprar leite. Isto está errado.
Não há problema em ir a uma loja com roupa de devoto.
Basta lembrar como se fez o primeiro devoto na Rússia.
Syamasundara andava por Moscou com a cabeça rapada e de Dhoti, e um jovem indiano e um jovem russo viram-no e aproximaram-se.
Se Syamasundara tivesse saído com roupas ocidentais, ele os teria perdido.
E em Nova Iorque as pessoas viram Srila Prabhupada com roupa de Sannyasa e foram atraídos."

É perfeitamente compreensível que alguns devotos sintam-se constrangidos com algumas situações.

Existem muitos detalhes que devem ser observados ao saírmos na rua seja com roupa devocional ou não.
Afinal, estamos representando Srila Prabhupada e a ISKCON
Por exemplo:
A Sikha desamarrada,
manchas de Tilaka na testa,
Kurta aberta sem botões mostrando o peito,
o cordão de Brahmana enrolado nas contas,
o Dhoti muito curto até ao joelho,(deve ser até abaixo do calcanhar - o melhor tecido é a viscose)
a Kurta muito curta,(deve ser até quase o joelho)
meias de cores diferentes,
chinelo de dedos,
casacos de cores diferentes não condizendo,
etc.

O mesmo aplica-se as devotas.

As autoridades dos Templos devem ser muito cuidadosas neste sentido para que todos os devotos vistam-se de uma forma uniformizada, harmoniosa e com "bom gosto".

Todas as instituições religiosas são muito estritas neste sentido.

Isto tudo torna um grupo de devotos e devotas muito atrativos.

Quanto aos trajes ocidentais, não sair com "Jeans" e t-shirts desbotadas e coisas do gênero.

Não podemos ter uma aparência de classe baixa. É preciso ter um estilo pessoal para representar bem a ISKCON de Prabhupada.

Mas, obviamente estas são algumas sugestões pessoais.

Carta de 26 de Novembro de 1976 de Hari Sauri Pabhu, aprovada por Srila Prabhupada:

O seguinte é um trecho de uma aula do SB 5.6.3 dada em 25 de novembro de 1976.
Srila Prabhupada pediu que ela fosse enviada a todos os Templos e GBC:

"Se voces passarem a mão na cabeça de seus subordinados, isto aumentará seus maus hábitos, e se voces corrigirem-nos, eles vão melhorar.

Por isso aconselha-se que você sempre corrija o seu filho ou discípulo - jamais deixe de fazê-lo; se voce não corrigir, logo aparecerão muitas faltas.
Agora, para nossa vida prática, somos conhecidos no mundo todo como cabeças rapadas, não é?
Agora estamos ficando cabeludos.
Estamos esquecendo-nos de rapar a cabeça.
Porque não existe a correção, logo aparecem coisas defeituosas.
Então devemos ser conhecidos como cabeças rapadas e não como cabeludos.
Isso é uma discrepância.
Pelo menos uma vez por mês vocês devem estar com a cabeça bem rapada.
Na quinzena brilhante, no dia de purnima, quatro dias depois de ekadasi, uma vez por mes, devemos estar de cabeça rapada.

Não é desejável que em idade adulta vocês também sejam corrigidos.
Isto também é difícil, porque quando o discípulo ou filho é adulto, se ele for corrigido, então ele quebra.

Então antes de sermos castigados devemos ter consciência de que estas são as nossas regras e regulações que devemos observar...

...então, de mãos postas, eu lhes peço que não se tornem hippies de novo deixando o cabelo crescer.
Mantenham a cabeça limpa pelo menos uma vez por mês.
Este é o meu pedido.

Nem eu posso corrigir vocês - sou velho e vocês são jovens."

Conversa depois da conferência

Devoto 1 : Em geral rapamos a cabeça a cada quinze dias porque mesmo depois de quinze dias ela parece um pouco suja.
Devoto 2 : Você pode arranjar boas perucas.
Prabhupada : Não. Não é preciso. Isto também é invenção mental.
Hoje vocês podem sair de casaco, calças e cabeça rapada. Ninguém vai criticar. Virou moda. Os russos usam; Kruschev, eu vi - de cabeça rapada.

Podemos observar que o Dhoti, a Kurta e o Sari são roupas destinadas a àqueles que desejam cultivar vida espiritual e não estão preocupados com a moda.

Ou seja uma vida simples, com roupa simples.

E não há nada mais simples do que esta roupa.

Vosso servo
Prahladesh Dasa

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Usar ou não usar o dhoti ?

HARINAMA IN HAMBURG.
 
Vosso servo
Prahladesh Dasa

A Apreciação de Srila Prabhupada a Ramanujacarya


Srila Prabhupada's Appreciation of Sri Ramanujacharya
pelo Dr. A.D. Srirangapriya Ramanujadasan

"Encontramos excelente abrigo nos pés de lótus de Sri Ramanujacarya porque seus pés de lótus são a mais poderosa fortaleza no combate à filosofia Mayavadi". (Carta de Srila Prabhupada datada de 22 de novembro de 1974)

Srila Prabhupada é o pioneiro e o mais proeminente entre os atuais representantes da Madhava-Gaudiya Vaisnava sampradaya (escola). Sri Ramanujacarya (1017-1137) era integrante da Sri Vaisnava sampradaya. Por que, então, Srila Prabhupada reverencia Sri Ramanujacarya? Ademais, na atual Era das Desavenças, o que a atitude de Srila Prabhupada perante Sri Ramanujacarya nos ensina acerca de união e etiqueta? Primeiramente, embora Srila Prabhupada não fosse um teólogo pós-modernista, que ensinou "tudo dará no mesmo", ele não era sectarista. Ele afirmou que Deus é a Pessoa Suprema e que nós somos seus servos eternos. Ele apreciava tal sentimento fosse ele expresso no Judaísmo, no Cristianismo, no Islamismo ou mesmo em termos existenciais.

1 1 "O processo empreendido na busca talvez seja diferente de acordo com o país ou com o clima, mas se a meta última é Deus, então esse processo é aceito como religião. Na religião cristã, eles estão buscando por Deus sob as diretrizes de Jesus Cristo, que disse: 'Ame a Deus'. Ele mesmo se apresentava como filho de Deus. Muhammadan, Maomé, também se apresentava como servo de Deus. Assim, todos são aceitos". [VedaBase: Srimad-Bhagavatam 6.1.40 – Surat, 22 de dezembro de 1970] Vide também VedaBase: Room Conversation with devotees about Twelfth Canto Kali-yuga e Conversation with Guests – 15 de junho de 1974, Paris; VedaBase: Soren Aabye Kierkegaard.

Daí ele naturalmente apreciar as diferentes religiões dentro do prisma de sua própria tradição Védica. Dentro da gama de crenças conhecida como Hinduísmo, todavia, Srila Prabhupada teceu uma distinção fundamental entre o posicionamento Mayavada e o Vaisnava. 2 2 "Há, portanto, duas sampradayas: a sampradaya Mayavadi e a sampradaya Vaisnava". [VedaBase: Srimad-Bhagavatam 3.25.4 – 4 de novembro de 1974, Bombaim].

"Sri Caitanya Mahaprabhu então disse: mayavadi bhashya sunile haya sarva nasa. Mayavadi bhasya se refere ao comentário de Sankara ao Brahma-sutra, o Shariraka-bhashya. Se você ouvir o Shariraka-bhasya você será amaldiçoado, e viverá uma vida sem Deus. Por isso, tal comentário foi proibido por Caitanya Mahaprabhu. Todas as sampradayas Vaisnavas – Ramanuja Sampradaya, Madhvacarya Sampradaya, todas – discordam do comentário Sariraka-bhasya de Sankaracarya ao Brahma-sutra" . [VedaBase: Bhagavad-gita 13.8-12 – 30 de setembro de 1973, Bombaim] Vide também: VedaBase: Spiritual Master and Disciple: The Qualifications and Characteristics of the Spiritual Master . VedaBase: Srimad-Bhagavatam 5.5.2 — 11 de abril de 1975, Hyderabad. VedaBase: Answers to a Questionnaire from Bhavan's Journal — 28 de junho de 1976, Vrindavana. VedaBase: A Perfeição da Renúncia 3.2. VedaBase: Lecture on Science of Krishna — Hyderabad, April 14, 1975 VedaBase: Room Conversation With John Lennon, Yoko Ono, and George Harrison —11 de setembro de 1969, Londres, em Tittenhurst. Mayavada é o nome popularmente atribuído à filosofia Advaita (monismo absoluto) de Adi Sankaracarya (788-820), e Mayavadis se refere a seus seguidores. A Filosofia de Adi Sankaracarya Enquanto Srila Prabhupada era altamente crítico à filosofia Mayavada 3 3 "Caitanya Mahaprabhu diz que a filosofia de Buddha é indubitavelmente ateísmo, mas a filosofia de Sankara é um ateísmo muito perigoso, pois ele aceita o Vedanta e prega o ateísmo. Ele de alguma forma aceita... Usando o Vedanta, ele prega o ateísmo. Por isso eles [os mayavadis] são mais perigosos". [VedaBase: Sri Caitanya Caritamrta, Adi-lila 7.109-114 – 20 de fevereiro de 1967, São Francisco]. (Caitanya Mahaprabhu é aceito pela Madhva-Gaudiya Vaisnava-sampradaya como o próprio Deus em Sua encarnação mais perfeita e completa).

Para uma elaboração acerca do posicionamento de Srila Prabhupada, vide: VedaBase: Ensinamentos do Senhor Caitanya, Capítulo 25. , ele reconhecia os significativos méritos da missão de Adi Sankaracarya.

A Índia Medieval se sujeitou à influência do Budismo; e a fé no Ser Supremo, na alma imortal, e nos Vedas, Upanisads e no Bhagavad-gita tornou-se fraca. Felizmente, Adi Sankaracarya reviveu a fé popular nestes conceitos. Infelizmente, sua filosofia minou os fundamentos do teísmo devocional. A filosofia de Adi Shankaracarya priorizava três frases dos Upanisads: neti neti ( Candogya Upanisad 1.6.1), tat tvam asi (Candogya Upanisad 6.8.7), e aham brahmasmi (Brihadaranyaka Upanisad 1.4.10). Sua interpretação dessas frases é encontrada em seu Sariraka-bhasya . De acordo com ele, neti neti ("não isso, não isso") significa que o universo físico, a pluralidade de almas individuais, bem como um Deus pessoal, são ilusórios. A realidade última é destituída de atributos e características ( nirguna ou nirvishesha Brahman) 4 4 Adi Sankaracarya cita os seguintes versos para fundamentar sua afirmação: Mukunda Upanisad 1.1.6, Brhadaranyaka Upanisad 3.8.8, Svetasvatara Upanisad 4.11 e 4.19. .

Todas as representações de Deus com personalidade, forma e passatempos (saguna Brahman ou isvara), embora essenciais para a fé de neófitos, são, em última instância, ilusões a serem transcendidas. 5 5 Esta é a teoria de duas vias de Adi Sankaracarya de um Brahman superior ( nirguna) e um inferior (saguna), baseada em sua interpretação do verso 3.2.11 do Vedanta-sutra: na sthanato'pi parasya ubhayalingam sarvatra hi. Adi Shankaracharya relega todas as referências escriturais a saguna Brahman a um status inferior [Vide comentários de Adi Sankaracarya aos: Brihadaranyaka Upanishad 2.3.1; Katha Upanishad 3.15; Vedanta-sutra 2.1.27, Vedanta-sutra 2.11.14-20, Vedanta-sutra 3.2.14; Chandogya Upanishad 8.1.5, Chandogya Upanishad 8.3.2; Svetasvatara Upanishad 4.10, Svetasvatara Upanishad 6.11 e 6.16; Taittiriya Brahmana 2.8.9]. De acordo com Adi Sankaracarya, ajnana ou avidya projetam sobre o nirguna Brahman o (irreal) mundo das aparências, por exemplo: (a) Nirguna Brahman + avidya = Um Deus pessoal (saguna Brahman ou isvara), a pluralidade de almas e o universo físico. (b) Um Deus pessoal, a pluralidade de almas, o universo físico = uma ilusão para ser transcendida [Vide comentário de Adi Sankaracarya ao Chandogya Upanisad 6.1.4]. Uma vez que avidya e ajnana são sinônimos de maya (poder ilusório), a teoria de Adi Sankaracarya tornou-se conhecida, posteriormente, como "Mayavada".

Adi Sankaracarya também cita o Chandogya Upanisad 6.2.1: sad eva saumya, idam agra asid, ekam eva advitiyam: "No começo (antes do universo se manifestar) havia o Ser sozinho, um único, sem outro". Adi Sankaracarya afirma que isso prova por fim que apenas o Brahman sem forma e atributos ( nirguna) é real. Tudo o mais (inclusive o saguna Brahman) não teriam existência real.

Sri Ramanujacarya refuta a teoria de duas vias de Adi Sankaracarya afirmando que a interpretação do verso sthanato'pi parasya ubhayalingam sarvatra hi dada por Sankaracarya para fundamentar sua teoria não tem suporte das escrituras. Ademais, a palavra ubhayalingam deveria ser aceita em seu sentido literal de que o Brahman tem dois conjuntos de características: (i) ser livre do mal e da imperfeição ( nirdoshatva) e (ii) possuir inumeráveis qualidades auspiciosas (kalyanagunatmakatv a). Sri Ramanujacarya cita o paradigmático verso 8.1.5 do Chandogya Upanisad, no qual o Brahman é claramente descrito como livre do mal ( apahatapapma), da aflição (vishoka), etc., e como sendo possuidor de atributos de personalidade tais como ser aquele "cujos desejos são auto-satisfeitos" e aquele "cujos desejos sempre se realizam". (satyakama, satyasamkalpa) . Em relação a sad eva saumya, idam agra asid, ekam eva advitiyam, Sri Ramanujacarya aceita o significado literal. No começo, só havia o Brahman; ele criou a partir de si mesmo este universo (real), pois não havia nada mais que ele pudesse ter usado. Isso é confirmado pelo Taittiriya Brahmana ( 2.8.9.6): kimsvid vanam ka u sa vriksha assetyato dyava-prithivi nishtatakshunmanishino manasa pricchataitatyad adhyatishthad bhuvanani dharayan brahma vanam brahma sa vriksha asityato dyava-prithivi nishtatakshunmanishino manasa prabravimi vo brahmadhyatishthad bhuvanani dharayan Assim, para Sri Ramanujacarya, advitiyam, ou "sozinho", significa que o Brahman era tanto o criador quanto a substância a partir da qual esse universo nasceu. Ele constrói sua posição tendo por fundamento inúmeras escrituras, como: Vedanta-sutra, 1.4.23: prakritis ca pratijna drishtanta anuparodhat Vedanta-sutra 1.4.26: atmakriten parinamat Vedanta-sutra 1.4.27: yonis ca hi giyate Mundaka Upanishad 1.1.7: yathorna-nabhin srijate grihnate cayatha prithivyam oshadhayan sambhavantiyatha satan purushat kesha-lomanitathaksharat sambhavatiha vishvam Doravante, longe de ser um ser impessoal, a linha seguinte do verso advitiyam atribui ao Brahman o ato de "pensar e decidir" se tornar vários – uma indicação clara de personalidade: tad aikshata bahusyam prajayeyeti. As almas "individuais" são, em última instância, idênticas a esse Brahman não diferenciado, daí tat tvam asi "Tu és isso" 6 6 Adi Sankaracarya busca embasamento em vakyanvayadhikarana (Vedanta-sutra 1.4.19.22) e em amsadhikarana (Vedanta-sutra 2.3.43-53). e aham brahmasmi ("Eu sou Brahman")

A Antítese de Sri Ramanujacarya Sri Ramanujacarya estudou a filosofia Advaita e então compilou um imenso e meticuloso trabalho contra essa. 7 7 É importante frisar que Sri Ramanujacarya ataca a doutrina Advaita de Sri Sankaracarya e não todo o seu trabalho literário ou missão, menos ainda sua pessoa. Há aspectos do trabalho de Adi Sankaracarya, fora da doutrina Advaita – como stotras devocionais e estabelecimento de majestosos centros de adoração – que são respeitados e apreciados por todos os Vaisnavas. De fato, sua postura em sua última grande obra, Bhaja Govindam, revela que ele nunca quis que sua filosofia Advaita/Mayavada fosse vista de forma isolada, nem que fosse priorizada na vida de seus seguidores. Adi Sankaracarya informa a seus seguidores que filosofia e especulação mental são, por fim, inúteis sem devoção verdadeira pela Pessoa Suprema.

Por exemplo: bhaja govindam bhaja govindambhaja govindam mudha-matesamprapte sannihite kalena hi na hi rakshati dukrin-karane "Adore Govinda, adore Govinda, adore Govinda, ó tolos! Regras gramaticais (e polêmicas subseqüentes) não salvaram vocês no instante da morte". Srila Prabhupada se referia a Adi Sankaracarya como um "personalista disfarçado" que pregou o impersonalismo Mayavada meramente para o cumprimento de uma meta parcial: "Sankaracarya é a encarnação do Senhor Sankara, o Senhor Siva. O Senhor Siva é Vaisnavanam yatha sambhuh , o melhor dos Vaisnavas. Assim, os devotos sabem que Sankaracarya era, em seu coração, um Vaisnava, mas ele teve de pregar como um Avaisnava porque ele tinha que livrar a Índia do Budismo. Essa era sua missão". [VedaBase: Srimad-Bhagavatam 6.2.16 – 19 de setembro de 1975, Vrndavana]. Vide também: VedaBase: Consciência de Krsna: Culto Hindu ou Cultura Divina? Ciência da Auto-realizaçã o; VedaBase: Seguir os Passos das Pessoas Santas, Néctar da Devoção; VedaBase: Carta a Damodar. Seu Sri-bhashya, um comentário à mesma obra comentada por Adi Sankaracarya, estabelece os fundamentos do Vaisnavismo. Quanto a neti neti, Sri Ramanujacarya aponta que Adi Sankaracarya interpretou o texto desconsiderando seu contexto. A passagem do Chandogya Upanisad descreve primeiramente o universo, a pluralidade das almas, o Ser Supremo com atributos como glória, beleza e ternura.

Aí vem a frase neti neti. Mas a história não encontra seu fim aí. A passagem continua e atribui mais qualidades ao Ser Supremo: na hy-etasmad iti, nety-anyat param asti ("Não há ninguém superior ou maior do que o Brahman supramencionado" ), e descreve o Brahman como satyasya satyam ("o mais real dos reais"). 8 8 Vide Brihadaranyaka Upanisad 2.3.1-6: dve vava brahmano rupe murtam chaivamurtam ca tasya haitasya purushasya rupam yatha maharajanam vaso yatha pandv-avikam yathendragopo yathagny-archir yatha pundarikam yatha sakrid vidyutam sakrid vidyutaiva ha va asya srir bhavati ya evam veda athata adesho neti neti. na hy etasmad iti. nety anyat param asti. atha namadheyam satyasya satyam iti. prana vai satyam tesham eva satyam. Considerando todo o contexto, Sri Ramanujacarya afirmou que neti neti não fundamenta o conceito de nirvishesha ou nirguna Brahman de Sankaracarya; senão que neti neti significa que o Ser Supremo não é equivalente à descrição que lhe foi dada, mas é, sim, muito mais do que isso: Suas glórias não podem ser adequadamente descritas. 9 9 Considere o Kena Upanisad 1.5: yad vachanabhyuditam yena vag abhyudyate tad eva brahma tad viddhi nedam yad idam upasate.

Quando a literatura védica descreve o Brahman como nirguna, sua intenção não é negar os atributos do Brahman, mas, insistir que sua forma é transcendental e destituída das imperfeições encontradas nas coisas materiais. 10 10 Na cosmologia Vedântica, a criação material (prakrti) é caracterizada por três modos ( gunas). O Brahman é nir-guna no sentido de estar acima desses três modos. Não há nada nem ninguém igual, superior ou maior do que ele. Ele é possuidor de personalidade 11 11 Vide Vedanta-sutra 1.1.5: ikshateh na ashabdam. Sri Ramanujacarya frisa que desejo e escolha claramente implicam um ser pessoal e não uma força impessoal. , forma 12 12 Vide comentário de Sri Ramanujacarya ao Vedanta-sutra 1.1.21: parasyaiva brahmanan [...] divyarupamapi svabhavikam asti , e atributos divinos 13 13 Vedanta-sutra 1.1.21: antan tad dharmopadeshat, e sua passagem correspondente no Chandogya Upanishad 1.6.6. ; é a morada de todas as excelências 14 14 Vedanta-sutra 1.2.2: vivakshita-gunopapa ttes ca, juntamente com Chandogya Upanishad 3.14.1 , tais como bem-aventuranç a 15 15 Vedanta-sutra 1.1.13, anandamayo abhyasat , imortalidade, poder criativo 16 16 Vedanta-sutra 1.1.1: janmadyasya yatah , onisciência 17 17 Vide comentário de Sri Ramanujacharya ao Vedanta-sutra 1.2.23, também Brihadaranyaka Upanishad 3.8.8 , conhecimento eterno e infinito 18 18 Satyam jnanam anantam brahma, Taittiriya Upanishad 1.2.2 , desejo infalível e auto-satisfaçã o 19 19 Satyasamkalpa, anadarah. Vide Chandogya Upanishad 1.4.1 ; ele é refulgente, macio como lã e tem olhos de lótus 20 20 Brihadaranyaka Upanishad 2.3.6. . Não importa o quanto se esforce para glorificar esse saguna Brahman, o glorificador não conseguirá descrevê-lo apropriadamente e terá, por fim, de assumir: neti neti! 21 21 A lógica aplicada por Ramanujacarya para refutar a interpretação monisto-impersonali sta de Adi Sankaracarya de neti neti pode ser aplicada a todos os outros textos e argumentos similares apresentados por Adi Sankaracarya.

Quanto a tat tvam asi, Sri Ramanujacarya argumenta que Adi Sankaracarya foi muito precipitado em afirmar absoluta igualdade entre a alma e o Brahman. Sri Ramanujacarya cita vários textos que distinguem a alma e Deus. 22 22 Alguns dos mais significativos: (a) Vedanta-sutra 1.2.11: guham pravishtau atmanau hi tad darshanat, e seu equivalente no Katha Upanishad 1.3.1: ritam pibantau sukritasya lokeguham pravishtau parame parardhechaya-tapau brahma-vido vadantipancagnayo ye c ra trinaciketah (b) Vedanta-sutra, 1.3.7: sthity-adanabhyam ca, e sua passagem correspondente no Mundaka Upanishad 3.1.1: dva suparna sayuja sakhayasamanam vriksham parishasvajate tayor anyan pippalam svady attianasnann anyo 'bhichakashiti (c) Vedanta-sutra, 1.1.16, 17: na itara anupapatten, bheda vyapadesachcha (d) Vedanta-sutra, 1.1.21: bheda vyapadesachcha anyan (e) Vedanta-sutra, 1.2.3: anupapatteshtu na shariran (f) Vedanta-sutra, 1.2.22: viseshana bheda vyapadeshabhyam ca na itarau (g) Vedanta-sutra, 1.3.4, 5: pranabhrichcha, bhedavyapadeshahcch a (h) Vedanta-sutra, 1.3.18: itara paramarsat sa iti cenna asambhavat Ademais, o terceiro adhyaya explica como a jiva atma, a fim de obter a liberação, deve meditar no Paramatma, o que reafirma a distinção entre ambos. Vide também Mundaka Upanisad ( 3.1.2): samane vrikshe purusho nimagno'nisaya sochati muhyamanan ejushtam yada pashyaty anyam isamasya mahimanam iti vita-shokah A identidade trazida por tat tvam asi deve respeitar essa distinção fundamental. A alma é diferente de Deus e, ao mesmo tempo, una com Deus como sua parte. Toda a criação vem de Deus – janmadyasya yatah (Vedanta-sutra 1.1.2) –, que a sustenta através de sua onipresença.

O Vedanta-sutra 1.2.18 é decisivo: antaryamyadhidaiva – (adhiloka) – adishu tad-dharma-vyapades ha. "O governador interno dos deuses, (dos universos) e de todos os demais seres, como mencionado na passagem do Upanisad, é Brahman, porque as qualidades se sujeitam a Ele". 23 23 A passagem do Brihadaranyaka Upanisad 3.7.18 correspondente afirma: yan prithivyam tishthan prithivya antaro yam pritivi na veda yasya prithivi shariram yan prithivim antaro yam ayaty esha ta atmantaryamy amritah Assim como a alma individual reside no corpo sem ser conhecida pelo corpo (que é mantido pela alma e existe para o interesse da alma), da mesma forma Deus reside na alma (e em tudo o mais) como Paramatma, ou antaryami. 24 24

Essa é a estrutura "corpo-alma" de Sri Ramanujacarya. O universo inanimado e as almas animadas são o corpo de Deus, de acordo com a definição de "corpo" dada em: yasya chetanasya yaddravyam sarvatmana svarthe niyantum dharayitum ca sakyam taccheshataika svarupam ca, tat tasya shariram (Sri Bhashya 2.3.18). Deus é o centro da vida da alma, e a razão para a sua existência. A alma é eternamente relacionada a Deus como sua parte, ou amsha. Assim como os raios solares são unos com o sol e dependentes dele, igualmente a alma é dependente de Deus para sua existência. 25 25 Vedanta-sutra 2.3.43: amsho nana vyapadeshat anyatha cha 'pi dasakitavaditvam adhiyata eke Daí o conceito parcial de identidade: tat (Deus) tvam (tu, a alma individual) asi (és)

Quanto a aham brahmasmi, Sri Ramanujacarya concorda com Adi Sankaracarya que, ao obter a liberação, a atma manifesta sua natureza essencial como una com o Ser Supremo. 26 26 Vedanta-sutra 4.4.1: sampadyavirbhavan svena shabdat; e Vedanta-sutra 4.4.4: avibhagena drishtatvat A alma deve se identificar com Deus, não com a matéria. Mas, novamente, Adi Sankaracarya clama a igualdade absoluta violando inúmeros versos dos Upanisads. Sri Ramanujacarya, respeitando tanto a identidade quanto a diferença, explica que, no estado de vida liberada, a alma manifesta as qualidade de Brahman, tais como ser livre do nascimento, morte, impureza, ignorância e dor, e experimentar uma bem-aventuranç a sem paralelo. Neste estado de completa absorção em Deus, e dotada de visão espiritual, a alma percebe Deus em toda a parte 27 27 Vide Brihadaranyaka Upanishad, 2.4.9-16, especialmente: yatra hi dvaitam iva bhavati tad itara itaram pasyati tad itara itaram jighrati tad itara itaram rasayate tad itara itaram abhivadati tad itara itaram srinoti tad itara itaram manute tad itara itaram sprisati tad itara itaram vijanati yatra tv asya sarvam atmaivabhut tat tena kam pashyet tat tena kam jighret tat kena kam rasayet tat kena kam abhivadet tat kena kam shrinuyat tat kena kam manvita tata tena kam shprishet tat tena kam vijaniyat , e todos os nomes e pronomes (aham, etc.) são percebidos como referente a Deus. 28 28

Vide comentário de Sri Ramanujacarya ao Vedanta-sutra a partir de 1.1.30: shastra-drishtya tupadesho vamadevavat, e também seu comentário ao verso 1.3.7; também Vedanta-sutra 1.4.28: etena sarve vyakhyata vyakhyatah. Todo traço de ahamkara (eu) e mamakara (meu) deixa de existir, e passas-se a experimentar somente Deus. Daí: aham brahmasmi. A alma, enquanto compartilha da bem-aventuranç a de Deus, permanece subordinada a ele. 29 29 Vide comentário de Sri Ramanujacarya ao Vedanta-sutra 4.4.21: bhoga-matra- samya-lingach cha Deus é infinitamente onipresente (vibhu), e a alma é eternamente diminuta (anu) 30 30 Vide Svetasvatara Upanishad: balagra-shata- bhagasyashatadha kalpitasya chabhago jivan sa vijneyahsa chanantyaya kalpate ; Deus cria inumeráveis universos, e a alma não. 31 31 Vide comentário de Sri Ramanujacarya ao Vedanta-sutra 4.1.17: jagad-vyapara- varjam prakaranat asannihitatvachcha É significativo que Adi Sankaracarya clame que a alma em seu estado liberado imerja no Brahman e se torne absolutamente usa a ele. Todavia, Sri Ramanujacarya enfatiza que, mesmo em seu estado liberado, a alma mantém-se distinta e como um servo amoroso de Deus.

O Vedanta-sutra 4.4.9 não diz que a alma não tenha mais senhor, senão que diz que ela não tem mais outro senhor: ata eva cha ananyadhipatih. A alma liberada se ocupa unicamente no serviço eterno a Deus. 32 32 A transformação da alma, de escrava do karma e dos desejos egoístas para serva exclusiva de Deus, é o tema da bela canção de Ramanujacarya: Sharanagati gadya. O próprio Senhor é o caminho para se obter tal estado bem-aventurado; ele mesmo é a ponte para a imortalidade: amritasya esha setuh. 33 33 Mundaka Upanisad 2.2.5, citado por Sri Ramanujacarya em seu comentário ao verso 1.3.1 do Vedanta-sutra. A salvação não pode ser obtida através do esforço pessoal, senão que depende da misericórdia sem causa de Deus. nayam atma pravacanena labhyona medhaya na bahudha shrutenayam evaisha vrinute tena labhyastasyaisha atma vivrinute tanum svam "Essa Identidade Suprema não pode ser obtida pela razão, intelecto ou estudo de diversos textos. Ademais, sua obtenção só é possível para aqueles que ele escolhe". ( Katha Upanisad 1.2.23) . 34 34 Considere também Katha Upanisad (1.2.20): anor aniyan mahato mahiyan atmasya jantor nihito guhayam tam akratun pasyati vita-shoko dhatun prasadan mahimanam atmanah Em suma: 1. Deus é a Pessoa Suprema, aquele que possui inumeráveis atributos, formas e passatempos divinos. A alma individual e o universo material são reais, e expressões de sua glória. 2. A salvação é uma dádiva de Deus. 3. Livre do mundo material, a alma realiza sua verdadeira natureza espiritual como bem-aventurada serva de Deus. Verdades Eternas Todos os acaryas Vaisnavas concordam nesse ponto, 35 35

"Não há, portanto, diferentes conclusões entre os acaryas Vaisnavas no que diz respeito ao Senhor e aos devotos. O Senhor Caitanya estabelece que a entidade vida (jiva) é eternamente o servo do Senhor e que ele é simultaneamente uno e diferente do Senhor. Esse tattva do Senhor Caitanya é compartilhado por todas as quatro sampradayas da escola Vaisnava (todos aceitam o serviço ao Senhor como eterno, mesmo após a salvação), e não há acarya Vaisnava autorizado que pense que ele e o Senhor são idênticos". [VedaBase: Srimad-Bhagavatam 2.4.21 ] , e Sri Ramanujacarya lhes deu uma forte fundamentação escritural e lógica. Srila Prabhupada apreciou esse feito de erudição; enquanto que considerou os ensinamentos de Adi Sankaracarya como "necessários em determinado momento, mas não um fato permanente 36 36 VedaBase: ESC 20: O Objetivo do Estudo do Vedanta ". Ele tratou os ensinamentos de Sri Ramanujacarya como verdades eternas a serem minuciosamente estudadas 37 37 VedaBase: Conversation with Indian Guests – 12 de abril de 1975, Hyderabad. :

"Um Vaisnava deve estudar os comentários ao Vedanta-sutra escritos pelos acaryas das quatro sampradayas – Sri Ramanujacarya, Madhvacarya, Visnu Svami e Nimbarka – porque esses comentários se baseiam na filosofia de que o Senhor é o mestre e todas as entidades vivas são Seus servos eternos. Uma pessoa interessada em estudar a filosofia Vedanta, apropriadamente, deve estudar esses comentários, especialmente se essa pessoa for um Vaisnava. Esses comentários são sempre muito apreciados pelos Vaisnavas".

A apreciação de Srila Prabhupada a Sri Ramanujacarya era também fundamentada em bases pragmáticas. A Madhva-Gaudiya- sampradaya afirma ser o Srimad-Bhagavatam o comentário perfeito ao Vedanta Sutra e aos Upanisads. Assim, não haveria necessidade do estudo de outros comentários. 38 38 Até onde nos diz respeito, Madhva-Gaudiya Sampradaya, nossos acaryas aceitam o Srimad-Bhagavatam como o comentário perfeito ao Brahma-sutra. Bhashyam brahma-sutranam vedartha-paribrimhi tam. Esse Srimad-Bhagavatam é o verdadeiro bhashya do Brahma-sutra [...] O Srimad-Bhagavatam também é escrito por Vyasadeva, e Vyasadeva é o autor original do Brahma-sutra. Então, tendo o autor comentado sua própria obra, não haveria necessidade de outro comentário. Esse é o siddhanta Gaudiya, o siddhanta Gaudiya-Vaisnava" . [VedaBase: Bhagavad-gita 13.8-12 – 30 de setembro de 1973, Bombaim]. Todavia, Srila Prabhupada não era como vários sadhus ou babajis que ficam satisfeitos com sua iluminação pessoal.

Ele era um missionário que entendia que um sucesso duradouro dependeria da obtenção de credibilidade para o seu movimento. Considere a seguinte referência de Srila Prabhupada a um famoso acontecimento histórico 39 39 Agradeço a Sua Santidade Vedavyasapriya Maharaja por chamar minha atenção para essa história. : "Mas, algumas vezes, em Jaipur, eram lançados desafios, 'A Gaudiya-sampradaya não tem um comentário ao Vedanta-sutra'. Então, procurou-se Visvanatha Cakravarti Thakura [para que ele escrevesse o comentário Gaudiya] ... porque ele era um grande erudito, um erudito já de idade, que vivia naquela época em Vrndavana ... Ele já era idoso; então ele autorizou Baladeva Vidyabhushana, 'faça o comentário'. Não havia nenhuma necessidade, mas as pessoas estavam exigindo: 'onde está seu comentário ao Vedanta-sutra?'. Então, Baladeva Vidyabhusana, com a ordem de Govindaji de Jaipur, escreveu o comentário ao Brahma-sutra. Seu nome é Govinda-bhashya. Assim, a Gaudiya-Brahma- sampradaya passou a também ter seu comentário ao Brahma-sutra. Foi necessário". [Carta – 30 de setembro de 1973, Bombaim] 40 40 Comentários ao Bhagavad-gita 13.8-12 As principais autoridades de Jaipur eram os Ramanandis (um desdobramento da sampradaya Sri Vaisnava no norte da Índia) 41 41 A relação entre os Ramanandis e a sampradaya Sri Vaisnava é complexa, ou até mesmo ambígua.

Alguns relatos escritos dos Ramanandis traçam uma conexão entre a sampradaya Sri Vaisnava e a Sri Ramananda, embora alguns Ramanandis posteriores (embora continuem prezando Sri Ramanujacarya) afirmam serem de uma tradição espiritual independente. No tempo de Baladeva Vidyabhusana, tal divisão dentro dos Ramanandis era, provavelmente, institucionalizada. Para uma discussão detalhada sobre esse assunto: WILLIAM, R. Pinch. Of saints and simple people, Peasants and Monks in British India. Oxford University Press, Nova Delhi. , e Sri Baladeva (começo do século dezoito) percebeu a importância estratégica de ter a aprovação deles. O brilhante comentário de Sri Baladeva foi tão estimado pelos examinadores Ramanandis que lhe presentearam com o título de Vidyabhusana: "adornado com sabedoria". Eles até quiseram tornar-se seus discípulos; mas Sri Baladeva Vidyabhushana recusou. Ele aclamou a sampradaya de Ramanujacarya como a pioneira em dasya-bhakti (servidão amorosa), e considerou inapropriado que o Ramanandis abandonassem tal herança gloriosa. 42 42 Esses eventos são narrados no site iskcon.com: About Sri Baladeva Vidyabhusana. Ortodoxia da ISKCON Srila Prabhupada dedicou sua primeira grande obra – seu comentário ao Bhagavad-gita 43 43 Veja a dedicação na edição de 1972 da MacMillan - a Sri Baladeva Vidyabhushana. Srila Prabhupada, assim, também estabelecia a autoridade da Madhva-Gaudiya- sampradaya (agora no ocidente), atestando que sua Sociedade Internacional para a Consciência de Krsna (ISKCON) não se tratava de um novo culto, mas de um movimento ortodoxo.

Srila Prabhupada também demonstrou exemplar humildade insistindo que não estava tendo superar os grandiosos mestres do passado, mas queria apenas trazer a tona seus ensinamentos: Dr. Patel: Senhor, eu li seu comentário ao Bhagavad-gita e o de Ramanujacarya. Eles são similares. Prabhupada: Sim. Dr. Patel: Eu acho que você tirou o seu dali… (risos) Prabhupada: Como eu poderia… Dr. Patel: Estou brincando. Prabhupada: Não, não. Nosso processo é pegar dos acaryas. Nós não estamos criando nada. Nós não somos patifes e tolos que criam coisas. Nós apenas pegamos os remanentes dos acarya e explicamos de forma que as pessoas modernas possam entender... É isso que fazemos. Dr. Patel: São idênticos. Prabhupada: Sim.… Se são idênticos, sou bem-sucedido. [3 de novembro de 1975, Bombaim] 44 44 VedaBase: Morning Walk – 3 de novembro de 1975, Bombaim. Vide também: "Nosso movimento é aprovado por todos os grandes acaryas da Índia. Ramanujacarya, Madhvacarya, o Senhor Caitanya, e muitos outros". [VedaBase: What Is a Guru?] Vide também VedaBase, Madhya 25.26; e VedaBase, Srimad-Bhagavatam 1.2.34 – 13 de novembro de 1972, Vrndavana. Similaridades e Diferenças Não restam dúvidas que existem algumas diferenças entre as sampradayas Sri Vaisnava e a Madhva-Gaudiya. Sri Vaisnavas acreditam que Sriman Narayana é a Pessoa Suprema e a origem de todas as encarnações; Madhva-Gaudiyas defendem que Sri Krsna é o Supremo, e que Sriman Narayana e os demais são suas encarnações. 45 45 Vide Sri Brahma-samhita 5.39. Considere também: "Essa afirmação do Srimad-Bhagavatam (1.3.28) nega definitivamente o conceito de que Sri Krsna é um avatara de Visnu ou Narayana.

O Senhor Sri Krsna é a original Personalidade de Deus, a suprema causa de todas as causas. Esse verso indica claramente que as encarnações da Personalidade de Deus, tais como Sri Rama, Nrsimha e Varaha são todas, indubitavelmente, pertencentes ao grupo de Visnu, mas todas Elas são ou porções plenárias ou porções de porções plenárias da original Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krsna" [VedaBase: Caitanya-caritamrta , Adi-lila 2.67] Portanto, Madhva Gaudiyas (a) preferem adoram Radha-Krsna a Sriman Narayana, 46 46 Comentário ao Srimad-Bhagavatam 7.9.18 – 25 de fevereiro de 1976, Mayapur. (b) consideram Goloka Vrndavana, e não Vaikuntha, como o planeta mais elevado 47 47 Vide Sri Brahma-samhita 5.43. Considere também: Yasodanandana: Nas outras sampradayas Vaisnavas, como a Madhva-sampradaya e a Ramanuja-sampradaya , eles não entendem que Krsna tem Seu próprio planeta, Goloka Vrndavana. Eles pensam que existe apenas Vaikuntha e nada mais. Prabhupada: O conhecimento deles é imperfeito.

No Brahma-samhita está declarado: goloka-namni nija-dhamni tale cha tasya [Bs. 5.43]. , e (c) consideram certos humores devocionais acessíveis apenas através de sua sucessão discipular 48 48 Tamala Krsna: Só para pegar o ponto de Maharaja Acyutananda, parece, então, que os Ramanujis e os Madhvites não aceitam Caitanya Mahaprabhu como a Suprema Personalidade de Deus. Então, como eles podem... Prabhupada: Então eles não podem entender as rasas superiores [VedaBase: Conversation with Devotees – 31 de março de 1975, Mayapur. . Há também interessantes episódios com "discussões" entre Sri Vaisnavas e Vaisnavas da Madhva-Gaudiya. Todavia, Srila Prabhupada participava de tais diálogos com grande sensibilidade e respeito mútuo. 49 49 Destaque para a conversão de Venkata Bhatta por Caitanya Mahaprabhu; vide Sri Caitanya-caritamrta , Madhya-lila, capítulo 9. Sem comprometer sua fidelidade aos princípios peculiares à Madhva-Gaudiya- sampradaya, ele sempre frisava a unidade: "Todas trazem a mesma conclusão. Os acaryas Vaisnavas, assim como nosso Ramanujacarya, Madhvacarya e Nimbarka, e [...] Visnusvami. Eles são todos do mesmo movimento". (Carta datada de 19 de fevereiro de 1976, Mayapur) "Não há diferença. Isso é Vaisnavismo. Todos os Vaisnavas entendem que Visnu é o Supremo. Às vezes acontecem coisas como entender Krsna como uma encarnação de Visnu, e às vezes entender Visnu como uma encarnação de Krsna.

Isso são sampradayas... Mas seja como Krsna, seja como Visnu, Ele é o Supremo, isso é aceito por todas". (DataBase: Discussion. 6 de maio de 1975, Perth) "Na sampradaya Vaisnava, alguns devotos adoram Radha-Krsna, e outros adoram Sita-Rama e Laksmi Narayana. Alguns também adoram Rukmini-Krsna. Todos esses casais são o mesmo casal, e todos os devotos são Vaisnavas. Se se canta Hare Krsna ou Hare Rama, isso não é importante. A adoração aos semideus, todavia, não é recomendada". (Ensinamentos do Senhor Kapila, verso 44) "No verso 154 [Caitanya-caritamrta, Madya-lila, capítulo 9], Sri Caitanya Mahaprabhu deixou isso de forma bem clara: ishvaratve bheda manile haya aparadha. 'É ofensivo fazer distinção entre as formas do Senhor". (Caitanya-caritamrt a, Madya-lila, 9.155, significado) . Tomando uma visão panorâmica, fica claro que o respeito de Srila Prabhupada por Sri Ramanujacarya era intelectual, afetuoso e profundo. Srila Prabhupada, em suas aulas e significados autorizados, citou Sri Ramanujacarya centenas de vezes. Aqui estão alguns exemplos: quando explicando termos-chaves como sanatana dharma 50 50 VedaBase: Bhagavad-gita, Introdução , bhakti-vedanta 51 51 VedaBase: Narada Bhakti Sutra 29 , e asura 52 52 VedaBase: Bhagavad-gita 7.1 – 14 de fevereiro de 1972, Madras; VedaBase: Sri Caitanya-caritamrta , Madhya-lila 20.353-354 – 26 de dezembro de 1966, Nova Iorque. , ou o conceito único do Pancha-tattva da Madhva-Gaudiya- sampradaya 53 53 VedaBase: Caitanya-caritamrta , Adi-lila, Introdução ; definindo vida humana como a busca pela verdade Absolua, 54 54 VedaBase: Jacques Maritain ou fornecendo uma perspectiva correta para o varnashrama- dharma 55 55 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 5.19.19 ; explicando como essa criação é real e una com Deus, e ao mesmo tempo subordinada a Ele 56 56: Ensinamentos do Senhor Caitanya, 20: O Objetivo do Estudo do Vedanta e Adi-lila 7.122 e Sua eterna propriedade 57 57 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 11.12.20 ; grifando que a pluralidade de almas é um fato eterno 58 58 VedaBase: Bhagavad-gita 2.8-12 — 27 de novembro de 1968, Los Angeles. ; enfatizando a natureza real e transcendental da personalidade, forma e passatempos do Senhor 59 59 VedaBase: Caitanya-caritamrta , Adi-lila 7.110 e Stotra-ratna 12, VedaBase: Bg 7.24 ; embasando a relevância singular do conhecimento escritural 60 60 VedaBase: Caitanya-caritamrta , Madhya-lila 6.135 ; falando sobre a meticulosa citação de textos Vedânticos 61 61 "Você vê o comentário de Ramanujacarya ao Bhagavad-gita.


Nada mudou. Mas, em cada shloka, ele traz evidências dos Vedas, dos Upanisad. Um acarya nunca muda". [VedaBase: Interview with Professors O'Connell, Motilal e Shivaram – 18 de junho de 1976, Toronto]. Vide também VedaBase: Room Conversation – 19 de janeiro de 1976, Mayapur; VedaBase: Interview with Professors O'Connell, Motilal and Shivaram — 18 de junho de 1976, Toronto; VedaBase: Evening Darshana, 6 de julho de 1976, Washington, D.F. ; reconhecendo grandes autoridades do Vedanta 62 62 VedaBase: Caitanya-caritamrta , Adi-lila 10.105 ; dando exemplo de habilidades polêmicas 63 63 "Dentre os Vaisnavas, ele foi o maior acarya, Ramanujacarya. .. Ainda hoje, no sul da Índia, os Mayavadis e os Ramanujas têm encontros para discussões, e os Mayavadis são sempre derrotados". [VedaBase: Morning Walk —20 de novembro de 1975, Bombaim. Vide também VedaBase: Krsna, a Suprema Personalidade de Deus 88: A Liberação do Senhor Shiva; VedaBase: Carta a Atreya Rsi — 26 de janeiro de 1972, Nairobi] ; proclamando que, em última instância, todas as escrituras glorificam a Pessoa Suprema 64 64 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 10.82.29-30 ; exaltando a natureza doce do serviço devocional 65 65 VedaBase: Caitanya-caritamrta , Madhya-lila 8.57 ; enfatizando que o serviço a Deus continua após a liberação 66 66 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 6.10.11 ; ilustrando o poder transformador da castidade feminina 67 67 VedaBase: Bhagavad-gita 1.40 — 28 de julho de 1973, Londres ; afirmando haver completa aversão pelo prazer material após se provar bem-aventuranç a espiritual 68 68 VedaBase: Bhagavad-gita 16.10 — 6 de fevereiro de 1975, Havaí; VedaBase: Srimad-Bhagavatam 1.5.12-13 — 11 de junho de 1969, New Vrndaban. ; indicando o caráter imaculado da moral Vaisnava 69 69 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 7.9.52 — 7 de abril de 1976, Vrndavana , a necessidade de vairagya 70 70 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 5.5.1-2 — 7 de setembro de 1973, Stockholm ou a audácia necessária no serviço devocional 71 71 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 1.2.5 — 16 de outubro de 1972, Vrndavana ; justificando a transcendência ao sistema de castas 72 72 VedaBase: Bhagavad-gita 2.26 — 30 de novembro de 1972, Hyderabad; VedaBase: Srimad-Bhagavatam 4.8.54 ; exemplificando a distribuição liberal dos santos nomes como ápice da compaixão 73 73 VedaBase: Bhagavad-gita 6.25-29 —18 de fevereiro1969, Los Angeles; VedaBase: Bhagavad-gita 18.67-69 — 9 de dezembro de 1972, Ahmedabad; VedaBase: Srimad-Bhagavatam 4.22.11 ; VedaBase: Madhya 7.130; VedaBase: Path of Perfection 5: Determination and Steadiness in Yoga; VedaBase: Srimad-Bhagavatam 1.2.11 — 26 de abril de 1974, Tirupati; VedaBase: Room Conversation With John Lennon, Yoko Ono, and George Harrison — 11 de setembro de 1969, Londres, em Tittenhurst; VedaBase: Carta a Satsvarupa — 14 de novembro de 1968, Los Angeles. ; justificando a necessidade de templos 74 74 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 7.15.21; VedaBase: Bhagavad-gita 13.15 — 9 de outubro de 1973, Bombaim; VedaBase: Srimad-Bhagavatam 3.26.4 — 16 de dezembro de 1974, Bombaim. ; glorificando o poder da pregação 75 75 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 4.28.30 ou exaltando proezas espirituais 76 76 VedaBase: Srimad-Bhagavatam 4.21.33 . Mesmo quando explicava a seus discípulos como proceder com a tradução de seu querido Srimad-Bhagavatam 77 77 "Viraraghavacarya [um acarya Sri Vaisnava], Sanatana Gosvami, Visvanatha Cakravarti. Nós estamos apenas tentando explicar suas idéias. Nós somos muito pequenos". [VedaBase: Room Conversation About 10th Canto – 16 de outubro de 1977, Vrndavana]. , mesmo nesse mais íntimo serviço, Srila Prabhupada considera Sri Ramanujacarya um valioso aliado. É raro encontrar, em qualquer era ou lugar, tal magnanimidade em um grande erudito.

Com escrupulosa etiqueta, Srila Prabhupada sempre reconheceu a contribuição de outras sampradayas , seja em nível filosófico, social, pessoal ou institucional. Mesmo enquanto líder sem concorrentes de um movimento mundial, ele permaneceu humilde e sempre atento às qualidades dos outros. Sua vida foi exemplar. Isso não se baseia apenas em sua pureza de coração, mas também no seu reconhecimento de si mesmo como um embaixador. Srila Prabhupada via a si mesmo como o candelabro que serviria de suporte para Sri Ramanujacarya, Madhvacarya, Sri Caitanya Mahaprabhu, e outros archotes espirituais. Ele não deixaria, e não deixou, nenhum de seus seguidores ou ilustres predecessores ficarem apagados. Uma Comparação Salutar Em seu significado ao Caitanya Caritamrta, Adi-lila 7.128, Srila Prabhupada escreve: "Os argumentos de Sankara, que são os dentes da filosofia Mayavadi, são sempre quebrados pelos argumentos dos filósofos Vaisnavas, como os de Ramanujacarya. Sripada Ramanujacarya e Madhvacarya quebram os dentes dos filósofos Mayavadis, que podem, portanto, ser chamados de Vidantis, 'desdentados'". Há muito, muito tempo atrás, o que era o berço da cultura Védica se tornou a morada do ateísmo. As pessoas não acreditavam mais em Deus, na alma imortal, ou nos Vedas. Adi Sankaracarya formulou, então, a filosofia Advaita com o objetivo de deter essa degradação. A filosofia Advaita cumpriu bem sua função, e as pessoas estava de volta no caminho Vedântico: havia, novamente, um Ser Espiritual Supremo e Transcendental, a alma era imortal, e os Vedas e Upanisads ganharam novamente autoridade. Todavia, o gênio acabou se tornando maior que a lâmpada.

O comentário de Adi Sankaracarya a neti neti, tat tvam asi e aham brahmasmi se tornou os três dentes do gênio, agora conhecido como Mayavada. Ao invés de ser o precursor do teísmo devocional, a filosofia Mayavada se tornou seu inimigo. Sri Ramanujacarya, com a maça de seu Sri-bhashya, quebrou os três dentes da filosofia Mayavada e proclamou a era de ouro do Vaisnavismo. Aqueles que vieram após Sri Ramanujacarya, como Madhvacarya, Nimbarka Svami, Vallabhacarya e Sri Caitanya Mahaprabhu, distribuíram a devoção ao longo daquela terra. A filosofia Mayavada caíra, mas não morrera. Por séculos ela ficou caída, lambendo as próprias feridas. Gradualmente, seus dentes renasceram mais afiados do que nunca, agora, com o suporte de diversas doutrinas não encontradas nos trabalhos originais de Adi Sankaracarya. Com o advento do colonialismo e do transporte moderno, o mundo estava se tornando uma vila global.

A filosofia Mayavada viu alguma esperança nos pastos frescos, nas vilas virgens. Trazendo à vida uma tropa de gurus freelancers, a filosofia Mayavada se apresentou mundialmente como o Vedanta. Assim, quando a filosofia Mayavada estava encontrando grande prazer: nasce um homem – um homem tão destemido quanto gentil. Armado com as obras de grandes acaryas Vaisnavas, ele perseguiu a filosofia Mayavada e provou ser ela uma grande farsa. Primeiro a América, então a Europa, África, Rússia, Austrália – em todos os lugares as pessoas foram levadas de volta ao Supremo. Talvez lhe tenha sido especialmente gratificante, junto com a ascensão mundial do Vaisnavismo, os indianos reencontrem suas próprias raízes devocionais. Por fim, ele voltou para sua amada Vrndavana, adorado por devotos de Krsna de todas as raças, cores, idades e berços – uma verdadeira Nação Unida. O que Sri Ramanujacarya deu início no começo do milênio, Srila Prabhupada concretizou em seu final. Sri Ramanujacarya derrotou a filosofia Mayavada na Índia; Srila Prabhupada a derrotou no mundo inteiro. Sri Ramanujacarya contou com um batalhão de incansáveis Vaisnavas; Srila Prabhupada começou sozinho, sem a ajuda sequer de seus irmãos espirituais.

Sri Ramanujacarya cantou bem alto os santos nomes da torre de um templo; Srila Prabhupada cantou nos subúrbios de Nova Iorque. Sri Ramanujacarya pregou para aqueles que acreditavam no athato brahma-jijnasa (Vedanta-sutra 1.1.1) 78 78 Vedanta-sutra 1.1.1 : insatisfeito com a religiosidade ritualística, pregou a busca pela espiritualidade genuína; Srila Prabhupada pregou para todos – mesmo vagabundos, drogados e mulherengos – athato brahma-jijnasa: vocês já experimentaram de tudo, agora experimentem Krsna. Sri Ramanujacarya deixou bem claro que o propósito de sua filosofia era desenvolver devoção pelo Senhor; Srila Prabhupada era a própria personificação de Bhakti e do Vedanta 79 79 O título "Bhaktivedanta" foi dado a Srila Prabhupada no ano de 1947 pela Gaudiya Vaisnava Society. .

Sri Ramanujacarya construiu uma fundação na qual todos os Vaisnavas podem se apoiar; Srila Prabhupada construiu uma sociedade na qual todos podem viver.

Tradução por Bhagavan dasa (DvS)

Maratona

A Maratona de Prabhupada não está muito longe. Há alguns anos devotos do mundo todo se preparavam para sair e fazer aquilo que dava tanto prazer a Srila Prabhupada: distribuir seus livros. Ainda hoje há centenas de devotos se preparando para a maratona e que vão trabalhar entusiasticamente para distribuir o máximo possível.

Mas para muitos devotos isso é uma parte nostálgica de suas vidas, o velho e bom tempo. Nós todos, ambos jovens e antigos devotos, sabemos do enorme valor dos livros de Prabhupada. Eles ainda estão mudando a vida de várias pessoas e vão continuar fazendo isso por milhares de anos. Sendo assim eu gostaria de pedir a todos os devotos que façam a distribuição durante a Maratona (mês de dezembro). Existem aproximadamente 4000 devotos na PAMHO [nota do editor: e existem mais de 6500 na lista do Amigos de Krishna!] . Se todos estes 4000 devotos distribuíssem 30 livros durante o mês de Dezembro, isso daria 120.000 livros distribuídos para o prazer de Srila Prabhupada!

Trinta livros não é muito, mas se uma grande quantidade de devotos fizer isso, se torna um grande número.
Dia 15 de dezembro é o World Enlightenment (Dia Mundial da Iluminação), é um sábado e então esse pode ser o dia para sair e distribuir todos os 30 livros. Ou se isso for muito difícil para você, então faça doações dos livros para pessoas que você conheça, ou mesmo para os devotos que façam sankirtana e os distribuam.

Eu fui inspirado a escrever isso depois de ler uma declaração do Senhor Caitanya Mahaprabhu no Adi Lila cap. 9 texto 36, "Então eu ordeno que todo homem neste universo aceite Movimento da Consciência de Krishna e o distribua em todo lugar." Então no verso 39 Ele diz: "Distribua esse Movimento de Consciência de Krishna em todo o mundo. Faça as pessoas comerem essas frutas e se tornaram livres da velhice e da morte".
Este é o desejo do Senhor Caitanya e todos os grandes Acaryas, então vamos cooperar para fazer desta a grande Maratona Prabhupada.

Seu servo, Vijaya dasa

Vosso servo
Prahladesh Dasa

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Sri Katyayani Vrata



Sri Katyayani Vrata

"This chapter describes (10.22) how the marriageable daughters of the cowherd men worshiped Kātyāyanī to get Lord Śrī Krsna as their husband, and how Krsna stole the garments of the young girls and gave the girls benedictions".(His Divine Grace A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupāda, Founder Ācārya of the International Society for Krishna Consciousness)


After Sati burned herself alive, Lord Siva took her body and started to do his dance of destruction. Lord Vishnu then cut up her body and different parts fell at different places. It is said that the hair (katya) of Sati felt at Keshi Ghata. Sati is another name of Durga or Katyayani.


Vosso servo

Prahladesh Dasa

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Aparecimento igual ao Desaparecimento

Aparecimento igual ao Desaparecimento

O Aparecimento (Avirbhava) de um devoto puro é igual ao seu Desaparecimento (Tirobhava).

Do livro "Gaudiya Vaisnava Samadhis in Vrndavana" de SS Mahanidhi Swami.

Avirbhava Equals Tirobhava

Philosophically, the avirbhava (appearance day) and tirobhava (disappearance day) of a pure Vaishnava are the same. The acarya's appearance and disappearance is not like the ordinary person's birth and death. The existence of a Vaishnava compares with the visibility of the sun. The sun shining in the clear blue sky repre­sents the devotee's living amongst us in his prakrta rupa (visible form). His disappearance from this world resembles the sun being hidden behind the clouds. He disappears in one place and appears in another. Therefore, a tirobhava simultaneously creates an avirbhava. When a pure Vaishnava leaves his prakrta rupa, he receives an aprakrta rupa (spiritual body or cit deha) to eternally serve Radha-Syamasundara in Goloka Vrndavana.

Here it ap­pears as a tirobhava but in the spiritual world it is an avirbhava.

The pure devotee disappears from our vision, only to appear before the vision of Radha-Syamasundara in the Shri Vrndavana-dhama.

In the material world the Vaishnava passes his days chanting Nitai-Gauranga and Hare Krishna, dancing, and honoring prasadam. He does the same in the spiritual world.

Once upon a time a sage gave different kinds of blessings to different types of people. He blessed a prince, raja-putfa ciram jiva, "You are the king's son, you should live forever." Then the sage blessed a Vaisnava, sadhavojiva va marava, "You can live or die, as you choose." Since royal families are prone to illicit sense enjoyment, the sage blessed the prince to live forever. Because after death the prince would go to hell to pay for his sins.

Hcwever, the Vaishnava could live or die because either way he continues the same activity blissfully serving the lotus feet of the Supreme Personality of Godhead, Shri Krishna.

Tirobhava Mahotsava (yearly disappearance celebration)

Like the sun, the Vaishnavas are always present. But on account of our faulty perception they seem to "disappear."

Hari Sauri Dasa reports that Shrila Prabhupada told disciples to fast until noon on both the appearance and disappearance days of our predecessor acaryas.

If possible, do the same for the six Gosvamis, Krishna Dasa Kaviraja, Narotttama Dasa Thakura, Visvanatha Cakravarti Thakura, and others. Spiritually, a Vaishnava's appearance and disappearance day are equal. Although Shrila Prabhupada wanted both days to be observed, Gaudiya Vaishnavas traditionally only celebrate the tirobhava (dis­appearance day). The festival honors that pure Vaishnava who attained a manjari svarupa (spiritual form of a maidservant), and entered the eternal service of Radha-Gopinatha within the pleasure groves of Shri Vrndavana-dhama.

"Celebrate the avirbhava (appearance day) of Vishnu (Krishna) and the tirobhava (disap­pearance day) of the Vaishnava," say the Gaudiyas.

Of course, the more one worships the devotees, the more one makes advance­ment. But elaborate ceremonies are usually held on the disappearance day.

Why "worship the avirbhava of Vishnu and the tirobhava of the Vaishnava?"

Immeditately upon appearing on earth, the Vishnu avataras such as the Dasa Avataras (Matsya, Vamana, Nrsimha, Rama) act to bless, instruct, and protect everyone. They bring peace and prosperity to the world. Therefore, the appearance day of Lord Vishnu and His many forms is honored. When a Vaishnava first appears in this world he doesn't show any greatness or make any contribution. After some years he begins to manifest his spiritual power. The karma (activities) of the Vaishnava far outweigh his janma (birth). A Vaishnava's life of pure devotion and spreading Krishna consciousness is honored with a mahotsava. This is a grand festival of flowers, kirtana, puja, poetry, prasadam, and a procession.

Shri Padmanabha Goswami explains the reason for celebrating a Vaishnava's tirobhava:"When a devotee takes birth he has not really done anything yet. After his death everyone knows what great work he did. So we celebrate this time. At that time the Vaishnava enters Radha-Krishna's nitya-lila and that's a great cause for celebration. According to Gaudiya Vaishnava philosophy, we believe that the departed Vaishnava joins the Ma of Radha and Krishna and the asta-sakhis (eight intimate gopis) as a servant of the servant of the servant the mood of gopi bhava. Just inside our altar of Radha Ramanaji, we worship Gopala Bhatta Gosvami in his eternal form as Guna-manjari, serving the lotus feet of Shrimati Radharani."

Standard Gaudiya Vaishnava texts don't give any prayers for singing on the appearance day of a pure devotee. But they men­tion hundreds of stavas, stutis, and sucaks (varieties of mantras and bhajans) to sing on the disappearance day.

Most Gaudiya Vais­nava panjikas (yearly calendars) list only the disappearance days of the Vaishnava acaryas.

How to Observe a Tirobhava

Sucaka Kirtans (a biography in song) are special kirtans full of verses glorifying the life and teachings of the departed Vaishnava saint. Sung on the tirobhava, these beautiful prayers sometimes go on for two or three hours.

All the six Gosvamis, except Shri Raghunatha Dasa Gosvami, receive substantial bhoga offerings during their tirobhava mahot-savas. At Radha-kunda, devotees respect Raghunatha Dasa Gosvami's mood of strict renunciation by daily offering him (in- side his samadhi) only buttermilk, maha Tulasi leaves and water from Radha-Gopinatha. But on his divine disappearance day they prepare a full feast and place it just outside his samadhi.

Any devotee, even if he has no money or materials, can sin­cerely worship the pure devotee on his tirobhava. The following pastime shows a pure and simple way to do it. Once on Shri Sanatana Gosvami's tirobhava, Shri Gaura Kishora Dasa Babaji Maharaja said,

"This afternoon we shall have a great festival, a tirobhava mahotsava, to honor the holy day of the pass­ing of Shrila Sanatana Gosvami."His servant Bihari replied, "But Babaji Maharaja, you are totally renounced and have nothing. Where will you get the things needed for a festival?""We don't need anything," explained Babaji Maharaja, "We may fast and chant the holy name of Krishna. And in this humble way, we shall enjoy a great festival."

Vosso servo
Prahladesh Dasa

Gopastami - Gosthastami

Srimati Radharani como um pastorzinho de vacas

Dia 18 de Novembro, Domingo Gopastami, Gosthastami

Após haver previamente pastoreado os bezerros, neste dia o Senhor Krishna saiu para pastoreas as vacas pela primeira vez. Assim Ele se tornou um Gopa, um vaqueiro. Nesse dia as goshalas (currais das vacas) são limpas, as vacas são adoradas e prassada (alimentos santificados) é oferecida a elas pelos devotos.

Enviado para o Braziliam Forum por Lilananda Prabhu.

Tradução: Cortesia de Mataji Lalita Priya Devi Dasi

Queridos devotos e devotas:

Por favor aceitem minhas humildes reverências. Todas
as glórias a Srila Prabhupada!

Segue uma carta de Ramabhadra Prabhu (Presidente da ISKCON Brooklyn, Nova Iorque, um pujari muito experiente) para Mahadyuti Prabhu (Presidente da ISKCON Soho, Londres) sobre mostrar os Pés de Lótus de Srimati Radharani no dia de Gopastami.

Querido Mahadyuti Prabhu:

Por favor aceite minhas humildes reverências. Todas as Glórias a Srila Prabhupada!

O padrão tradicional adotado por alguns templos da
ISKCON, por exemplo, Mayapura Dhama, Vrndavana Dhama, Juhu - Hare Krishna Land Dhama, Gita Nagari Dhama etc., é que o misericordioso Darshan dos Pés de Lótus da mais misericordiosa e amada devota de Sri Govindaji, Srimati Radhika, é reservado para "UM" Darshan especial por ano. De acordo com os padrões tradicionais este darshan especial é oferecido no Gopastami, o dia em que Srimati Radharani se veste como um menino vaqueiro com Dhoti e portanto revela Seus Pés de Lótus. 

Alguns templos escolheram oferecer esse Darshan especial no Radhastami. Eu soube que Gita-Nagari o oferece em Radhastami. Eu perguntei ao Jananivasa Prabhu e ele me respondeu Gopastami como fazia Siddhartha Prabhu o pujari principal mais antigo de Radha Rasabihariji. Omkara me respondeu Gopastami no início dos anos 80 quando eu lhe perguntei. A ISKCON de Vrndavana pode também oferecer o Darshan aos Pés de Lótus em Radhastami. Alguns templos podem fazê-lo em ambos os dias e alguns templos não o fazem. Eu não vejo nada de errado em oferecer um Darshan tão especial uma vez por ano ou duas vezes no máximo, embora nós nunca tivéssemos oferecido esse Darshan em Nova Iorque. 

A propósito, Gopastami é um período curto após o puja de  Govardhana durante o Kartik. Radhastami ou Gopastami desde que sinceramente, com amor, e devoção em abundância qual é o dano? A respeito da aparente controvérsia nas cartas, as cartas completas que eu incluo abaixo, trazem o assunto para a perspectiva. Dhruvananda das estava incomodando Srila Prabhupada com algumas perguntas ridículas,  tentando fazer Prabhupada dar respostas que  justificavam sua mentalidade inventiva. 

Srila Prabhupada não poderia ser enganado e aquilo teve um  efeito na emissão de uma resposta severa de Srila Prabhupada a algumas das perguntas de Dhruvananda dasa. A carta de Srila Prabhupada que responde às perguntas de Parikit das é referente à arte dos passatempos de Krishna e não Srngara da Deidade. 

Talvez Srimati Radharani como um menino vaqueiro em uma pintura do passatempo de Gopastami podia ser uma exceção. Sim, é um fato que Srila Prabhupada permitiu e mesmo incentivou a Sri Sri Radha Damodara oferecer Darshans especiais aos Pés de Lótus de Sri Radha. Isso apenas prova que é permitido se é feito com discrição e sinceridade. 

Era um padrão regular quando Sri Sri Radha Damodara começou a residir em Gita Nagari. Mais tarde, aproximadamente quando Srimati Lalitadevi e Srimati Vishakadevi foram instaladas, Sua Santidade Tamal Krishna Goswami fez uma mudançã conservativa, oferecendo o Darshan dos Pés de Lótus somente um dia por ano e eu ouvi que eles oferecem esse Darshan especial em Radhastami. Como você está ciente, Srila Prabhupada era liberal quando observava um comportamente devocional normal, sincero, e sério, mas podia ser muito conservador quando observava falta deseriedade e sobriedade, e comportamento inadequado. 

Em outras palavras "sermões diferentes para pessoas diferentes" e pregação de acordo com o tempo, o lugar, e a circunstância. Talves você estava em uma caminhada em Chicago, em 1975, quando Satsvarupa das Goswami disse a Prabhupada que alguns líderes de Kirtan cantavam menos Hare Krishna e mais os santos nomes de Radharani, etc.. Srila Prabhupada respondeu primeiramente com "não há nada de errado em cantar o nome de Radharani, se for feito sinceramente". Então Prabhupada disse que era melhor os líderes de Kirtan aderirem ao cantar de Hare Krishna.

No templo da Rua Henry Srila Prabhupada instruiu os pujaris quando observou que eles colocavam a coroa de Radharani muito baixa na Sua testa e cobria desse modo Seu lindo cabelo. 

Prabhupada disse, " Radharani tem o cabelo muito bonito e deve ser mostrado" . Omkara dasa que era famoso por nunca mostrar o bonito cabelo de Radharani, fazendo-A parecer uma Freira, recebeu uma carta de elogio de Srila Prabhupada que dizia a ele, "você faz com que Radharani pareça a mais casta". 

Srila Prabhupada mostrava humores diferentes pois conhecia os corações e o avanço dos devotos que o serviam, então para mim estas contradições aparentes não são controvertidas mas sim a maneira de Srila Prabhupada aplicar sua misericórdia apropriadamente. Eu recomendo, se você permitir, que esse Darshan especial, doce, misericordioso, aos Pés de Lótus de Srimati Radha-Londonisvara deva se tornar um festival muito especial, exclusivo. 

Talvez um traje especial de fim da tarde seja apropriado com convites pessoais para os membros mais importantes/devotos antigos, bhajans/kirtan apropriado, leitura de Uddhava entrega mensagens de Krishna às Gopis, uma abundância de chutney de ameixa vermelha e uma prasadam maravilhosa feita para Radharani. O anopassado nós fizemos 250 preparações para Radha-Govinda no Radhastami. Sri Sri Radha-Londonisvara

Que são muito queridos ao coração de Srila Prabhupada devem ser adorados com Grandeza e Opulência. Você é uma alma afortunada que carrega a grande responsabilidade de cuidar de Sri Sri Radha-Londonisvara e o grande templo da ISKCON em Londres, e eu soube que você está executando esse serviço de uma maneira maravilhosa e bem sucedida.

Todas as glórias a Sri Sri Radha-Londonisvara! Eu espero que esta o encontre em maravilhosaconsciência de Radha-Krishna.

Seu servo insignificante, Ramabhadra das

Meu querido Dhruvananda,
Por favor aceite minhas bênçãos.

Eu recebi sua carta datada de 17 de dezembro de 1972, e li o conteúdo com cuidado. Você fez varias perguntas sobre a adoração da deidade em Los Angeles, assim eu lhe responderei uma de cada vez: sua primeira pergunta, se os Pés de Lótus de Srimati Radharani devem ser exibidos, a resposta é Não, eles nunca devem ser vistos. 

Os pés de Krsna, entretanto, devem ser mostrados. Eu não sei quando eu disse a alguém que Krsna não deve usar nada na cor preta, nem eu sei onde eu dei alguma permissão para usar a cor preta, mas não há nenhum dano se, às vezes, Krsna vestir algo preto. Às vezes em Vrndavana eles O vestem depreto. 

Sim, as folhas de Srimati Tulasi Devi podem ser oferecidas a todas as expansões de Visnu-tattva de Krsna, incluindo Nityananda e Balarama. Você pode vestir o senhor Caitanya na maneira padrão, o principal é fazê-lo de maneira elegante, e não de maneira engraçada. Em seus países ocidentais o senhor Caitanya deve ser inteiramente coberto, Ele não deve aparecer com otórax descoberto. Por que você está derramando água sobre a cabeça das deidades de Radha e de Krsna? 

As deidades grandes não devem ser banhadasdesta maneira, usando água ou outras coisas. Melhor eles serem banhados diariamente pelo mantra, você não sabe disto? Sob nenhuma circunstâncias devemos banhar as deidades de Jagannatha com qualquer água ou líquido, Eles devem ser banhados também com mantra. Agora você pergunta se o senhor Jagannatha carrega flauta? Por que esta pergunta absurda? Você está me perguntando tanto contra-senso fabricado, invenções mentais. Nunca mais incomode minha cabeça desta maneira. 

De agora em diante a menos que eu de uma ordem para fazer alguma mudança ou adicionar algo a, siga com o padrão usual. Você fabrica idéias e eu então tenho que desperdiçar meu tempo. Eu já lhe dei tudo, não há nenhuma necessidade para você adicionar ou mudar qualquer coisa. Por que você está perguntando estas coisas? Quem lhe deu tal liberdade? O Pujari deve agir totalmente sob a supervisão do presidente do templo e do GBC, não independentemente. 

O maior perigo para o nosso movimento virá quando nós fabricarmos e criarmos nosso próprio processo para adorar as deidades. Assim não faça mais nenhuma pergunta nova, o que quer que aconteça, siga exatamente o padrão exato como eu dei, isto é tudo. carta a: Dhruvananda -- Bombaim 4 Janeiro de 1973

Brooklyn
Meu querido Pariksit dasa:
Aceite por favor minhas benções.

Eu recebi sua carta datada de 13 de setembro de 1974 e tomei conhecimento do conteúdo. As respostas às suas perguntas são como segue:

1. A respeito de Krsna das Kaviraja, não há tal
informação, mas tanto quanto possível, ele era brahmacari. 

2. O senhor Nityananda e associados apareceram no quarto. 

3. A bengala que o senhor Nityananda segura é como está no seu esboço. 

4. A cor dos corpos dos devotos do  senhor Nityananda, por que verde? Mas, pode ser feito, na há nenhum dano.

5. Você pode continuar não mostrando os pés de Srimati Radharani. carta a: Pariksit -- Mayapur 9 de outubro de 1974

"Srila Prabhupada tinha visto estas Deidades em várias ocasiões. Elas presidiram, junto com Sua Divina Graça, a celebração de 1972 do Vyasa-puja em New Vrindaban. Uma vez Prabhupada perguntou porque o vestido de Srimati Radharani era tão longo que A fazia parecer quase como a mãe Yashoda com seu pequeno menino, Damodara. Visnujana explicou que ele pensava que os Pés de Lótus de Radharani deveriam ser inteiramente cobertos. "você não gosta de ver os Pés de Lótus de Radharani?" 

Prabhupada repreendeu. E desse dia adiante, especialmente em ocasiões festivas, os Pés de Lótus de Radharani seriam mostrados ligeiramente." Servo do Servo - Sua Santidade Tamal Krishna Goswami

domingo, 18 de novembro de 2007

Alma feminina.

Eu gostaria de revelar uma coisa. Sempre tive o desejo que as devotas pregassem com força. E agora eu vejo esta nova fase. Eu pessoalmente sinto que as mulheres têm mais devoção, mais sinceridade, mais entrega. Os homens são mais intelectuais, alguns mais entusiastas, e poucos com a energia feminina de doação. São bons para liderar. São mais técnicos e científicos. Mas as devotas são doces. Elas são do coração, da intuição, do carinho que se manifesta. E agora vejo que todas elas estão se destacando aqui. Assim como expandem filhos com amor, elas sabem muito bem espalhar a filosofia do Senhor Krsna com bhakti. Não sou contra os homens, mas pela falta de uma sensibilidade maior. Fomos criados numa sociedade machista que dividiu e insensibilizou o poder masculino. Mas entendo que não somos homens, nem mulheres, apenas almas. Porém, é preciso ter esta alma feminina, de dizer que ama, de falar os sentimentos, de cantar poesia para Deus. A mulher pode ter facilmente o êxtase da emoção, de rir, de chorar.
 
Hare Krsna. Alemão
 

"Sem abandonar a consciência devocional masculina, uma pessoa não poderá ingressar nos passatempos íntimos de Radha Madhava no Radha Kunda. Brahma, Narada, Siva e Suka, não somente têm uma consciência devocional masculina, mas também adoram  à Krsna com um humor de respeito e reverência. Por esta razão, estas grandes personalidades não podem ingressar no serviço confidencial de Sri Radha, no Radha Kunda."  (Radha Kunda Mahima Madhuri - SS Mahanidhi Swami)

Vosso servo

Prahladesh Dasa

Dê um pouco de você.

Os devotos estão sempre competindo entre si para agradar a Krsna. Esta disputa não contém a inveja, a ambição. É uma briga de amor e de serviço. Assim, se todos os dias você entra aqui no Krsna Katha, ou em outro espaço, e não fez nenhuma ação para expandir a Consciência de Krsna, então você não entrou na nossa batalha de satisfação. Você só está observando a guerra de corações amistosos. Pegue a sua arma da devoção. Atire os seus versos do Gita para todos os lados. Pregue sobre o maha mantra. Vamos destruir este mundo caótico com a bomba da Consciência de Krsna. Todos nós temos que lutar. Aqui é só um espaço, mas devemos expandir tudo com docilidade. Devemos mostrar o nosso amor a Krsna pelo menos refletindo com muita sinceridade em tudo o que está sendo distribuido pelos devotos mais ativos. Mas você deve participar também. Deve trazer a sua fé. É na sua contribuição que seremos mais ricos, prósperos e bem sucedidos. Os gestos de amor e de devoção são as maiores armas para vencer a escuridão. Dê um pouco de você.

Haribol. Alemão.

Apreço pelos Escritos Sagrados


Esteem for Sacred Writings

por Urmila Devi Dasi



Este é o sétimo de uma série de artigos sobre as ofensas que devem ser evitadas por aqueles que tentam progredir espiritualmente através do cantar dos nomes de Deus. O presente discute a ofensa de blasfemar a literatura Védica ou a literatura de acordo com a versão Védica.



É moda na sociedade secular moderna tratar a literatura sagrada como o entretenimento mitológico de pessoas menos desenvolvidas intelectualmente. As escolas ensinam que com nossos atuais avanços, como a física, a medicina, a psicologia, a democracia e assim por diante, as escrituras religiosas têm pouca utilidade fora do campo artístico-literário. Aqueles que aceitam as escrituras de forma literal são tachados com termos pejorativos, como "fundamentalistas", por exemplo. Talvez seja chique roubar algumas idéias das escrituras Védicas, como yoga, meditação e cantar de mantras, mas viver de acordo com as leis escriturais é visto como algo simplista e fora de moda.




Para se conseguir benefícios espirituais do processo do cantar dos nomes de Krsna, todavia, é preciso ter reverência por Krsna em todas as Suas formas, incluindo Sua forma como as escrituras. Krsna apareceu na Terra, em Sua forma original, há cerca de cinco mil anos. Após retornar à Sua morada eterna, Sua "encarnação literária", Vyasadeva, compilou o néctar das escrituras Védicas na forma do Srimad-Bhagavatam.



Srila Prabhupada escreveu que ler essa escritura é como ver Krsna pessoalmente, sem nenhuma diferença.



Porque as palavras do Bhagavatam descrevem Krsna, elas são espiritualmente idênticas a Ele. Se blasfemamos o Bhagavatam, outros livros Védicos, ou alguma literatura de acordo com a versão Védica, ofendemos o santo nome, o que dificulta em muito o nosso processo do cantar.




A que se refere "literatura Védica"? Diferente dos acadêmicos modernos, Srila Prabhupada não usava o termo Védico para denotar apenas um período particular da história da Índia. Tendo como referência os mestres espirituais anteriores de sua linha e lançando mão de sua razão, ele usou o termo para se referir a todos os tradicionais livros sagrados da Índia. E "literatura de acordo com a versão Védica" se refere a qualquer livro que, como fazem os Vedas, direcionem-nos para nossa relação com Deus.



Evitamos essa ofensa contra o santo nome de Krsna se aceitamos o conceito de escritura revelada de maneira geral, reverenciamos as escrituras autênticas de outras tradições diferentes da nossa, respeitamos mas evitamos escrituras que ensinem práticas religiosas válidas todavia inferiores, e se rejeitamos pseudo-escrituras que se opõem ao amor por Deus como meta última.



Também evitamos essa ofensa ao adorarmos Krsna com nossa inteligência através de cuidadoso estudo e aplicação da literatura sagrada. Tal estudo nos dota tanto com o entusiasmo por servir Krsna quanto com as direções para tal. Encontramos a verdadeira felicidade ao explorarmos cada detalhe que lemos das escrituras Védicas. E com o uso de nossa razão, aceitamos a consistência, veracidade e aplicabilidade dos escritos por eles mesmos e também pelo exemplo de almas liberadas.


Uma Cultura para a Iluminação


Uma razão para as pessoas rejeitarem o conceito de escritos sagrados é porque a palavra escritura lhes evoca sociedades que proibiam o riso durante o sabá ou que declaravam que o processo para a perfeição era um sistema de procedimentos ritualísticos intrincados que poucos poderiam fazer parte e ainda menos poderiam entender. As escrituras também trazem histórias fantásticas de milagres e acontecimentos sobrenaturais que a ciência moderna afirma há muito tê-los desmentido. E, além do mais, não são as escrituras produto de pessoas imperfeitas?


A verdade é que, quando corretamente entendidas e aplicadas, as escrituras genuínas agem como um guia e manual de instruções para a vida humana e o cosmo. Elas são o manual de fábrica da máquina da criação material. Das escrituras, casadas com a tradição oral, aprendemos sobre métodos de elevação espiritual, como o cantar do santo nome. Das escrituras aprendemos sobre a vida de santos e sábios do passado e sobre as encarnações de Krsna. De fato, as histórias das escrituras, sejam transmitidas pela escrita ou pela tradição oral, são a base para a transmissão e estabelecimento de uma cultura que tenha por fim a iluminação.


Entendendo o Fantástico


Certamente, diversas histórias dos escritos sagrados parecem fantásticas para nosso mundo científico. Mas muitas das maravilhas tecnológicas atuais também pareceriam fantásticas e ficcionais há algumas décadas. Não é, portanto, implausível que sociedades antigas tenham tido habilidades e perícias técnicas que não são disponíveis hoje. É virtualmente impossível, por exemplo, recriar a arquitetura milenar do Peru usando qualquer recurso moderno de que dispomos. A idéia de que a tecnologia sempre progrediu, e que não possa jamais ter existido uma superior à atual, talvez seja incorreta. Mesmo os estudos recentes de história indicam que muito do conhecimento que existia na Grécia se perdeu na Europa da Idade Média e foi gradualmente restabelecido. É lógico e racional, então, assumir que aquilo que é comum hoje, como televisão e internet, talvez se perca e seja esquecido no futuro, para ser restabelecido apenas mais tarde.


Vale adicionar que, mesmo hoje, há muitas fortes evidências empíricas para a existência do sobrenatural. Mas porque a atual ciência não pode explicar as evidências, elas são omitidas.


Os Vedas – com suas informações acerca do espírito e da matéria sutil – provêem uma visão de mundo que faz o aparentemente-impossível ser facilmente aceito como verdade. Uma vez que você entenda que o espírito, ou a vida, por exemplo, é independente da matéria, é muito fácil acreditar que entidades vivas possam viver em qualquer lugar do universo e fazer todo o tipo de coisas incríveis.


Níveis de Instrução


Uma queixa válida acerca das escrituras por parte de pessoas espiritualmente inclinadas é que elas se focam muito em rituais e ganhos materiais. Krsna valida esse sentimento quando Ele diz a Seu amigo Arjuna que aqueles que praticaram yoga em vidas passadas estão acima da maior parte dos ritos escriturais. A dura verdade, todavia, é que poucas pessoas estão interessadas em genuína realização espiritual. Portanto, Krsna e Seus grandes devotos dão instruções e exemplos nas escrituras para todo o tipo de pessoas. Há diferentes escrituras para várias classes de pessoas com diversas inclinações e desejos. Daí ter vários níveis e tipos de instrução no mesmo cânone escritural.


O Senhor, ou Seu representando ou filho, talvez ensine verdades eternas em nível mais baixo ou de alguma maneira enevoada a depender do tempo, local ou circunstância. Escrituras nascidas de tais ensinamentos talvez ensinem menos do que o puro e desmotivado amor devocional pelo Senhor, mas elas têm sua função de gradualmente conduzir as pessoas ao pináculo da realização espiritual. Sabendo que a perfeição é, de forma geral, obtida após muitas vidas, uma pessoa absorta no cantar do mantra da verdade absoluta ajuda e encoraja cada pessoa em diferentes níveis.


Escrituras autorizadas vêm, por excelência, diretamente de Deus ou de almas livres das imperfeições e egoísmos das pessoas comuns. A verdade inadulterada pode fluir através de uma pessoa conectada com Deus e livre dos desejos egoístas da mesma forma que se pode ver o céu azul lá fora através de uma janela limpa.


Nosso Dever de Discriminar


Ainda, não se deve simplesmente aceitar qualquer escrito como sagrado simplesmente porque ele o diz ser. Parte da ofensa de blasfemar as escrituras é aceitar uma filosofia contrária ao serviço devocional à forma pessoal do Senhor. Também, se um sistema "religioso" afirma que outros livros e métodos genuínos são pecaminosos, esse deve ser evitado por sua mentalidade simplória e sectarista. Devemos rejeitar também qualquer sistema ou filosofia que negue a alma, a Personalidade de Deus, ou a meta da vida como o sucesso no processo de obtenção do amor puro por Ele. Portanto, cantar Hare Krsna enquanto se mantém uma postura monista – pensando que a verdade última é apenas energia e luz – é parte dessa ofensa ao santo nome.


Um devoto de Krsna deve depender unicamente das tradições que estudam e promovem bhakti – devoção amorosa à personalidade de Krsna. Oferecendo respeitos à distância, deve-se evitar escrituras que promovam poderes místicos, trabalhos caridosos com recompensas celestiais, ou salvação fora de bhakti, para não dizer de formas inferiores de adoração que visam poderes obtidos através da negociação com seres demoníacos e fantasmagóricos.


O Harinama Cintamani de Srila Bhaktivinoda Thakura enumera nove princípios essenciais de krsna-bhakti. Podemos identificar as escrituras de bhakti como aquelas que promovem estes nove princípios:


(1) Há um único Senhor Supremo, Krsna. (2) Ele é aquele que possui todas as energias. (3) Krsna é a fonte dos relacionamentos transcendentais e está situado em Sua morada espiritual, onde Ele compraz todas as entidades vivas. (4) As entidades vivas são partículas do Senhor, ilimitadas em número, infinitesimais em tamanho, e conscientes. (5) Algumas entidades vivas estão condicionadas a universos materiais desde tempos imemoriais, tendo sido atraídas por prazeres ilusórios. (6) Algumas entidades vivas são eternamente liberadas e se ocupam em adorar Krsna; elas residem com Ele como Seus associados no mundo espiritual e se relacionam amorosamente com Ele. (7) Krsna existe com Suas energias – material, espiritual, e as entidades vivas – em um estado de igualdade e diferença simultâneas, permeando tudo e, ao mesmo tempo, existindo à parte. (8) Há nove processos que caracterizam o processo pelo qual a entidade viva realiza Krsna: ouvir sobre Krsna, cantar, lembrar, servir, adorar, orar, agir como um servo, ser amigo do Senhor, e se render completamente. (9) A meta última de uma entidade via é bhakti – amor desmotivado por Krsna, que Krsna desperta em uma alma devido a Sua misericórdia.


Se uma pessoa aceita a mais pura das escrituras, rejeita as várias tradições mundanas que se vendem sagradas, e respeita as escrituras genuínas que estão em um nível inferior; ainda assim, é preciso estudar com muito cuidado essa escritura. Mesmo uma tradição eterna de escritos imaculados, ou de revelação oral de mesma natureza, pode ser distorcida através de interpretações inventadas e más aplicações. Para mostrarmos respeito para com as escrituras, devemos entendê-las através do significado mais claro e direto possível, estudando a vida dos devotos anteriores que seguiram a cabo suas instruções como verdadeiros devotos puros de Krsna. Devemos, também, abordar as escrituras através da direção de um guru, que nos dará instruções específicas quanto ao que há de mais relevante para a nossa atual condição. Interpretações ou aplicações equivocadas podem ser mais perigosas do que a negação completa das escrituras. Um lobo em pele de cordeiro é muito mais perigoso do que um lobo aparente.


Nós Precisamos das Escrituras


Com tantas considerações e complicações em relação às escrituras, não seria melhor simplesmente cantar Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare, e esquecer de vez as escrituras? É verdade que simplesmente por se cantar pode-se alcançar a perfeição; mas para tanto, é precisa que o cantar seja sem ofensas, o que exige uma atitude reverencial perante as escrituras sagradas genuínas.


E quanto prazer e consolo podemos obter das escrituras! Podemos nos tornar muito felizes e confiantes lendo o Bhagavad-gita, as palavras diretas de Krsna. E também podemos encontrar semelhantes benefícios em trabalhos de escritores contemporâneos – devotos que tomam os princípios trazidos por Krsna e os colocam dentro da vida familiar moderna, por exemplo.


Claro que consolo e deleite não são os únicos motivos para lermos os escritos sagrados. Nós precisamos das escrituras. Na busca pela verdade sem as escrituras, não temos outra escolha senão nos basearmos em nossas próprias faculdades sensoriais e mental e na de outros com as mesma limitações que nós. Isso pode nos dar apenas conhecimento parcial e relativo. Nossos sentidos são imperfeitos, mesmo com o suporte de sofisticados instrumento. Cometemos erros devido a maus hábitos, falta de atenção ou por preconceitos inconscientes. Temos a tendência a enganar os outros e a nós mesmos. E quando identificamos o corpo como o eu, vivemos uma grande ilusão. Portanto, as verdades axiomáticas – o ponto de partida para conclusões lógico-sensoriais – devem partir de uma fonte livre de defeitos se quisermos basear nossas ações em um conhecimento infalível.


Quando nossa base de conhecimento vem da verdade absoluta, o cantar do santo nome de Krsna rapidamente nos conduz a Ele. Ouvir das escrituras sobre a beleza, a forma e as incríveis atividades de Krsna no mundo espiritual irá nos inspirar a cantar com o intenso desejo de obter Seu serviço amoroso. Satisfeito com nosso desejo, Krsna irá nos purificar com Sua misericórdia resplandecente como sol, e nosso progresso se fará nítido.


Tradução por Bhagavan dasa (DvS)